Por definição, entendemos que o Esgotamento
é um termo leigo, mas muito expressivo e bastante procedente.
Trata-se de uma situação clínica onde
se esgota a capacidade de adaptação, portanto,
é um quadro que pode aparecer acompanhando outros estados
emocionais. Para entender o que é e como ocorre o Esgotamento,
o primeiro passo é, como sempre, estudar a Ansiedade
(patológica) e os Transtornos do Humor. Atualmente
esse termo é de uso corrente entre as pessoas participantes
daquilo que chamamos vida moderna. Ninguém gosta de
pensar na Ansiedade, no Estresse, no Esgotamento ou na Depressão
como formas de algum transtorno emocional, é claro.
Isso pode parecer muito próximo do descontrole, da
"piração" ou da loucura e, como de
fato, todos temos a possibilidade de, pelo menos uma vez na
vida, sermos afetados pelo estresse, pelo esgotamento ou pela
depressão, então será melhor não
considerá-los como formas de algum transtorno emocional.
Mas não é este nosso foco de estudo, estudaremos
o Esgotamento sob o prisma espiritual.
Às vezes ficamos tão frustrados! Será
que o Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou a fim de ser
o fundador de um clube social em que todos procuramos ser
como ele é...cantar no coral, levar nossos filhos às
reuniões, à escola dominical, ouvir as palestras
animadoras de todos domingos, dizer "amém"
nos momentos certos e participar de algum programa social
nas noites de terça ou quinta-feira com alguma grupo
familiar, ou células familiares como irmãos
da igreja? Se isso tudo a respeito de Jesus, ele é
bem maçante, muitos pensam assim! São aquelas
pessoas vítimas em potencial do esgotamento espiritual
- a menos que em suas fadigas obtivesse as respostas que tal
pessoa almejava. De fato tal indivíduo é realmente
um porta-voz de muitas pessoas que se sentem da mesma maneira,
e que jamais o confessariam abertamente, em público.
Que veneno mortífero é esse que se espalha
por toda a igreja nestes dias? Temos procurado evitar o problema
fugindo dele, fingindo que não existe ou pondo a culpa
muitas vezes no diabo, justificando-o assim desta forma -
e em seguida evitamos também confrontar os crentes
exauridos, queimados espiritualmente, que abandonam a comunhão,
e saem da igreja tomando antipatia por ela. Todavia, o problema
está aí no seio da igreja, e insiste, persiste
para não ir embora. Há bem da verdade, vai se
tornando uma doença, cujo alastramento transforma-se
numa doença epidêmica.
Certa manhã, o irmão Malcolm passeando pelas
montanhas Catskill, em Nova York, presenciou uma cena inesquecível
para ele. Enquanto o irmão descansava assentado numa
pedra, ao lado de uma lagoa cujas águas estava coberta
por algas. Enquanto mosquitos se entretiam numa dança
interminável, bem perto da superfície do lago,
ele observava indolentemente umas libélulas em seu
vôo rápido entre os juncos. Uma rã tomava
sol, aquecendo-se deitada numa rocha parcialmente submersa,
bem no centro da lagoa.
Em um dado momento, o irmão Malcolm despertou para
algo extremamente surpreendente. Acontecia algo esqusito,
muito estranho com aquela pequena rã. Diante dos seus
olhos ela entrou num profundo colapso...não caiu da
pedra onde estava, mas subitamente aquela pequena rã
murchou como se fosse uma bexiga, um balão com um furinho,
onde vazava o ar. Finalmente, só restou mesmo ali,
um montinho horroroso de pele de rã; o seu recheio
desaparecera totalmente de forma brutal!
Só então após observar mais acuradamente,
o irmão Malcolm pode ver o assassino. Um besouro d´água
gigante havia picado aquela rã, injetando nela uma
substância tão venenosa que lhe dissolvia as
entranhas. Em seguida, o besouro passou a sugar o conteúdo
da rã, deixando só a pele, como se fora uma
sacola vazia de mercearia, estirada morta sobre aquela rocha.
Qual lição poderíamos extrair desta
cena? A que conclusões poderíamos chegar com
esta observação do irmão Malcolm? Muitos
crentes nosos irmãos são como essa rã...algo
lhes suga toda a vida interior, arrebata-lhes toda a vitalidade.
