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Juízes 14:12-20
“Disse-lhes, pois, Sansão:
Eu vos darei um enigma para decifrar; e, se nos sete dias das
bodas o decifrardes e descobrirdes, eu vos darei trinta lençóis
e trinta mudas de roupas. 13 E, se não
puderdes decifrar, vós me dareis a mim trinta lençóis
e as trinta mudas de roupas. E eles lhe disseram: Dá-nos
o teu enigma a decifrar, para que o ouçamos. 14
Então lhes disse: Do comedor saiu comida,
e do forte saiu doçura. E em três dias
não puderam decifrar o enigma. 15 E
sucedeu que, ao sétimo dia, disseram à mulher
de Sansão: Persuade a teu marido que nos declare o enigma,
para que porventura não queimemos a fogo a ti e à
casa de teu pai; chamastes-nos aqui para vos apossardes do que
é nosso, não é assim? 16
E a mulher de Sansão chorou diante dele, e disse: Tão-somente
me desprezas, e não me amas; pois deste aos filhos do
meu povo um enigma para decifrar, e ainda não o declaraste
a mim. E ele lhe disse: Eis que nem a meu pai nem a minha mãe
o declarei, e to declararia a ti? 17 E chorou
diante dele os sete dias em que celebravam as bodas; sucedeu,
pois, que ao sétimo dia lho declarou, porquanto o importunava;
então ela declarou o enigma aos filhos do seu povo. 18
Disseram, pois, a Sansão os homens daquela cidade, ao
sétimo dia, antes de se pôr o sol: Que coisa há
mais doce do que o mel? E que coisa há mais forte do
que o leão? E ele lhes disse: Se vós não
lavrásseis com a minha novilha, nunca teríeis
descoberto o meu enigma. 19 Então o
Espírito do Senhor tão poderosamente se apossou
dele, que desceu aos ascalonitas, e matou deles trinta homens,
e tomou as suas roupas, e deu as mudas de roupas aos que declararam
o enigma; porém acendeu-se a sua ira, e subiu à
casa de seu pai. 20 E a mulher de Sansão
foi dada ao seu companheiro que antes o acompanhava.”
Definição da
palavra ENIGMA:
Dicionário UNIVERSAL da Língua Portuguesa.
do Lat. aenigma < Gr. aínigma, palavra obscura
s. m.,
Descrição metafórica ou ambígua
de coisa, tornando-a difícil de ser adivinhada;
aquilo que dificilmente se compreende; pessoa cujos actos,
procedimento e sentimentos são incompreensíveis;
chave do -: explicação daquilo que se não
compreendia.
Fonte: http://www.priberam.pt/dicionarios.aspx |
O Enigma de Sansão lançado à
sorte dos rapazes convidados de honra para festa nupcial, exigidos
para uma festa. Nos casamentos orientais, este era um direito
antigo, que o noivo levasse os rapazes de honra, e como Sansão
não levou; estes convidados são fornecidos pelo
clã da mulher. É bem verdade que o número
30 é muito grande, talvez a família de Dalila
quisesse honrar a Sansão, ou ainda talvez a família
da mulher levantasse alguma suspeita dele devido à fama
dos seus grandes feitos, sobretudo contra o exército
dos filisteus.
Nazireado, um
voto não cumprido!
As conseqüências do descumprimento
do voto de nazireado por parte de Sansão são as
mais drásticas. Todos nós sabemos muito bem que
não somente houve nesses dias passados, o mel que saiu
dum leão morto, de maneira que uma coisa tão repugnante
aos nossos olhos, afinal misturar mel, uma comida a um cadáver,
sobretudo sabendo do voto de Nazireado de Sansão que
não poderia tocar algo morto (Juízes 14:9 “E
tomou-o nas suas mãos, e foi andando e comendo dele;
e foi a seu pai e a sua mãe, e deu-lhes do mel, e comeram;
porém não lhes deu a saber que tomara o mel do
corpo do leão.”, sob pena da lei de ficar imundo
por um espaço de tempo à nossa imaginação
humana ao lermos este texto. Notamos a total falta de discernimento
espiritual de Sansão que pelo voto de nazireado estava
proibido terminantemente de tocar ou até aproximar-se
de um cadáver, e no entanto ele tomou os favos de mel
na sua mão tirando o mel do cadáver do leão.
