Romanos 8 é um dos capítulos
mais sangrentos do Novo Testamento. Veja os versículos
35 e 36:
"Quem nos separará do amor de
Cristo? Será tribulação, ou angústia,
ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo,
ou espada? Como está escrito: 'Por amor de ti enfrentamos
a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas
ao matadouro'".
Porém, sobre esta violenta pintura
da vida cristã, Paulo escreve a palavra ESPERANÇA
com um grande pincel vermelho. Por exemplo, no verso 37, ele
exclama: "Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores".
Não apenas vencedores, mas mais que vencedores! Tribulação,
angústia, perseguição, fome, nudez, perigo
e espada não são apenas vencidos; são
mais que vencidos: se tornam servos para nosso bem.
Este é o significado do aclamado versículo
28: "Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem
daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com
o seu propósito". As versões diferem um
pouco aqui. A NTLH diz: "Pois sabemos que todas as coisas
trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles
a quem ele chamou de acordo com o seu plano" . E a "Revista
e Atualizada" diz: "Sabemos que todas as coisas
cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que
são chamados segundo o seu propósito".
Para o meu estudo, estou inclinado a ler
a KJV (N.T.: King James Version) como a mais fiel ao palavreado
original de Paulo. Mas a diferença não é
tão grande que você tenha de aceitar minha palavra
para o que digo. Todas as versões significam basicamente
que Deus está tão soberanamente no controle
do mundo que todas as coisas que acontecem aos cristãos
são ordenadas de tal forma que elas servem ao nosso
bem. Tribulação, angústia, perseguição,
fome, nudez, perigo e espada - todas trabalham juntas para
o bem dos que amam a Deus.
Então a rude esperança do crente
não é que nós escaparemos da angústia
ou do perigo, ou fome, ou de um massacre, mas que o Deus Todo-Poderoso
fará cada uma de nossas agonias um instrumento de Sua
misericórdia para o nosso bem. "Vocês planejaram
o mal contra mim", José disse a seus irmãos
que o tinham vendido como escravo, "mas Deus o tornou
em bem". É assim também com toda calamidade
que acontece àqueles que amam a Deus. Deus a torna
em bem.
Seis quarteirões a oeste daqui, na
7th Street, um alicerce está sendo escavado para um
novo prédio. Uma gigante cavadeira mecanizada fica
no centro do terreno, arrancando fora toda a sujeira e lançando
em caminhões de lixo que a transportam para longe.
Observando da borda, eu estimo que o buraco já tem
5 ou 6 andares de profundidade. O que nós podemos inferir
disso? Eu deduziria que alguma coisa muito grande será
assentada no terreno, já que um alicerce muito profundo
está sendo cavado. Quanto maior o prédio, de
maior alicerce ele precisará.
Quando se trata da arquitetura de promessas,
não existe um prédio maior que Romanos 8:28.
A estrutura é absolutamente assombrosa em seu tamanho.
É grandiosa. É infinitamente sábio, infinitamente
poderoso Deus se comprometer a fazer todas as coisas benéficas
para seu povo. Não apenas coisas boas, mas coisas horríveis,
como tribulação, angústia, perigo e morte.
Que tijolo você colocaria no topo desta promessa arranha-céu
para fazê-la mais alta? "Todas as coisas"
significa todas as coisas.
Se você vive debaixo desta promessa
grandiosa, sua vida é tão sólida quanto
uma rocha. Nada pode levá-lo além das paredes
de Romanos 8:28. Do lado de fora desta promessa tudo é
confusão, ansiedade, medo, incerteza, abrigos inúteis
de drogas anestésicas, o chão perigoso de planos
de aposentadoria, fraquíssimas forticações
de mísseis antibélicos e uma centena de substitutos
para Romanos 8:28.
Uma vez que você entra pela porta da
grandiosa e inabalável estrutura de Romanos 8:28, tudo
muda. O que vem em sua vida é estabilidade, força
e liberdade. Você simplesmente não pode ir além
disso. A confiança num Deus soberano que governa para
nosso bem toda a dor e todo o prazer que iremos experimentar
nos dá refúgio, segurança e poder absolutamente
incomparáveis em nossas vidas. Nenhuma promessa em
todo mundo supera a altura, a largura e o peso de Romanos
8:28.
Conseqüentemente, a base dessa estrutura
grandiosa deve ser extraordinariamente profunda e poderosa.