Eles paulatinamente vão se tornando espiritualmente
esgotados, cansados, espiritualmente exaustos por não
verem cumpridas as promessas do evangelicalismo moderno, daquelas
bênçãos prometidas nos púlpitos
quando os irmãos enfrentam as campanhas, as reuniões,
e nada acontece como eles sonham. Tais frustrações
fazem com que seus pensamentos se tornem cínicos e
negativos. Eles não crêem mais em Deus e acham
que a Bíblia Sagrada conta apenas estórias da
carochinha. Tais crentes estão agora amargurados, perpléxos,
abatidos, derrotados, ressentidos com Deus, com a vida, com
parentes, com irmãos e com a igreja. Como se Deus estivesse
longe e ocupado demais com outros milhares de problemas que
nem se importa mais com os seus problemas. Tais irmãos
queimaram-se espiritualmente, agora só lhes resta mesmo
o monturo, o desprezo, e o terrível abandono pela "igreja"
das quais outrora fora membro ativo, principalmente quando
era um grande ofertante, um grande e fiel dizimista.
O Caldo Mortífero do
Legalismo
II Reis 4:38-41 "Voltou Eliseu para gilgal. Havia fome
naquela terra, e, estando os discípulos dos profetas
assentados diante dele, disse ao seu moço: Põe
a panela grande ao lume e faze um cozinhado para os discípulos
dos profetas. Então, saiu um ao campo a apanhar ervas
e achou uma trepadeira silvestre; e, colhendo dela, encheu
a sua capa de colocíntidas; voltou e cortou-as em pedaços,
pondo-os na panela, visto que não as conheciam. Depois,
deram de comer aos homens. Enquanto comiam do cozinhado, exclamaram:
morte na panela, ó homem de Deus! E não puderam
comer. Porém ele disse: trazei farinha. Ele a deitou
na panela e disse: Tira de comer para o povo. E já
não havia mal nenhum na panela."
Quando o profeta Eliseu foi visitar alguns estudantes das
Escrituras em Gilgal, havia grande fome na terra de Israel.
Chegou a hora do jantare, enquanto a panela fervia, um dos
discípulos dos profetas saiu à procura de alguns
vegetais a fim de preparar um caldo. Visto não haver
por ali fazendas onde pudesse comprar provisões, aquele
estudante pesquisou os pastos silvestres ao redor da comunidade.
Ele enfim encontrou algo que ele acreditou ser pepinos. Na
verdade, deveriam ser o que se denomina "colocíntidas",
que parecem pepinos comestíveis, porém são
venenosos. O Estudante regressou e, satisfeito por haver encontrado
tão depressa bastante alimento para todos, começou
imediatamente a preparar o caldo. Todos viram à mesa
a sopeira cheia de rodelas do que lhes pareceu ser pepino.
Enquanto o Profeta Eliseu ensinava, a sopa borbulhava; nenhum
aroma indicava que o caldo fosse venenoso. É claro
que ninguém estava procurando indício indicativo
de que algo estava errado. Por que haveriam de ficar procurando
afinal? Um dos companheiros colhera os begetais e havia preparado
a refeição; ele mesmo, o cozinheiro chef, estava
disposto a saboreá-la! Só no momento em que
a comida estava em suas bocas é que alguém descobriu
o gosto do veneno, o sabor da morte. E essa pessou desesperadamente
gritou: - HÁ MORTE NA PANELA! reação
de Eliseu foi tomar imediatamente um pouco de farinha e atirá-la
no caldo. Miraculosamente, a sopa tornou-se comestível,
deixou de ser venenosa.
Nem tudo que parece, É!
Estamos vivendo em dias de tremenda fome espiritual; e o
alimento sólido da Palavra genuína, o Verdadeiro
Evangelho de Jesus Cristo não se encontra prontamente
disponível onde esperaríamos que estivesse.