E talvez por isto nada informou acerca da ocorrência da
luta com leãozinho não foi informada aos seus
pais certamente temendo uma repreensão deles. Vejam o
alto preço do pecado da omissão de Sansão,
ele poderia esconder algo tão importante dos seus pais,
mas não dos olhos de Deus.
Mas há outros aspectos que precisamos
mencionar o quão desobediente ao Pacto com Deus e aos
seus pais ele foi (Juízes 14:3) “Porém seu
pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura,
mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo
o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus,
daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Toma-me
esta, porque ela agrada aos meus olhos.”. Sansão
tratou a Lei de Deus com somenos importância, não
fez caso da Lei, que era contrária ao casamento misto,
ele era um Judeu da Tribo de Dã, e tomara em casamento
a Dalila uma mulher filistéia, e parece-nos muito familiar
esta prática no meio do povo de Deus que em desobediência
continua casando-se com pessoas que não são do
meio cristão atraindo para os seus casamentos sofrimentos
sem igual. Vejam o que diz a Lei: Êxodo 34:16 “E
tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, e suas filhas,
prostituindo-se com os seus deuses, façam que também
teus filhos se prostituam com os seus deuses.” Vejam também
Deuteronômio 7:2-3 “E o Senhor teu Deus as tiver
dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás
não farás com elas aliança, nem terás
piedade delas; 3 Nem te aparentarás com elas; não
darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás
suas filhas para teus filhos;”
A Bíblia relata também a história
do grande rei Salomão que foi o homem mais sábio
que existiu sobre a face da terra; infelizmente, testemunha
também que ele se tornou idólatra por indução
de suas mulheres prostitutas estrangeiras provenientes de nações
idólatras, ele se uniu a elas e também aos seus
deuses pagãos, chegando a construir templos a eles. A
Bíblia registra que desde os tempos de Moisés,
sempre proibiu aos israelitas casarem-se com mulheres estrangeiras.
O Arrependimento
de Sansão.
Sansão mudou radicalmente a direção
de sua vida executando um ato final verdadeiramente heróico.
Seus captores o tinham levado a uma festa celebrada no templo
dedicado ao deus pagão Dagon. Aí foi exibido como
um despojo, um troféu conquistado, o símbolo altivo
do triunfo dos filisteus. Agora servindo de espetáculo
aos seus algozes Sansão cego e amarrado foi feito objeto
de ridículo e zombaria. Vejam só que espetáculo
ridículo sabendo-se que em sua pessoa, o Deus do universo
e Seu povo foram publicamente zombados Deus estava sendo vilipendiado
por culpa exclusiva de um homem que não foi obediente
a Deus, que não foi capaz de guardar segredos, guardas
seu próprio enigma. Na hora da angústia extrema,
de dificuldades, de medo, perigos, nesse momento crítico,
Sansão voltou-se a Deus, lembrou-se Daquele que de fato
é Poderoso, pediu perdão por suas ações
egocêntricas e rogou para que as forças de seu
Deus lhe fossem de novo dadas, desta vez para mostrar que Deus
é Deus acima de todos os deuses, e que não há
outro deus tão poderoso como o Grande EL-SHADAY. Logo,
Deus atende sua oração. Sansão podia sentir
o poder de Deus animando-o, restabelecendo sua força
na força do Senhor. Abraçou as duas colunas centrais
do templo e os puxou com força até que os derrubou.
Sansão assim pereceu com 3.000 de seus inimigos, mais
uma vez um exército de um homem só prevaleceu
na força e no poder do seu Deus dos Exércitos.
Qual é
o sentido da vida fora do comum de Sansão?
Certamente sua história é enigmática
por causa de suas charadas e do segredo de sua força.
Até mesmo seu nome é um mistério. Etimologicamente
a palavra hebraica deriva-se de SEMES significa “sol”
ou “pequeno sol”, embora outros o liguem com “servir”
ou com “forte”. Certamente extraordinária
e prodigiosa era sua força mas somente quando o Espírito
de Deus se apossava dele, que de fato não era sua força,
pois a força descomunal era adquirida do Espírito
Santo Deus, logo Sansão na sua própria carne era
um indivíduo fracote, tinha músculos, mas não
tinha força! A sua força era destinada a cumprir
uma missão de liberação divinamente ordenada.