É claro que é. E é sobre isto que nossa
série de quatro semanas tratará. O versículo
29 começa com "porque". Isto significa que
a base, o alicerce, o fundamento desta grandiosa estrutura
em Romanos 8:28 é o que segue. E não deveríamos
nos supreender que haja uma fantástica fundação
para suportar uma fantástica promessa.
Meu objetivo nestas quatro semanas é
guiar você através da fundação
da promessa de Romanos 8:28. Minha oração é
que sua confiança nesta promessa cresça e que
estabilidade, força, liberdade, esperança e
alegria renovadas em sua vida sejam provas vivas para o mundo
de que nosso Deus reina. A fé vem pelo ouvir e o ouvir
pela Palavra de Deus. Nós lutamos para nossa fé
ser cada vez mais forte. Conseqüentemente, isto nos leva
a dar atenção verdadeira à Palavra de
Deus.
Então, eu entendo que o versículo
28 contém uma promessa (todas as coisas cooperam para
o bem) e duas descrições dos beneficiados por
ela (aqueles que amam a Deus e aqueles que são chamados
segundo Seu propósito). Ao descrever os beneficiados
pela promessa, Paulo nos dá uma pequena prévia
do profundo alicerce que ele desenvolverá nos versículos
29 e 30.
Especialmente quando ele diz que os beneficiados
são os "chamados segundo o propósito de
Deus", Paulo aponta para os versos 29 e 30 mais adiante.
O versículo 29 é uma explicação
do "propósito de Deus" ("Porque os que
conheceu de antemão, também os predestinou para
serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que
ele seja o primogênito entre muitos irmãos").
E o versículo 30 desenvolve as implicações
do "chamados" no versículo 28 ("aos
que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou,
a estes também justificou; e aos que justificou, a
estes também glorificou").
Então meu plano é devotar a
mensagem desta manhã a Romanos 8:28 e sua fundação
resumida, e à noite me dedicarei às lições
do versículo 29. Nas três semanas seguintes,
manhã e noite, no versículo 30.
A questão que nós abrimos no
versículo 28 é: Quem são os beneficiados
por esta promessa grandiosa? Quem pode ter certeza de que
todas as dores em sua vida são realmente uma sábia
e boa terapia de um Deus soberano para trazer o bem?
Paulo dá duas respostas. Ou ele descreve
de dois modos uma única resposta. Ele define os beneficiados
da promessa primeiro pelo que eles fazem em favor de Deus,
e segundo pelo que Deus fez em favor deles. Os beneficiados
pela promessa são as pessoas que amam a Deus. Este
é o primeiro e grande mandamento, que você ame
o Senhor, seu Deus. Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu,
mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que
o amam.
Então, em segundo lugar, Paulo descreve
os beneficiados pela promessa como "aqueles que são
chamados segundo Seu propósito". Qual o sentido
de dizer que, além de amarem ao Senhor, estas pessoas
também são "chamadas segundo o propósito
de Deus"? Para responder esta questão, vamos analisar
duas passagens em que Paulo cita o chamado de Deus e duas
em que ele refere-se ao propósito de Deus.
A pista mais próxima sobre o significado
dos "chamados" no verso 28 é o verso 30,
em que Paulo diz: "aos que predestinou, a estes também
chamou; e aos que chamou, a estes também justificou".
O que aprendemos neste verso é que Deus justifica todo
aquele que Ele chama. Ele os perdoa. Ele esquece suas dívidas.
Ele os trata como retos. Eles são Seus filhos. "Aos
que chamou, a estes também justificou".
Isto significa que o chamado referido aqui
não é o chamado geral que se dá a todo
homem pela pregação do evangelho. Se fosse assim,
todo aquele que ouvisse o evangelho seria justificado. Porque
o verso 30 diz "aos que chamou, a estes também
justificou". Se todo mundo que ouve Billy Graham os chamando
para Cristo pela televisão é "chamado",
no sentido de Romanos 8:30, então todos também
estão justificados. Mas Paulo claramente ensina que
nem todos os chamados no sentido geral são justificados.
"Nós somos justificados pela fé!"
(Romanos 5:1). Nem todo aquele que é chamado no sentido
geral tem fé e, conseqüentemente, nem todos são
justificados. Mais ainda, Paulo diz "aqueles que são
chamados SÃO justificados".