Os famintos espirituais têm de sair e providenciar provisões,
quaisquer mantimentos, onde quer que os encontrem. E, na maioria
dos casos, tais pessoas saem sem ter qualquer conhecimento
das Sagradas Escrituras, mas apenas com o desejo ardente de
conhecer a Deus. Se espantam quando vêem quanta coisa
crescendo nos terrenos baldios, as ber, nas livrarias evangélicas,
e que uma quantidade quase infinita de "pepinos"
viceja nas encostas das montanhosas dos programas de rádio
e televisão em massa.
A verdadeira colheita parece estar nas fitas, CDs e DVDs
gravados - plantas que crescem por todas as partes! E sempre
há um pregador especial que sabe bem manejar a palavra
e dominar as massas, nas campanhas, nas cruzadas evangelísticas,
nos cultos carregados de carismas, de danças sob luzes
negras, estroboscópicas que mais parecem boates ou
discotecas mundanas, e pior de tudo, no interior dos prédios
das igrejas locais. Nessa procura , há pouca ou nenhuma
análise das coisas que são ditas, ou da maneira
como as Escrituras estão sendo interpretadas sem o
uso da hermenêutica. Se o pregador, ou escritor, menciona
o nome de Jesus ou usa a Bíblia como base daquilo que
está dizendo, sua mensagem é plenamente aceita.
Atente bem para o que digo, as maiores heresias tem como base
uma passagem bíblica sem a devida interpretação,
sem o ensino do Espirito Santo de Deus.
lá vêm eles com seus sermões sem o vigor,
sem o poder
E, ninguém observa que muitas vezes um pregador contradiz
o outro! Como acontece nas épocas de fome, come-se
qualqer coisa que parece alimento para o espírito.
Se o pastor é nascido de novo, e cheio do Espírito,
qualquer coisa que ele disser do púlpito deve necessariamente
ser verdadeiro. Se o livro está à venda numa
livraria evangélica, só pode ser de Deus!
Muitos pastores acham muito difícil estudar a Bíblia.
Em conseqüência, enfrentam dificuldade imensa no
preparo de um sermão dominical que contenha alimento
espiritual, mesmo porque também, ele passa horas a
fio assistindo programas mundanos na televisão; assistindo
filmes inadequados; gasta muito tempo com as coisas deste
mundo, e não para orar, contemplar, meditar, adorar
o Senhor. Que tipo de alimento este homem poderá dar
às suas ovelhas, senão veneno mortífero,
pois sua boca falará do que o seu coração
está cheio. Então, eles constantemente estarão
procurando, apanhando qualquer coisa com que alimentar suas
ovelhas. Chega o domingo - lá vêm eles com seus
sermões sem o vigor, sem o poder. Será que não
estão carregando nos braços montes e montes
de colocíntidas? Pepinos venenosos, MORTE!
Porém, os circunstantes não notarão
que aquilo que está sendo dito vai envenenar os pobres
incautos ouvintes. Por que deveriam notar? Confiam em seu
pastor e muito corretamente presumem que ele vai aplicar a
si mesmo aquilo que está ensinando. Quantas pessoas
estão dentro e também fora da igreja, exaustas
e espiritualmente doentes, é preciso que primeiramente
lhes pesquisemos a dieta espiritual pela qual estão
terrivelmente intoxicados. Em geral a morte principia no prato
onde comem, no alimento que usualmente é preparado
por um pastor, pregador ou evangelista sincero come, ele próprio,
dessa comida envenenada. No fim todos estarão queimados,
exaustos, esgotados espiritualmente, todos juntos.
Os problemas da Igreja, hoje, não são primordialmente
falta de oração, aliás oram muito e agem
pouco, não está na falta de estudos bíblicos,
de fé ou de dedicação. O problema é
muito mais profundo do que estas coisas. Alguma coisa nos
tornou tão fracos que não queremos orar nem
ler a Bíblia...eliminou-se de nós todo o entusiasmo
pelas coisas de Deus.
Que é que está fazendo com que o exercício
da fé se transforme numa verdadeira batalha, quando
sabemos que, na verdade, ali está o portal do descanso
eterno em Deus? Por que é que nosso culto entusiástico
veio a tornar-se marmorizado, gelado, a tal ponto que vicamos
cansados de culturar? Por que alguns crentes não se
levantam das cadeiras nas horas de louvor e adoração
com cânticos? Por que não levantam mãos
santas nem quando solicitados para tal? Por que é que
tantos crentes acabaram cansando de estudar a Bíblia?