Ele só compreendeu isso no último momento da sua
existência humana. Em vez de usar sua força para
servir, usara-a para ser “pequeno sol”, para se
fazer o centro brilhante do espetáculo, isto é
próprio do ser humano que quer dividir a glória
com o Senhor Jesus O SOL DA JUSTIÇA, Dele sim é
a força, a Glória, o Poder para sempre e sempre.
É evidente que Sansão não era um psicopata
ou um gigante de cérebro vazio, ou um tôlo. Ao
contrário, ele era engenhoso, sensível, perspicaz,
tinha veia poética (Juízes 14:14, 18 “14
Então lhes disse: Do comedor saiu comida, e do forte
saiu doçura. E em três dias não puderam
decifrar o enigma. 18 Disseram, pois, a Sansão os homens
daquela cidade, ao sétimo dia, antes de se pôr
o sol: Que coisa há mais doce do que o mel? E que coisa
há mais forte do que o leão? E ele lhes disse:
Se vós não lavrásseis com a minha novilha,
nunca teríeis descoberto o meu enigma.”; 15:16
“Então disse Sansão: Com uma queixada de
jumento, montões sobre montões; com uma queixada
de jumento feri a mil homens.”) e repetidamente escapou
das armadilhas dos filisteus (Juízes 16:2, 3 “E
foi dito aos gazitas: Sansão entrou aqui. Cercaram-no,
e toda a noite lhe puseram espias à porta da cidade;
porém toda a noite estiveram quietos, dizendo: Até
à luz da manhã esperaremos; então o mataremos.
3 Porém Sansão deitou-se até à meia
noite, e à meia noite se levantou, e arrancou as portas
da entrada da cidade com ambas as umbreiras, e juntamente com
a tranca as tomou, pondo-as sobre os ombros; e levou-as para
cima até ao cume do monte que está defronte de
Hebrom.”).
“Ela agrada
a meus olhos”.
Há um ponto chave nesta história
que gostaria de estudar mais minuciosamente: a questão
do olhar. A vista desempenha um papel importante do começo
ao fim da vida de Sansão. Enamorou-se da mulher filistéia
porque disse: “Ela agrada a meus olhos”, concupiscência
dos olhos, a entrada dos nossos sentidos humanos “Então
a mulher viu que a árvore tentava o apetite, era uma
delícia para os olhos e desejável para adquirir
discernimento. Pegou o fruto e o comeu; depois o deu também
ao marido que estava com ela, e também ele comeu.”.
O mesmo pode ter sucedido com Sansão em relação
à prostituta de Gaza. Foi por causa disso que seus inimigos
o puniram com cegueira? Ah! Sim, creio que este foi esse o ponto
decisivo. Somente naquele momento Sansão pôde olhar
para dentro de si mesmo e recuperar o sentido de sua vida e
missão. Voltando-se então para Deus, pôde
vencer o narcisismo, arrepender-se e mudar de vida, voltando
o foco para missão para qual ele nasceu.
Conhecemos bem na Bíblia a história
de outro homem: Davi, o homem segundo o coração
de Deus, que no momento da guerra deveria estar envolvido na
batalha mas não estava. Ele preferiu a ociosidade e passeando
um dia pela varanda do seu palácio avistou uma bela mulher,
mas era uma mulher proibida, ela era casada, mulher de Urias
o seu general. Não nos deteremos aqui pois sabemos que
todos conhecem a história e o resultado catastrófico
deste olhar de Davi que cobiçou e depois veio a possuir
Bate-Seba. O nosso enfoque também é a questão
da cobiça do olhar que despertou os desejos proibidos
que estavam escondidos no coração do Rei Davi.
Esta história retrata os nossos mais íntimos desejos
do coração, os homens são assim, movidos
pelas carnais paixões.
O paradoxo existencial.
A mensagem bíblica volta-se repetidamente
a este paradoxo existencial: castigo convertendo-se em bênção.
O modelo básico é o exemplo de Cristo. A cruz,
um símbolo de desgraça e humilhação,
torna-se o emblema de expiação e redenção.
