O Dr. Mabie escreveu em um de seus livros:
"Na Escritura, a morte e ressurreição reconciliadoras
são sempre tomadas juntas. Elas são partes inseparáveis
de uma unidade real, partes gêmeas de um fato".
Isso é a própria verdade, mas na experiência
e no ensinamento, o perigo encontra-se em não dar às
"partes gêmeas" equilíbrio. Isso afeta
os resultados da vida, pois você não pode ter
o "positivo" vida-poder sem a "negativa"
morte-aplicação. Se você super-enfatiza
o "positivo", a vida da ressurreição,
então você não tem "negativo"
suficiente, da morte-aplicação, para tratar
com a vida do velho Adão, que está no caminho
da nova criação, e tem de ser tratado pela morte
dando lugar ao Cristo-Vida. Por isso, os dois devem receber
igual ênfase e correr juntos na vida cristã.
Morte e vida, Calvário e ressurreição:
"artes gêmeas de um fato". É pela falta
de ver-se isso que há tantos cristãos unilaterais.
Ou eles são tão "negativos", por habitar
muito no lado "morte" que não têm atividade
de vida, ou eles estão tão ansiosos por evitar
o "negativo" que habitam muito sobre o lado "positivo"
da vida, e na experiência estão sob o perigo
de chamar o lado velho da natureza1 de vida de ressurreição.
Temos a necessidade do equilíbrio para obter uma real
participação da vida de Deus. Mas é tão
humano ir aos extremos! É somente quando conhecemos
o perigo e confiamos em Deus para nos guardar, é que
podemos ser mantido espiritualmente sóbrios e equilibrados
na verdade.
Agora vamos para Romanos 6 ver nos versículos 10 e
11 como eles dão, não somente o que podemos
chamar de "lado-morte" da Cruz, mas a chave para
o "lado-vida" de nossa união com Cristo em
Sua ressurreição. "Quanto a ter morrido,
de uma vez morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive
para Deus. Assim também vós considerai-vos como
mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus
nosso Senhor." Nessas três palavras, em Cristo
Jesus, temos a chave para a vida de união com o Senhor
ressurreto. Morremos com Cristo na cruz para que possamos
"viver para Deus", completamente em outra esfera,
"em Cristo Jesus". Lemos no verso 13: "Oferecei-vos
a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros,
a Deus, como instrumentos de justiça."
Agora, o que significa estar em "Cristo
Jesus" no lado de ressurreição da cruz?
Vamos para Romanos 7.4: "Vós morrestes relativamente
à lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerdes
a outro, a saber, aquele que ressuscitou dentre os mortos."
Numa nota de rodapé da bíblia de Schofield,
a palavra "unidos" é indicada em lugar de
"por meio". A morte é o lado "negativo"
da verdade; ser unido ao Senhor ressurreto é o lado
"positivo". Partes gêmeas de um fato. Por
isso, não há dispensar de Sua vida ressurreta
à parte Dele mesmo. Além do mais, a "união"
é uma união de espírito. "Aquele
que se une ao Senhor é um espírito com Ele"
(1Co 6.17), não uma alma. Por isso, o lado "negativo"
da morte com Cristo significa de modo prático, uma
fuga, ou rompimento ou corte, daquilo que impede a união
de seu espírito ao Cristo ressurreto. O resultado experimental
da cruz é realmente um liberar do espírito.
Ele estava aprisionado, por assim dizer, sob o poder da alma
e da carne. O espírito estava tão envolvido
na vida de natureza que não poderia estar plenamente
unido a Cristo, que é Espírito despertador.
Mas como é feito o "cortar fora"?
Como o Espírito de Deus aplica a cruz e efetua a morte-separação
por meio da qual o espírito é libertado para
estar unido a Cristo? Encontramos a resposta em Hebreus 4.12:
"Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz e mais
cortante que qualquer espada de dois gumes, e penetra até
ao ponto de dividir alma e espírito." Aqui temos
a divisão de algo que é imaterial e intangível.
A Palavra, por essa razão, é uma arma espiritual,
agindo com uma espada na esfera espiritual, na verdade, "dividindo"
coisas imateriais. a parte da Palavra que faz isso é
a Palavra da cruz, dividindo a alma do espírito, primeiro
por dar ao crente as distinções entre os dois,
e segundo, separando os dois quando o crente rende-se às
operações da Palavra da cruz, falando da morte
com Cristo. O versículo também diz que a Palavra
discerne e revela os pensamentos, pois "todas as coisas
estão descobertas e patentes aos olhos Daquele a Quem
temos de prestar contas." note que é o próprio
Senhor usando a espada para cortar fora a velha vida. Somente
Ele sabe como manejar a "espada do Espírito",
que cortará como uma faca, e, assim, o espírito
é separado ou desemaranhado do enlace da alma.
Isso é psicológica e experimentalmente
verdadeiro. No livro do Dr. Andrew Murray, "Espírito
de Cristo", ele dá no apêndice uma explanação
muito clara da divisão da alma e do espírito
que precisa ser feita no crente. Ele explica como o homem
caiu do domínio do espírito sobre todo o seu
ser, para a alma, e depois como a alma mergulhou na carne,
até que finalmente Deus disse do homem: "Ele se
tornou carne" (Gn 6.3). O espírito do homem, diz
o Dr. Murray, pé que, dento de nós, é
capas de conhecer a Deus. a alma é o assento da auto-consciência,
e o corpo o assento da consciência sensorial. Um entendimento
da psicologia da Bíblia é necessária
para qualquer apreensão da vida plena de vitória
por meio do trabalho ungido de nosso Senhor Jesus Cristo.