Por que é que nossas grandes palavras proféticas
ministradas de vitória falaham quando mais precisamos
delas? Será que elas eram de Deus mesmo, ou somente
bajulações humanas dos mercenários mercadores
da Palavra de Deus? Os crentes estão queimando-se e
caindo de exaustão porque o alimento espiritual que
estão ingerindo é venenoso. HÁ MORTE
NA PANELA! E a maior igreja do mundo está crescendo
alucinadamente, esta igreja é dos crentes desviados,
cansados, exaustos, esgotados espiritualmente, voce sabia
disto?
Um fato incontestável é que as Boas Novas
de Jesus Cristo não exaurem nem poderm exaurir a pessoa
que Nele crê. O evangelho é chamado de...a mensagem
completa desta nova vida (Atos 5:20) "Ide e, apresentando-vos
no templo, dizei ao povo todas as palavras desta Vida"
note bem que textualmente a palavra Vida é maíscula,
pois se referem a Cristo, o Autor da Vida; palavras da Vida
Eterna (João 6:68) "Respondeu-lhe Simão
Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da Vida
Eterna" estas palavras nos asseguram que já passamos
da morte para a Vida (I João 3:14) "Nós
sabemos que já passamos da morte para a vida, porque
amamos os irmãos; aquele que não ama permanece
na morte."
O Evangelho nos traz...a paz de Deus, que excede todo o
entendimento(humano) (Filipenses 4:7)...gozo inefável...(I
Pedro 1:8), e dá-nos...o amor de Deus...derramado em
nossos corações pelo Espírito Santo (Romanos
5:5). Certamente não são expressões que
descrevem o estado da pessoa que se queimou espiritualmente,
que se tornou cínica, incrédula, blasfemadora
contra Deus, murmuradora, prostrada, exausta, desviada do
Evangelho.
O crente verdadeiro, pode até tropeçar, cair
acidentalmente, mas não permacerá caído,
porque o cair é do homem, mas o levantar é de
Deus!
O crente é tentado e às vezes chega a cair,
mas o pecado é um acidente na vida do verdadeiro crente.
Ele experimenta épocas de escuridão que só
podem ser comparadas ao vale da sombra da morte. Há
ocasiões em que se vê perto do desespero e pode,
realmente, sentir que está desistindo de lutar. Mas
ele não desiste! É exatamente assim que o apóstolo
Paulo descreve sua vida de crente: como morrendo, porém
vivemos; como castigados, porém não mortos;
como entristecidos, porém sempre alegres (2 Coríntios
6:9-10). Ele não se sente "morto" por causa
da revelação de Deus que recebeu em Cristo,
contida no evangelho.
Afirmamos categoricamente que enquanto a pessoa estiver
vivendo segundo as verdades que nos foram trazidas por Jesus
Cristo, não pode queimar-se espiritualmente! Aquele
que cai exausto, só cai porque acreditou numa distorção
das Boas Novas (que não é, portanto, evangelho!),
ou porque se esqueceu do cerne do evangelho em que creu, numa
ocasião, e se deixou extraviar. Se é esse o
caso, podemos afirmar que a melhor coisa que tal pessoa pode
fazer é tombar exausta à beira da estrada da
vida. Se aquilo em que ela está crendo não é
o evangelho da verdade, quanto mais cedo determinar que suas
crenças são incapazes de fornecer-lhes vida
espiritual e saúde, melhor será.
Quando nós estudamos o Ministério do Senhor
Jesus Cristo, é significativo ver que ele não
apenas ensinou a verdade, mas também atacou o erro...
e fê-lo em todas as oportunidades. Ele veio para livrar
o povo das falsidades da religiosidade em que criam, pois
a religião oferecia alimentos venenosos matando as
pessoas. Jesus anunciou bem cedo com que propósito
tinha vindo, a saber: "O Espírito do Senhor está
sobre mim, pelo qual me ungiu para evangelizar aos pobres.