Aqui, a história bíblica é contrária
à mitologia. Ao passo que esta termina em tragédia,
a outra abre as portas da esperança. O mito leva o narcisismo
a seu desfecho fatal, ao passo que a mensagem bíblica
nunca exclui a possibilidade de mudança, a Bíblia
apresenta Jesus Cristo como a Única Esperança
para o homem. Esta é a Divinal providência, contudo,
transcende aquele enigma da vida de Sansão, as coisas
mais estranhas têm acontecido. Como a morte falou de doçura
e satisfação, mas sabemos muito bem de um caso
enigmático e singular na história da humanidade,
um caso mais Maravilhoso ainda em que a doçura da vida
espiritual está relacionada com O HOMEM morto sobre a
cruz do calvário no Gólgota.
Se Sansão tivesse vivido hoje teria
sido o Hércules das telas cinematográficas e também
dos vídeos. Ele certamente foi protagonista de um drama
estético, mais do que o símbolo de heroísmo
épico retratado nos filmes Superficialmente, sua história
começa com exaltadas esperanças e termina em catástrofe,
como no mito de Narciso. Importante salientar todavia, que o
último ato na vida de Sansão foi um ato de consagração
— um ato que mostrou esperança, fé e amor
que se sacrifica por Deus e Seu povo. Só nesse momento
ouviu ele a Deus. Sansão até então, tinha
vivido como “sol” tentando atrair para si mesmo
a fama, o destaque, vivendo à margem da transcendência,
usando Deus a seu bel-prazer (Juízes 15:18 “E como
tivesse grande sede, clamou ao Senhor, e disse: Pela mão
do teu servo tu deste esta grande salvação; morrerei
eu pois agora de sede, e cairei na mão destes incircuncisos?”).
Foi na crise final que ele percebeu a dimensão da fé.
Este fato se nos é extremamente intrigante. Saulo de
Tarso, também viu a Jesus Cristo quando estava cego por
três dias em Damasco (Atos 9:9 “E esteve três
dias sem ver, e não comeu nem bebeu.”) na cegueira
dos olhos humanos Paulo viu o Mistério da Igreja gloriosa,
o Corpo Místico de Cristo. Que tremendo entendermos isto!
O triunfo da
fé.
Estudando a mitologia grega, conhecemos a figura
de Narciso que era o deus do amor-próprio, interessado
apenas em satisfazer seu prazer, completamente indiferente para
com Deus e as necessidades de outros. Ele simboliza no homem,
orgulho, vaidade, convencimento e hedonismo. Muito de nossa
cultura perpetua refletindo os valores falsos do narcisismo.
A sociedade contemporânea em suas vãs filosofias
humanas procura congelar a adolescência exorcizar a velhice,
idolatrar o prazer e viver no espírito do encanto e da
sedução, somos bombardeados pelo cinema, televisão,
revistas, internet, com toda sorte de fantasias, compulsões
e pulsões, taras sexuais, pedofilia, adultérios,
etc. Mas o mito leva às drogas, adultérios, vícios,
crimes, tragédia e destruição própria
da raça humana cada vez mais degradada, cheia de pulsões
e compulsões da carne fomentadas pelo diabo e seus anjos
malditos por tudo aquilo que invade a nossa vida.
Em contraste com este mito fatal, a história
bíblica de Sansão oferece ao homem deste tempo
presente, uma alternativa de fé e esperança. De
modo surpreendente, mas apropriado, Sansão está
registrado nas Sagradas Escrituras na galeria dos heróis
da fé (Hebreus 11:32 “que mais direi? Faltar-me-ia
o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão,
e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,”).
Por quê será? O que era heróico na vida
desse indivíduo? Não eram nem suas proezas heróicas
em combater os filisteus, nem a força de seu governo,
mas o ato corajoso de entregar a vida para a salvação
de seu povo. Diferente de Narciso, que sucumbiu ao encanto de
contemplar a própria imagem, Sansão foi obrigado
a deixar de contemplar a si mesmo a fim de responder ao chamado
para o sacrifício. As horas escuras da crise, na sua
cegueira, destruíram-lhe o orgulho e fizeram-no cumprir
o alvo de sua vida, assumindo seu destino como libertador num
gesto final. Preferiu morrer a fim de salvar seu povo da opressão
estrangeira. Este é um dos aspectos da morte Expiatória
de Cristo, e da sua Kenósis (esvaziar-Se de Si mesmo),
Ele preferiu morrer por nós, preferiu a humilhação
da cruz à Glória celestial, esta é a prova
do Seu Amor
A vida de Sansão nos ensina!
