Para que se tenha a vida prática da Igreja há
dois aspectos básicos e
principais. Devemos estar totalmente claros a respeito deles,
pois sem
eles não temos a realidade da vida da Igreja. O primeiro
é que o próprio
CRISTO é a vida, o conteúdo e tudo na igreja.
Não é absolutamente uma
questão de formas, doutrinas ou certos tipos de expressão.
Os que realmente estão na "vida da Igreja"
são os que estão
experimentando CRISTO como a sua própria vida dia a dia.
CRISTO é tudo
para eles, portanto, CRISTO é a vida e o conteúdo
deles quando se
congregam.
A prática da "vida da Igreja" é uma
vida com CRISTO e a vida de CRISTO
como tudo.
O segundo aspecto principal da vida da Igreja é o da
posição ou base da
Igreja. Esse termo, a "base da Igreja", foi usada
pela primeira vez pelo
irmão Watchman Nee em 1937. Antes de 1937, jamais, havíamos
ouvido ou
visto esse termo; e a questão da base da Igreja, tanto
quanto fomos
capazes de determinar, não era conhecida.
Base da Igreja não é a mesma coisa que fundamento
da igreja.
O fundamento da Igreja é CRISTO. "Porque ninguém
pode lançar outro
fundamento, além do que foi posto, o qual é JESUS
CRISTO" (1 Co 3:11). A
base é completamente diferente do fundamento.
O fundamento é uma parte básica e inseparável
da construção de um
edifício, ao passo que a base não é. A
base é um pedaço de terra,
chamado terreno, sobre o qual é lançado o fundamento.
Ela não é parte da
construção, mas simplesmente um terreno sobre
o qual a construção está
colocada. Não devemos confundir a base com o fundamento
ou vice-versa.
São duas entidades vitais para a construção
de um edifício, porém
distintas.
Embora o fundamento possa estar profundamente alicerçado
no solo, é,
todavia, distinto e separado deste. A base é o terreno
sobre o qual está
colocado o fundamento.
Estabelecidas, na cidade de Goiânia há muitas
assim chamadas igrejas.
Uma, a igreja Católica Romana, proclama estar edificada
sobre CRISTO
como seu fundamento. Outra, a igreja Presbiteriana, também
proclama que
seu fundamento não é outro senão CRISTO.
Os batistas, os presbiterianos,
os nazarenos e muitos outros proclamam a mesma coisa. Na verdade,
não há
uma assim chamada Igreja cristã que não faça
isso. Todas proclamam que
CRISTO é o fundamento delas, mas têm negligenciado
totalmente a questão
da base. Quais são as verdadeiras bases sobre as quais
tantas
dessas assim chamadas igrejas puseram CRISTO como seu fundamento?
Qual é a base da igreja Católica Romana? Sem
dúvida, é Roma. A igreja
Católica Romana, que proclama CRISTO como sendo seu fundamento,
está
erguida sobre a base do catolicismo romano.
Sobre que base está erguida a igreja Presbiteriana?
É óbvio que sua base
é um certo sistema de governo chamado presbitério.
Eles colocaram o
fundamento de CRISTO sobre a base do presbitério. E com
respeito aos
batistas? Estes, tendo CRISTO como seu fundamento, estão
posicionados
sobre a base do batismo por imersão. Temos também
os luteranos, que
puseram seu fundamento sobre a base de Lutero e seus ensinamentos.
Veja,
todas as "igrejas" reivindicam o mesmo fundamento,
que é CRISTO, mas
todas elas permanecem sobre bases diferentes. São as
diferentes bases
que criam o problema para a unidade da Igreja, não CRISTO
como
fundamento.
Suponhamos que cada grupo de cristãos em Goiânia
estivesse disposto a
renunciar sua própria base particular: Os católico-romanos
abandonariam
a base do catolicismo romano, os presbiterianos abandonariam
a base do
presbitério os batistas, a base do batismo, etc. Todos
os grupos
estariam dispostos a abandonar a sua própria base. Qual
seria o
resultado? Todas as bases sectárias desapareceriam e
espontaneamente
existiria apenas uma base única e comum, a base da cidade,
a base de
Nova Iguaçu. Todos os santos em Goiânia então
estariam na única igreja
em Goiânia, sem nenhuma divisão.