Enviou-me para apregoar a liberdade aos cativos, dar vista
aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos, e anunciar
o ano aceitável do Senhor" (Lucas 4:18-19). Os
ensinamentos, os milagres e a morte, ressurreição
e ascensão de Cristo quebraram o poder de tudo que
mantinha a humanidade em cativeiro.
"piedade, consciência aguda, escrúpulos;
de de religare, emendar; re e igare, unir de novo"
Costuma-se esquecer que, ao fazer aquelas declarações,
Jesus estava dispondo-se a livrar o povo de certo sistema
de crença, de religiosidade. Seria correto afirmar
que, durante que todo o seu ministério terreno, ele
esteve engajado numa guerra sem tréguas contra o sitema
de crenças mantido pela seita religiosa do judaísmo
chamada farisaísmo. É muito importante ressaltar
que Jesus Cristo nuca investiu contra as prostitutas, contra
os ladrões, os bêbados e os cobradores de impostos
(a forma mais aproximada que Israel conheceu de crime organizado).
Na verdade, ele transformou aquelas pessoas em seus amigos.
Todavia, seu ministério integral foi uma cruzada contra
os ensinos dos fariseus.
Que tipo de sistema doutrinário era esse que atraía
sobre si as palavras mais fortes e serveras de Jesus Cristo?
O fato é que os fariseus orientavam as pessoas a buscarem
a aceitação da parte de Deus através
de seus méritos pessoais, mencionando diante dele as
obras que cada um tivesse praticado; era a mensagem da busca
da benevolência divina mediante o desempenho pessoal.
Ora, coincidentemente, esta é a mensagem que se encontra
no cerne de todas as religiões, e é também
o que deica as pessoas exaustas, em seus esforços no
sentido de desempenhar seu papel de modo aceitável
perante Deus.
Webster define a palavra religião da seguinte forma:
"piedade, consciência aguda, escrúpulos;
de de religare, emendar; re e igare, unir de novo; estado
mental ou maneira de vida em que se expressa amor a Deus e
confiança Nele, e a vontade da pessoa e seus esforços
no sentido de agir de acordo com a vontade de Deus..."
(1)
A Religião funciona como a pintura de um sepulcro,
dá uma melhorada no aspecto exterior do indivíduo,
mas o seu interior continua podre, corrompido. A religião
leva a pessoa a unir-se fortemente a um voto de guardar as
regras que governam a conduta, os ritos, doutrinas, fórmulas
e formas pelas quais pretensamente poderiam levar o homem
pecador, sujo, podre, corrompido a aproximar-se de Deus. Isto
exige o constante exercício de sua vontade pessoal,
e a completa obediência aos preceitos dela. A finalidade
principal de tudo isto é Deus ser agradado e a pessoa
ser aceita por Ele, como se isto fosse possível, sem
a real intervenção de Jesus Cristo em favor
do homem.
Onde deu-se o início
da Religião?
A religião começou no Jardim do Éden,
quando o homem Adão caiu. A primeira reação
do homem em sua condição decaída foi
de fugir imediatamente da presença de Deus e esconder-se
por detrás de algumas árvores no jardim. Desde
esse dia o homem sem Jesus Cristo sente medo de Deus. E expressa
esse medo mediante o ateísmo, que é a esperança
de que Deus não está mais lá, ou talvez
nunca tenha estado; e o materialismo, através do qual
o homem se esconde nas coisas materiais desta vida, na esperança
de que Deus vá embora ou jamais se interesse por ele!
Religião é na verdade a expressão última
daquele mesmo medo que o homem sente. Ela apresenta Deus como
estando zangado com a humanidade, e procura meios de apaziguá-lo
e ganhar sua atenção. Todas as religiões
do mundo são o resultado das especulações
do homem decaído, cuja mente pecaminosa procura o significado
da vida, suas origens e objetivos, o caráter da divindade
e que é que se deve fazer para tornar-se um ser humano
um pouco melhor, afim de que se torne aceito diante de Deus.