É de fundamental importância que
saibamos que neste mundo saturado com o culto do narcisismo,
a história de Sansão ensina-nos que nada resta
na vida quando se perde o senso de missão, da vocação,
do chamamento celestial que Deus tem para cada um de nós.
A narrativa bíblica consistentemente realça que
o significado da vida pode ser achado em Deus e nEle somente
— longe do eu e ancorado em fé, esperança
e amor. Algumas coisas que impressionam na história de
Sansão narrada nas Sagradas Escrituras: A primeira diz
respeito ao ser espiritual que anunciou seu nascimento; segunda,
refere-se à multiforme sabedoria de DEUS: O ESPÍRITO
SANTO fez de Sansão o exército de um homem só.
Na contra-mão da história moderna
do que é veiculado na cultura mundana – mundanité
a escravidão do pecado iguala os homens “todos
pecaram e destituídos estavam todos da Glória
de Deus”, tornando-os imagem e semelhança da torpeza
que cometem. São todos iguais na forma de ser e agir
os tiranos, os pedófilos, os desregrados sexuais. Por
sua vez a liberdade de Deus faz sobressair a individualidade
do ente humano. Atente ao que diz o irmão C. S. Lewis:
diz que o ESPÍRITO SANTO é como o sal que, preservando
a mesma essência, realça o sabor diferenciado dos
alimentos como a carne, o repolho, a sopa. Assim também
DEUS quando enche a vida de uma pessoa faz sobressair a sua
essência e verdadeira individualidade, livre das torpezas
do pecado que escraviza e engana.
Houve uma Theofania no Primeiro Testamento,
fato é que o próprio DEUS, na pessoa de JESUS,
visitou Manoá o pai, e a mãe de Sansão
para anunciar o filho e, que o ESPÍRITO DE DEUS tomou
Sansão de forma única; jamais se viu nada igual
àquilo que DEUS fez da vida dele, a exemplo de ter arrancado
as portas de Gaza com ferrolhos e dobradiças. Quem assistiu
“Cruzada” e viu as portas de Jerusalém pode
ter referencial da façanha que Sansão realizou.
Todavia, aquela massa muscular chamada Sansão tinha um
ponto fraco: mulheres filistéias. À princípio
seria possível inferir, pela força física,
que Sansão era xucro, ignorante. Mas não, ele
era dotado de inteligência, tanto é assim que foi
Juiz em Israel; Sansão elaborava enigmas que os homens
frustravam-se na tentativa de decifrar. Depois de sete dias
os filisteus só conseguiram saber o significado de um
enigma, tema de uma aposta, corrompendo sua recém esposa,
então filistéia.
Sansão tinha um ponto fraco, “seu
calcanhar de Aquiles”. Seu ponto fraco eram as mulheres,
mas não era um maníaco sexual. Em vez de ser derrotado
por mulheres, Sansão foi derrotado por sua própria
arrogância e narcisismo, e também pela sua compulsão
carnal, e falta de domínio próprio. A carne foi
o maior gigante que Sansão enfrentou e fraquejou diante
da aparência frágil da mulher Dalila, e por ela
foi derrotado mais de uma vez. Vemos a astúcia de Dalila,
como diz o provérbio popular “água mole
em pedra dura, tanto bate até que fura” com “jeitinho”
Dalila penetrou nos mais íntimos segredos do musculoso
Sansão e o derrotou. A despeito da sua inteligência
e “sua força física” Mas foi Dalila
quem conseguiu entregar Sansão nas mãos de seus
inimigos filisteus – Juízes, Capítulo 16,
Versículos 4 a 21: “Depois disto, aconteceu que
se afeiçoou a uma mulher do vale de Soreque, a qual se
chamava Dalila. Então, os príncipes dos filisteus
subiram a ela e lhe disseram: Persuade-o e vê em que consiste
a sua grande força e com que poderíamos dominá-lo
e amarrá-lo, para assim o subjugarmos; e te daremos cada
um mil e cem siclos de prata. Disse, pois, Dalila a Sansão:
Declara-me, peço-te, em que consiste a tua grande força
e com que poderias ser amarrado para te poderem subjugar. Respondeu-lhe
Sansão: Se me amarrarem com sete tendões frescos,
ainda não secos, então me enfraquecerei, e serei
como qualquer outro homem. Os príncipes dos filisteus
trouxeram a Dalila tendões frescos, que ainda não
estavam secos; e com os tendões ela o amarrou. Tinha
ela no seu quarto interior homens escondidos. Então,
ela lhe disse: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão!