Paulo nos explica isto em 1 Coríntios
1:23-24: " 23 Nós pregamos a Cristo crucificado,
que é escândalo para os judeus, e loucura para
os gregos, 24 mas para os que são chamados, tanto judeus
como gregos, Cristo, poder de Deus, é sabedoria de
Deus". Observe cuidadosamente que Paulo prega Cristo
para os judeus e para os gentios sem discriminação.
Neste sentido, todos são chamados. Mas este não
é o sentido que Paulo usa para a palavra. Ele diz que
entre aqueles que ouviram o chamado geral, existem aqueles
que são os "chamados". E a diferença
é que aqueles que são chamados no sentido deste
trecho param de considerar Cristo como um escândalo
ou loucura. Em lugar disso, eles o consideram o poder de Deus
e a sabedoria de Deus. Verso 24: mas para os que são
chamados, tanto judeus quanto gregos, Cristo se torna poder
de Deus e sabedoria de Deus.
Portanto, Paulo ensina que, quando o evangelho
é pregado, Deus chama alguns tão poderosamente
que seus corações e mentes são mudados
em relação a Jesus Cristo, e eles O abraçam
em fé e amor. Por isso Paulo pode dizer em Romanos
8:30 que "aqueles que são chamados são
justificados", ainda que a justificação
só venha pela fé - o chamado de Deus produz
fé; abre os olhos dos cegos para que possam ver que
Jesus é sabedoria e poder de Deus.
O chamado de Deus que Paulo tem em mente
não é como chamar um cachorro: "Aqui, Rex!
Aqui! Vem cá, garoto!". Rex pode ou não
vir. O chamado de Deus é como o chamado de Jesus para
o cadáver de Lázaro: "Lázaro, vem
para fora!". O chamado contém o poder de produzir
o que ele ordena. É um chamado eficaz. Por isso Paulo
pode dizer em Romanos 8:30 que todos "que chamou, também
justificou". A certeza de sua justificação
está no fato de que a fé pela qual os homens
são justificados é produzida pelo chamado eficaz
de Deus.
Assim, quando Romanos 8:28 diz "Todas
as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, daqueles
que são chamados segundo seu propósito",
isto quer dizer que os beneficiados desta promessa grandiosa
são aqueles que uma vez não amavam a Deus, mas
agora amam. E o fazem porque, de forma eficaz, o Deus os chamou
das trevas para a luz, da descrença para fé,
da morte para a vida, e plantou em seus corações
amor por Ele. O chamado eficaz de Deus é o novo cumprimento
completo da aliança de Deuteronômio 30:6 - "Também
o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração,
e o coração de tua descendência, a fim
de que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração
e de toda a tua alma, para que vivas".
A razão pela qual os beneficiados
de Romanos 8:28 podem ter certeza de que Deus certamente irá
cumprir sua promessa a eles é que o próprio
Senhor os chamou irresistivelmente para sua aliança
e os capacitou para cumprí-la. Uma coisa é Deus
enviar uma mala-direta endereçada "a quem possa
interessar" convidando todos para o banquete em que todas
as coisas cooperam para o bem. Mas outra, totalmente diferente,
seria se Deus dirigisse até sua porta, caminhasse,
pegasse você, lhe colocasse no carro, dirigisse até
o banquete de Romanos 8:28, desse vestes de amor apropriadas
para o jantar e assentasse você à destra de seu
Filho. Não seria uma iniciativa pessoal de Deus, como
no segundo caso, que daria uma confiança muito mais
profunda de que Ele realmente pretende conquistar você
com misericórdia todos os dias e fazer tudo cooperar
para seu bem?
Nós negamos esta profunda e maravilhosa
segurança quando não abraçamos a doutrina
da soberania divina, do chamado eficaz. Há um poder
que chega à vida de um cristão quando ele sabe
como veio a ser beneficiado por esta promessa incomparável.
E como se não fosse o bastante para nos assegurar que
nos tornamos beneficiados pelo chamado eficaz de Deus, Paulo
adiciona as palavras "segundo seu propósito".
Todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus, daqueles
que são chamados segundo Seu próposito.