Basicamente todas as religiões são iguais ou
no mínimo semelhantes: enxergam um Deus distaqnte,
nem um pouco amigo, e servero, sanguinário, distribuidor
de leis pelas quais se pode aproximar dele. Tais leis são
confiadas à elite dos religiosos, usualmente sob a
forma de livro, e essa elite interpreta as leis para os adoradores
e membros da religião. Todas as religiões, onde
que que as encontremos, resumem-se no homem estirando o braço,
erguendo-o para encontrar um meio de agradar a Deus, de quem
sente tanto medo.
EROS
Os gregos definiam o amor humano com a palavra "Eros"
que, em português, expressa a idéia: "desejo
para mim mesmo o mais elevado, o melhor e o mais belo".
Eros é o útero onde se concebem todas as tentativas
do homem para alcançar Deus. Todas as regras e rituais
que, conforme acredita o homem, agradam a Deus, iniciam-se
em Eros. Nele está também o alicerce da crença
humana concernente à natureza de Deus. Eros é
a emoção mais elevada e mais bela do homem,
que almeja apenas o melhor, que o conduz sempre para cima
e para longe dos padrões mais baixos, na direção
dos mais sublimes. É muito natural, pois, que a mente
do homem decaído defina Deus afirmando que "ele
é Eros em última instância". É
o Amor que nos impede de esquecer, porque nos arrastando para
a beleza, vivifica nossa alma, alimenta-a do que é
adequado à sua natureza divina. Por ele, passamos do
culto a um belo corpo ao culto dos corpos belos, daí
ao culto aos belos discursos e leis, ao culto das ciências
e, finalmente, ao encontro com a Beleza em si.
Em Roma, o deus Eros foi identificado com Cupido flexando
os corações dos homens e mulheres. Inicialmente
representavam-no como um belo jovem, às vezes alado,
que feria os corações dos humanos com setas.
Aos poucos, os artistas foram reduzindo sua idade até
que, no Período Helenístico, a imagem de Eros
é a representação de um menino, modelo
que foi mantido no Renascimento. Deus grego do amor e do desejo,
Eros encerrava, na mitologia primitiva, significado mais amplo
e profundo. Ao fazê-lo filho do Caos, vazio original
do universo, a tradição mais antiga apresentava-o
como força ordenadora e unificadora. O Amor platônico,
como vemos, está distante de Eros tirano, que nos escraviza
às paixões dos sentidos e nos mergulha no abismo
da desordem. Não é repressor, não tem
que ver com a sublimação de instintos. É
o mais precioso auxiliar daquele que quer atingir a perfeição,
pois o movimenta em direção a ela. É
úmido, nutriz e poderoso; faz-nos procurar o que nos
falta e nos diminui. É nele e por ele que geramos o
conhecimento e, por este, nos aproximamos de nós mesmos.
O Amor platônico é filósofo porque nos
faz ver que a verdade de nossa natureza é procurar.
Procurar o saber. O Eros platônico é libertador.
Que tamanha ignorância dos gregos iludidos ao pensarem
ter toda sabedoria e conhecimentos humanos.
Basta, pois, apenas um passo mais para afirmar-se que Deus
quer as pessoas mais belas, o melhor da humanidade, as pessoas
que alcançaram e conseguiram o mais elevado plano possível
de vida a que um ser humano possa atingir. E a Religião
é a escada que garante a aceitação da
parte de Deus, da pessoa que galgou o degrau máximo.
A religião reivindica ser a revelação
do caminho montanha acima, até as estonteantes alturas
da perfeição e da familiaridade com a divindade
perfeita. Embutido nas entranhas desse sistema teológico
está o orgulho. Quem se dispõe a galgar a escada
acredita que tem o único sistema de regras que finalmente
agrada a Deus e, por isso, considera os outros como tendo
menos valor do que o dele próprio. Acha, além
disso, que é seu dever destruir todos quantos não
acatam tais leis e não desejam recebê-las de
suas mãos.
Eros constitui a base de todas as guerras religiosas, que
se tenham travado em campos de batalha, que nos anfiteatros
da teologia. Eros sempre traça círculos aos
seu redor, excluindo todos quantos não se obrigaram
a guardar e observar as leis reveladas.