Quebrou ele os tendões como se quebra o fio da estopa
chamuscada; assim, não se soube em que lhe consistia
a força. Disse Dalila a Sansão: Eis que zombaste
de mim e me disseste mentiras; ora, declara-me, agora, com que
poderias ser amarrado. Ele lhe disse: Se me amarrarem bem com
cordas novas, com que se não tenha feito obra nenhuma,
então, me enfraquecerei e serei como qualquer outro homem.
Dalila tomou cordas novas, e o amarrou, e disse-lhe: Os filisteus
vêm sobre ti, Sansão! Tinha ela no seu quarto interior
homens escondidos. Ele as rebentou de seus braços como
um fio. Disse: Dalila a Sansão: Até agora, tens
zombado de mim e me tem dito mentiras. Declara-me, pois, agora,
com que poderias ser amarrado? Ele lhe respondeu: Se teceres
as sete tranças da minha cabeça com a urdidura
da teia e se as firmares com pino de tear; então, me
enfraquecerei e serei como qualquer outro homem. Enquanto ele
dormia, tomou ela as sete tranças e as teceu com a urdidura
da teia. E as fixou com um pino de tear e disse-lhe: Os filisteus
vêm sobre ti, Sansão! Então, despertou do
seu sono e arrancou o pino e a urdidura da teia. Então,
ela lhe disse: Como dizes que me amas, se não está
comigo o teu coração? Já três vezes
zombaste do mim e ainda não me declaraste em que consiste
a tua grande força. Importunando-o ela todos os dias
com as suas palavras e molestando-o, apoderou-se da alma dele
uma impaciência de matar. Descobriu-lhe todo o coração
e lhe disse: Nunca subiu navalha à minha cabeça,
porque sou nazireu de Deus, desde o ventre de minha mãe;
se vier a ser rapado, ir-se-á de mim a minha força,
e me enfraquecerei e serei como qualquer outro homem. Vendo,
pois, Dalila que já ele lhe descobrira todo o coração,
mandou chamar os príncipes dos filisteus, dizendo: subi
mais esta vez, porque, agora, me descobriu ele todo o coração.
Então, os príncipes dos filisteus subiram a ter
com ela e trouxeram com ele o dinheiro. Então, Dalila
fez dormir Sansão nos joelhos dela e, tendo chamado um
homem, mandou rapar-lhe as sete tranças da cabeça,
passou ela a subjugá-lo; e retirou-se a sua força.
E disse ele aos filisteus vêm sobre ti Sansão!
Tendo ele despertado do seu sono, disse consigo mesmo: Sairei
ainda esta vez como dantes de me livrarei; porque ele não
sabia ainda que já o Senhor se tinha retirado dele. Então,
os filisteus pegaram nele, e lhe vazaram os olhos, e o fizeram
descer a Gaza; amarraram–no com duas cadeias de bronze,
e virava um moinho no cárcere. E o cabelo da sua cabeça,
logo após ser parado, começou a crescer de novo.”
O Drama de
Sansão.
O drama vivido por Sansão começa
com o verbo “afeiçoar”. Isto foi tão
forte, o desejo obtido pelo olhar, chegou ao coração
e ele afeiçoou-se à Dalila. Embora o celestial
propósito de DEUS na vida de Sansão era municiá-lo,
armá-lo, com força e poder afim de ser um instrumento
de libertação. O Senhor DEUS Todo Poderoso sempre
age para libertar seu povo que constantemente é levado
a desviar-se rumo ao mal, rumo à escravidão. O
jugo de escravidão do povo filisteu sobre Israel era
resultado do pecado da nação que clamou a DEUS
e arrependeu-se de seus pecados. A resposta de DEUS foi Sansão,
filho de Manoá, da tribo de Dã, uma das doze tribos
de Israel, aliás desta tribo a Bíblia só
registra dois grandes vultos na história do povo de Israel,
Débora a Profetiza e também Juíza, e Sansão
o homem a quem DEUS dera um segredo; ledo engano pensar que
a força de Sansão estava nos seus cabelos compridos.