Qual o motivo de Paulo adicionar este complemento
"segundo seu propósito"? Eu acredito que
foi para tornar perfeitamente claro e certo que o chamado
de Deus se origina em Seu propósito e não no
nosso. O chamado de Deus não é uma resposta
a algo que nós prometemos fazer. Deus tem Seus próprios
propósitos, altos e sagrados, que governam aqueles
que Ele chama, e Seu chamado concorda com estes propósitos,
não com os nossos. Ele não dirigiu até
minha porta, me pegou, e me levou ao banquete porque eu concordei
com meu propósito de salvação, mas porque
concordou com o dEle. Se ele estivesse esperando eu ter o
propósito de ser salvo, eu ainda estaria assistindo
televisão em casa.
Nós podemos ver a força desse
pequeno trecho ("segundo seu propósito")
se olharmos outro lugar em Romanos onde o termo aparece, a
saber, Romanos 9:11. No contexto Paulo está tentando
mostrar que nem todos os israelitas são verdadeiros
israelitas (versículo 6), nem todos são filhos
de Abraão só porque descendem dele (v. 7) e
a diferença se um é um verdadeiro israelita
ou verdadeiro filho de Abraão depende do propósito
e chamado de Deus, e não do homem. Observe os versos
10 a 12:
"E não somente isso, mas também
a Rebeca, que havia concebido de um, de Isaque, nosso pai
11 (pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem
tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de
Deus segundo a eleição permanecesse firme, não
por causa das obras, mas por aquele que chama), 12 foi-lhe
dito: O maior servirá o menor".
O motivo desta passagem é ilustrar
pelo exemplo de Esaú e Jacó (os filhos gêmeos
de Rebeca) a natureza do chamado de Deus. Jacó e Esaú
estavam no mesmo útero. Eles tinham o mesmo pai. Eles
não tinham feito nada bom ou mau. E Deus concedeu seu
favor a Jacó, e não a Esaú. Por quê?
Por que não esperar que eles crescecem e tivessem uma
chance de mostrar qual dos dois teria méritos que o
fariam justo diante de Deus, para então chamar um e
outro não? Porque Deus revelou sua escolha antes mesmo
de eles nascerem?
Versículo 11 dá a resposta,
e usa muito das palavras de Romanos 8:28. "Para que o
PROPÓSITO de Deus segundo a eleição permanecesse
firme, não por causa das obras, mas por aquele que
CHAMA". O chamado incondicional de Deus é livre
de quaisquer méritos humanos, é o meio pelo
qual Deus mantém seu propósito eletivo. Se Ele
não chamasse os homens ignorando seus méritos,
mas o fizesse baseado nisto, então o propósito
divino da eleição caíria por terra.
Deus seria como um candidato político
procurando votos, indo de eleitor a eleitor para ver se ele
poderia ser eleito Senhor. Deus proporia, mas o homem decidiria.
O tamanho da base política de Deus estaria dependendo,
no fim, do voto do homem. O sucesso das missões cristãs,
e a possibilidade de converter toda tribo, raça, língua
e nação seria definido pelo voto humano.
Mas o apóstolo Paulo nada disse de
um Deus assim. Ao contrário, ele diz que Deus favoreceu
a Jacó e não Esaú antes de eles nascerem
para que o SEU propósito segundo a eleição
permanecesse firme, não por causa de suas obras, mas
somente baseado em Seu chamado - o chamado segundo Seu propósito
de eleição.
O que é, então, o alicerce
de Romanos 8:28? Como aqueles que amam a Deus terão
certeza de que tribulação, angústia,
fome, nudez, perigo, espada ou morte irão de fato cooperar
para o seu bem? A resposta é que aqueles que amam a
Deus também são aqueles que foram chamados por
Deus, e este chamado não é baseado em algo vacilante
e incerto como meu comprometimento com Deus, mas somente em
seu propósito eterno de eleição; propósito
pelo qual Ele me concedeu graça sem levar em conta
qualquer ação minha.
Nossa confiança de que todas as amargas
e felizes coisas em nossa vida irão se tornar servos
do nosso bem não é baseada simplesmente no fato
de que há uma promessa na Bíblia. Mas também
se baseia no fato de que, desde a eternidade, Deus, em Sua
grande misericórdia nos escolheu para aproveitar Seu
banquete e nos deu evidência de nossa eleição
por chamar-nos para termos um coração (não
de pedra!) que ama a Deus.
"Todas as coisas cooperam para o bem
dos que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo
seu propósito".
Traduzido
por Felipe Sabino
de Araújo Neto
Fonte: www.monergismo.com