Todas as diferentes denominações desapareceriam,
e apenas restariam os
santos com CRISTO. Então, todos os santos aqui, com o
único CRISTO,
formariam a única igreja em Goiânia. Juntos e edificados
sobre CRISTO
como seu fundamento, eles estariam colocados simplesmente sobre
a base
de Goiânia, que é a base local, a única
base da unidade genuína. Esta é
a única base correta para a Igreja em Goiânia e
a única base que pode
manter todos os santos nessa cidade em unidade.
Quando Paulo foi a Corinto pregar o evangelho e fazer a obra
do SENHOR,
será que ele estabeleceu uma Igreja "Paulina"
com CRISTO como seu
fundamento? E Apolo, que também ministrou em Corinto,
estabeleceu uma
Igreja sobre a base de Apolo tendo CRISTO como seu fundamento?
Ou ainda
Pedro, que possivelmente também tenha ido a Corinto,
formou ele uma
Igreja "Petrina" com CRISTO como fundamento? É
óbvio que nenhum deles
fez isso. Em Corinto não havia uma Igreja "Paulina",
nem "Apolônica",
nem "Petrina". Sendo assim, que fizeram eles?
Quando Paulo foi a Corinto e conduziu as pessoas ao SENHOR,
ele
estabeleceu a Igreja em Corinto. Sobre que base? Sobre a base
de
Corinto. Ele estabeleceu a Igreja em Corinto com CRISTO como
seu
fundamento e sobre a base única da cidade. Quando Apolo
foi a Corinto,
ele não estabeleceu uma outra Igreja, mas edificou os
santos sobre o
mesmo único fundamento e sobre a mesma única base,
a base de Corinto.
Paulo plantou-os naquela base e Apolo regou-os sobre a mesma
base. Em 1
Coríntios 1:2 diz-se: "À igreja [no singular]
de DEUS que está em
Corinto". Paulo, Apolo e Pedro trouxeram seus diversos
ministérios a
Corinto, mas eles todos edificaram unia Igreja com um fundamento,
sobre
a única base da unidade. Dessa maneira, enfim, apenas
uma única Igreja
existia em Corinto com um tipo de santos, um fundamento que
é CRISTO e
uma base que era a posição comum na cidade inteira.
Uma Igreja, um
fundamento, única base - é algo muito claro!
O problema hoje não está com o fundamento, mas
com a base. É por causa
disso que dizemos que, se quisermos ter a vida da Igreja, precisamos
considerar a base como o segundo ponto essencial que devemos
levar em
consideração. Sem CRISTO como a nossa vida e conteúdo,
e sem a base da
unidade com os santos na cidade na qual vivemos como nossa posição
definida, não podemos praticar a vida da igreja.
Há em Goiânia diversas assim chamadas igrejas
e muitos grupos livres.
Por que há tanta divisão? O problema, como vimos,
não se deve ao
fundamento, mas à base. Você pode argumentar que
os grupos livres não
têm base. Mas é difícil crer que qualquer
grupo livre exista sem alguma
base. A base pode não estar escrita ou declarada, mas
de qualquer modo é
percebida. Como poderia haver um grupo sem uma base?
Se assim fosse, estariam flutuando no ar! Até mesmo
um homem sozinho
precisa de uma base sobre a qual ficar, ainda que seja apenas
meio metro
quadrado de chão. Em todo grupo livre deve existir algum
tipo de base.
Não se deixe iludir, não se deixe enganar. Eles
não têm nenhuma base
declarada ou denominada, mas por certo têm uma base que
é percebida.
Irmãos e irmãs, sobre que base vocês estão?
Estão sobre alguma base
denominacional ou sectária, declarada ou não declarada,
escrita ou não
escrita? Qualquer base que apóie uma divisão entre
o povo de DEUS não é
correta. Qualquer base sectária não é Justificada
pela Palavra de DEUS e
é contrária ao princípio básico
do Corpo de CRISTO.