A religião sente-se perturbada
pela simplicidade da vida cristã prática
A conduta religiosa dos fariseus era a pior de todas, devido
a sua sutileza. Em suas origens, o movimento farisaico edificava-se
sobre a Palavra de Deus, de modo que, considerando-se seus obejtivos,
torna-se difícil incriminar o sistema religioso farisaico.
Fariseu era, portanto, a pessoa que se havia dedicado a observar
minuciosamente a Lei de Moisés , chamada TORAH (composta
pelos primeiros cinco livros da Bíblia) na lingua hebraica.
O juramento dedicatório era denominado "tomar o
jugo da Torah". A partir desse dia, consideravam-se separados
para Deus, sua lei e para uns com os outros. Formavam círculo
bem fechado, dentro do qual só eram bem- vindos os devotos,
círculo que os separava do mundo de pecadores lá
fora.
"Lei da Cerca"
A grande realidade, é que as exigências da Lei
eram simples: amor a Deus e ao próximo. Mas a religião
sente-se perturbada pela simplicidade da vida cristã
prática. Em vez de perguntar como é que a lei
de Deus deveria ser observada, eles perguntavam: "Como
é que vamos deixar de quebrá-la?" A partir
desta pergunta, todas as formas de debates e questionamentos
teológicos, doutrinários, foram enfim surgindo,
um após o outro, finalizando nas determinações
legalísticas dos fariseus que objetivavam evitar que
a pessoa sequer se aproximasse do ponto em poderia quebrar a
lei de Deus.
Estas leis foram feitas pelo homem eram denominadas "Lei
da Cerca", a saber, leis que circundavam a lei de Deus,
tentando evitar que o devoto corresse o risco de quebrá-la.
Nunca perceberam que se se apegassem ao amor, teriam guardado
toda a lei, e mais ainda. Em vez disso, mergulharam-se num pantanal
de preceitos sem fim e sem sentido.
As "leis de cerca" procuravam circundar todas as áreas
da vida. Havia leis sobre como a pessoa devia vestir-se, sobre
o que podia comer ou beber, os lugares aonde podia ir ou não,
o que podia fazer, as pessoas com quem se podia relacionar,
a obrigatoriedade de lavar mãos, etc., e, mais importante
do que tudo, o que não podia fazer no sábado (Shabath),
e outras centenas de pequenos rituais que precisavam ser observados
quando a pessoa ia comer, orar ou jejuar.
Até mesmo o israelita secular era constantemente lembrado
pelos fariseus quanto aos preceitos da lei, e sentia freqüentes
beslicões de consciência culpada por não
estar vivendo à altura dos padrões de santidade
que os intépretes legalistas haviam declarado ser a verdade
final. As sombras do Velho Testamento não se cristalizaram
em realidades no Novo Testamento, os irmãos judeus não
tiveram revelação plena de que o o fim da lei
é Cristo. Romanos 10:4 "Porque o fim da lei é
Cristo, para justiça de todo aquele que crê."
"Vendo ele as multidões, tinha grande compaixão
delas, porque andavam cansadas e abatidas,como ovelhas que não
têm pastor"
O mal do sistema não estava naquilo que a lei proibia,
ou ordenava (embora a maior parte do sistema fosse exercício
tolo de futilidades), mas na raiz do deus grego Eros. A guarda
das regras pelos fariseus seria aceitável por Deus; o
nível de sua obediência à lei seria indicação
de onde ficavam na escada que galgavam com tanto esforço
humano no objetivo de alcançar a Deus. Entretanto, não
obstante a pretensa retidão dos objetivos, Deus não
pode ser alcançado mediante os méritos próprios
do homem, muito menos na observância de mandamentos, e
pelo desempenho de rituais, mesmo porque eles são extremamente
falhos, exercidos por homens falhos. Se tropeçassem num
só artigo da lei, todos os demais já estariam
sendo descumpridos, e somente Jesus Cristo foi capaz de cumprir
cabalmente a lei e satisfazer plenamente a Justiça de
Deus, lá no Gólgota, naquela horrenda cruz. Exatamente
contra todo legalismo da religião, que o Senhor Jesus
Cristo proferiu suas palavras mais duras incomodando os líderes
religiosos daquele tempo. Quando Ele viu o que esse sistema
doutrinário estava fazendo às pessoas, ele se
moveu da mais terna e profunda compaixão pelo homem falho,
fraco, miserável. "Vendo ele as multidões,
tinha grande compaixão delas, porque andavam cansadas
e abatidas, como ovelhas que não têm pastor".