Há mais a ser tratado dentro de nós do que o
que chamados de pecado, e é mais do que pecado o que
impede nosso pleno conhecimento de Deus.
Para conhecer na experiência real o
lado vida da cruz, temos de conhecer não apenas a morte
para o pecado, mas a Palavra da cruz separando a alma do espírito,
e, deste modo o espírito é liberado para estar
unido ao Senhor ressurreto. a alma não é destruída
nem o é a individualidade do crente. Não nos
tornamos autômatos, mas a alma, a personalidade, deve
ser avivada a partir do espírito, em vez de estar sob
o domínio baixo da vida da natureza. Quando o espírito
é, desse modo, um espírito com o Senhor ressurreto,
é via espírito, dentro da mente, que experimentamos
o guiar do Espírito e o íntimo conhecimento
do Cristo pessoal. É por meio de nosso espírito
unido a Ele pelo Espírito Santo que O conhecemos pessoalmente,
pois o propósito toda da verdade é que O conheçamos
tão bem como o poder de Sua ressurreição.
Agora, voltemos a Colossenses 2.6,7 para mais
luz sobre o significado das palavras "em cristo Jesus.
"Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim
andai nele". Quando nós recebemos Cristo, por
um simples ato de fé, fomos colocados dentro Dele pela
operação do Espírito de Deus. Cristo
está em nós, e nosso espírito está
unido a Ele como O Ressurreto, mas também devemos habita
"Nele" como uma esfera na qual andamos dia a dia.
Assim como começamos, devemos continuar simplesmente
confiando Nele e contando com Ele, e habitando Nele. O lado
vida da cruz significa estar vivo para Deus "em Cristo
Jesus".
"Nele radicados", continua o apóstolo.
Você não pode estar enraizado em um lugar hoje,
e em outro amanhã. Isso mostra claramente a necessidade
de nosso entendimento da cruz como a posição
básica da qual não devemos nunca sair. É
na Sua morte que devemos estar enraizados. Não podemos
continuar numa vida na qual tomamos no passado a cruz ou avançamos
para qualquer alvo deixando a cruz para trás. Fazer
isso é como uma árvore rejeitando a própria
raiz na terra. Temos de nos considerar "mortos de fato
para o pecado" e viver para Deus, mas isso é "em
Cristo Jesus". "Nele temos de estar enraizados,
e "Nele" ter nosso fundamento, onde estamos continuamente
edificados. Temos de estar continuamente firmando nossas raízes
profundamente em Sua morte.
Vamos ler João 3.16 e ver como o estar
"em Cristo Jesus" começou no estágio
inicial de nossa nova vida. Lemos: "Deus amou ao mundo
de tal maneira, para que todo aquele que Nele crer" tenha
vida. Por que os tradutores da Bíblia usaram a palavra
"Nele" em vez de "para dentro", eu não
sei. Não cremos meramente "em" Cristo, mas
cremos "para dentro" Dele. Newsberry diz que a palavra
"para dentro" no original tem em si a idéia
de movimento, e isso é muito sugestivo. Quando você
crê "para dentro" de Cristo, você é
tomado pela co-ação do Espírito Santo,
e o Calvário é o lugar onde isso é feito.
Somos colocados "dentro" Dele em Sua morte, e depois
"dentro" Dele em Sua vida, no lado da ressurreição
da cruz, "radicados Nele". Por isso, "persevere
firmemente em sua fé". Quando você recebeu
Cristo Jesus, o Senhor, você creu para dentro Dele,
agora permaneça Nele, enraíze-se Nele, tenha
sua fundação Nele, tenha sua vida espiritual
edificada Nele.
Agora, vamos para Colossenses 2.9-11: "Nele
habita corporalmente toda a plenitude da Divindade".
Quando habitamos Nele, temos a "plenitude" do Espírito.
Você morreu com Ele; agora, unido em espírito
a Ele, habite Nele e você estará num oceano de
vida. Nele habita toda a plenitude da divindade na forma humana,
e Nele você tem sua plenitude, pois Ele é a Cabeça
de todo principado e potestade. "Se alguém está
em Cristo, é nova criação: as coisas
antigas já passaram; eis que se fizeram novas"
(2 Co 5.17). Pois, em Cristo Jesus, "nem a circuncisão
é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser
nova criatura" (Gl 6.15). "Em Cristo Jesus"
nada é feito para depender de qualquer coisa externa.
"Em Cristo Jesus" nada tem proveito, nada serve
para qualquer uso, nada é de valor algum, a não
ser ser uma nova criação.
Agora vamos para Efésios 2.4-6: "Deus, sendo rico
em misericórdia, por causa do grande amor com que nos
amou, e estando nós mortos em nosso delitos, nos deu
vida juntamente com Cristo (...) e juntamente com Ele nos
ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo
Jesus." Em Cristo está nossa raiz e nosso fundamento,
dos quais não devemos nos mover, e aqui vemos o resultado
daquela posição de morte. Unidos a Ele em espírito,
estamos assentados com Ele em espírito "nos céus".
"Crucificados com Ele", somos chamados para partilhar
de Sua vida, "porque morrestes e a vossa vida está
oculta juntamente com Cristo em Deus" (Cl 3.3). Poder
de ressurreição é poder de exaltação.
Unir-se ao Ressurreto pode exaltar seu espírito e mantê-lo
"acima de tudo" em Cristo; por mais profundamente
que o espírito possa ter estado sob a escravidão
da carne, ou mesclado com a vida de natureza da alma; estamos
"assentados com Ele nos Céus" pela união
com Ele que, em Sua ascensão, "assentou".
Unidos a Ele, Ele nos sustenta quando habitamos e descansamos
Nele.
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