O segredo da sua força era O próprio Deus agindo
nele, era se guardar, não revelar, não se expor,
este era o enigma para se guardar, não abri o seu tesouro
aos amigos e inimigos. O diabo no decorrer da história
do povo de Deus sempre quer saber os segredos de DEUS para preservar
a porta da liberdade trancada, e para trazer jugo sobre este
povo.
Sansão conhecia o poder de DEUS que
visitara seus pais anunciando a eles o seu nascimento, ele conhecia
a Lei do seu DEUS; sabia da proibição de envolver-se
com mulheres estrangeiras e também foi alertado por seus
pais para não tomar mulheres estrangeiras (Juizes 14:3),
embora tivesse sido desobediente em não guardar o pacto
com Deus. Interessante que Sansão cria na sua capacidade
de discernimento, ainda que afrontando ensinamentos do DEUS
ALTíSSIMO, daí enganar Dalila por três vezes,
até ser dobrado pela fragilidade da força da mulher,
que aparentemente fraca venceu a sua força. Ele poderia
ter desvencilhado dela por três vezes, também teve
oportunidade de sair livre. Mas não percebeu que o ESPÍRITO
DO SENHOR o havia deixado, que coisa mais triste quando a Glória
do Senhor se vai de nós (ICABODE- foi-se a Glória
do Senhor). A bem da verdade o ESPÍRITO SANTO, na maioria
das vezes em que atua, caracteriza-se pela sutileza e pela suavidade...
Até no momento de deixar Sansão e este não
percebeu porque estava embriagado de amor erótico por
Dalila. Logo podemos perguntar: como Sansão deixou de
perceber que Dalila estava mancomunada com os filisteus para
lhe entregar, a despeito de haver resistido por tanto tempo?
A resposta está em Oséias, Capítulo 4,
Versículo 11: “A sensualidade, o vinho e o mosto
tiram o entendimento.”
A lei do SENHOR é perfeita e restaura
a alma, e dá sabedoria aos símplices. O Soberano
DEUS sabe que existe um limítrofe em que o homem consegue
deter o controle das próprias faculdades, das próprias
convulsões internas que vão se exteriorizando
gradativamente como um vulcão entrando em erupção
e suas lavas vão se derramando e por onde passa deixa
no caminho as marcas da destruição; da mesma forma,
sabe que a sensualidade, os desejos e compulsões sexuais
eróticos bloqueiam a capacidade de discernir e configura
o blackout da razão. Este texto acima associa intimamente
a revelação do segredo com a entrega do seu corpo,
do seu coração de homem, é do coração
do homem que procede o mal, a impureza, a lascívia. Sem
nenhuma dúvida esse foi o maior erro de Sansão:
Entregou de mão beijada o centro das suas emoções
à pessoa errada, a uma prostituta, a uma mercenária.
Assim diz o ALTÍSSIMO em Provérbios, Capítulo
23, Versículo 26: “Dá-me, filho meu, o teu
coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.”
A história afinal da queda de Sansão
é apenas e tão somente uma metáfora figurada
das conseqüências do pecado do homem carnal. Primeiro
vem a cegueira - perda da capacidade de enxergar além
do seu próprio nariz. Segundo, a entrega dos membros
à escravidão da carne - é como rodar um
moinho em círculo, um engenho que é tocado por
bois ou jumentos em círculos para moer a cana, para voltar
ao mesmo lugar, como pessoas que gravitam em torno da própria
miséria, como um cão que come, enfastia, e depois
vomita e mais tarde volta ao seu próprio vômito
e o come ou ainda como os porcos que mesmo depois de limpos,
voltam-se prazerosamente a enlamearem-se, e, enfim, a morte.
Porque a paga final do pecado é a morte!
Aloizio Sousa Arantes
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