(Mateus 9:36).
Acerca destas ovelhas cansadas, exaustas, esgotadas, tema básico
do nosso estudo, devido aos constantes jugos pesados da religiosidade
que são impostas sobre elas, Jesus Cristo diz: "Vinde
a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos
aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de
mim, porque sou manso e humilde de coração, e
encontrareis DESCANSO PARA AS VOSSAS ALMAS. Porque o meu jugo
é suave e o meu fardo é leve". (Mateus 11:28-30).
Estudando a palavra "cansado" deste versículo,
vemos que o significado dela é: "exausto, ter trabalhado
até que não resta força alguma". Hoje,
no contexto em que o Senhor Jesus Cristo estava falando, poderíamos
traduzir o texto assim: "queimados espiritualmente, sobrecarregado
de tantas tarefas nas igrejas locais, esgotados de toda força
espiritual, exaustos na tentativa de agradar a Deus com suas
obras". Muita gente neste tempo tem estado estressada,
cansada, exaurida, financeiramente, fisicamente, pensando estar
fazendo a obra de Deus, mas na realidade, estão colocando
as mãos na obra de Deus, e é absolutamente necessário
que entendamos que isto não é obra de Deus. A
verdadeira obra de Deus é o Senhor quem realiza através
de nós, e pos isto não há enfado, desgastes,
canseiras. Tudo que fazemos na nossa carne humana não
agrada a Deus, não passa de trapos de imundícia.
Aquelas pessoas estavam então apenas e tão somente
sobrecarregadas, definitivamente esmagadas pelo peso de todas
as leis e preceitos que a religião jogara em cima delas.
O Senhor Jesus Cristo convidou as pessoas a virem a Ele e, ao
agir assim, atirou a luva desafiadora no rosto da religião.
Ele usou esta expressão solene: Tomai sobre vós
o meu jugo...(v.29), frase que descrevia o juramento de fidelidade
à religião com todos os seus preceitos. O jugo
de Jesus nos torna escravos voluntários, paradoxalmente
livres, você é capaz te entender o que estamos
dizendo, querido e amado leitor? Nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo estava afirmando que ele próprio é a Nova
Torah, a Nova Lei, não uma lista de mandamentos e imposições
legalistas, mas uma Pessoa Viva; e diz ainda mais: que a aceitação
do jugo de Cristo Jesus, propicia-nos descanso, pois Ele é
a nossa Canaã, Ele é a nossa terra de deleite,
prazeres e suprimentos eternos. A versão da chamada Bíblia
Ampliada diz o seguinte: "...e encontrareis descanso -
alivio, consolo, refrigério, recreação
e abençoado sossego - para as vossas almas".
Enquanto a religião e o exercício prático
dela trouxe ao homem a queima e exaustão espiritual.
O Senhor Jesus Cristo prometu que vir a Ele resultaria em recreação,
com um período de férias...vida em que a pessoa
estaria gozando de contínuo refrigério e renovação
em seu relacionamento com Ele. Queimar-se espiritualmente é
a alternativa que só pode ocorrer quando há má
compreensão fundamental do cerne do Evangelho, ou quando
a pessoa falha em aplicá-lo em sua vida e ministério.
Um crente espiritualmente exausto está exibindo sintomas
de um problema muito mais grave.
Que o Senhor Jesus nos conduza como Igreja a pastos verdejantes,
sombras frescas e águas tranqüilas nestes últimos
dias de tão grande tribulação.
Amém.
Bibliografia:
Este estudo foi baseado nos capítulos 1 e 2 do livro
*Evidências de Esgotamento Espiritual, Malcolm Smith -
Livro publicado em inglês com o título: Spiritual
Burnout - 1988, 7ª Edição 1991 por Editora
Vida, Rua Júlio de Castilho nº 280 - CEP. 03059-000
São Paulo-SP. Impresso no Brasil pela Editora Betânia.
Tradução: Oswaldo Ramos.