Precisamos desistir de qualquer outra base e congregar-nos
tão somente
na base da cidade, que é a base da unidade, a única
base da Igreja. Não
importa onde estejamos, nós temos de nos reunir sobre
a única base da
Igreja a fim de preservar a unidade do Corpo de CRISTO.
Apenas ao tomarmos a base da unidade é que a unidade
do ESPÍRITO será
preservada (Ef 4:3), e tão-somente deste modo é
que teremos uma adequada
e genuína expressão local do Corpo de CRISTO.
As Escrituras mostram claramente que em cada cidade a expressão
do Corpo
de CRISTO, isto é, a Igreja, deve ser uma. Não
há lugar na Bíblia que
registre mais de uma Igreja numa cidade. Se você está
vivendo em
Goiânia, você deve ser edificado juntamente com
os outros cristãos em
Goiânia, como a Igreja nessa cidade. Se você estiver
em Anapolis, deverá
ser edificado com a Igreja naquela cidade, que são os
salvos em
Anapolis. Como cristão vivendo numa cidade, você
deve ser edificado com
os cristãos naquela cidade como a única base local
ali, a qual deveria
ser chamada a Igreja naquele lugar. A Igreja edificada em Jerusalém
era
chamada a Igreja em Jerusalém (At 8:1), e que estava
em Antioquia era
chamada a igreja em Antioquia (At 13:1). No mesmo princípio,
a Igreja em
Goiânia deveria ser chamada a igreja em Goiânia.
Quão simples e singelo é esse modo divino que
as Escrituras nos mostram!
Onde quer que vivamos, somos a Igreja naquele lugar e edificamos
a
Igreja naquele lugar. Se todo o povo de DEUS pudesse ver esse
princípio
e permanecer nele, não haveria divisões. Podemos
testificar que vimos
essa base da unidade e a vida da Igreja praticada sobre ela
em muitos
lugares, e ainda hoje estamos vendo.
Segundo a nossa observação e a nossa própria
experiência, podemos
ousadamente declarar que ela de fato funciona e é o caminho
mais
abençoado. Apesar das bases sobre as quais outros se
posicionam, devemos
pagar o preço para permanecer sobre essa única
base da cidade, a base da
unidade, para sermos edificados com os crentes como a igreja
correta na
cidade onde vivemos.
Precisamos sair das divisões, não para formar
outra divisão, e, sim,
para retornar à base genuína, a base da unidade.
Não há razão para
estarmos divididos. Somos todos membros da única Igreja.
Por que
simplesmente não nos ajuntarmos com os crentes, na cidade
onde vivemos,
para sermos a expressão da Igreja? Não sejamos
embaraçados nem
confundidos pelo cristianismo. É uma coisa vergonhosa
perguntar às
pessoas a qual Igreja elas pertencem. Se crêem, são
nossos irmãos - isso
é tudo!
Eu pertenço à única Igreja, e elas pertencem
à mesma única Igreja.
Há mais de trinta e cinco anos, em São Paulo,
um irmão com uma Bíblia na
mão tomava o bonde para ir a uma reunião. No bonde,
outro crente
distribuía folhetos aos passageiros e, quando viu o irmão
com a Bíblia,
disse: "Oh! Você deve ser um irmão!"
O irmão respondeu que de fato era.
Então o outro perguntou: "A que Igreja pertence?"
O irmão respondeu: "Eu
pertenço à mesma Igreja que você pertence;
à mesma Igreja que o apóstolo
Paulo, o apóstolo Pedro, o apóstolo João
e Martinho Lutero pertenceram,
e à mesma Igreja que todos os que crêem pertencem”.
Quando o outro ouviu
isso, disse: "Isto seria maravilhoso!"
De fato, é maravilhoso. Oh! Reunamo-nos sobre a única
base da unidade
para termos uma genuína expressão dessa única
Igreja na cidade onde
vivemos. Que o SENHOR seja misericordioso conosco.