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Evidências de Esgotamento Espiritual.
Por Aloízio Sousa Arantes
 

Por definição, entendemos que o Esgotamento é um termo leigo, mas muito expressivo e bastante procedente. Trata-se de uma situação clínica onde se esgota a capacidade de adaptação, portanto, é um quadro que pode aparecer acompanhando outros estados emocionais. Para entender o que é e como ocorre o Esgotamento, o primeiro passo é, como sempre, estudar a Ansiedade (patológica) e os Transtornos do Humor. Atualmente esse termo é de uso corrente entre as pessoas participantes daquilo que chamamos vida moderna. Ninguém gosta de pensar na Ansiedade, no Estresse, no Esgotamento ou na Depressão como formas de algum transtorno emocional, é claro. Isso pode parecer muito próximo do descontrole, da "piração" ou da loucura e, como de fato, todos temos a possibilidade de, pelo menos uma vez na vida, sermos afetados pelo estresse, pelo esgotamento ou pela depressão, então será melhor não considerá-los como formas de algum transtorno emocional. Mas não é este nosso foco de estudo, estudaremos o Esgotamento sob o prisma espiritual.

Às vezes ficamos tão frustrados! Será que o Senhor Jesus Cristo morreu e ressuscitou a fim de ser o fundador de um clube social em que todos procuramos ser como ele é...cantar no coral, levar nossos filhos às reuniões, à escola dominical, ouvir as palestras animadoras de todos domingos, dizer "amém" nos momentos certos e participar de algum programa social nas noites de terça ou quinta-feira com alguma grupo familiar, ou células familiares como irmãos da igreja? Se isso tudo a respeito de Jesus, ele é bem maçante, muitos pensam assim! São aquelas pessoas vítimas em potencial do esgotamento espiritual - a menos que em suas fadigas obtivesse as respostas que tal pessoa almejava. De fato tal indivíduo é realmente um porta-voz de muitas pessoas que se sentem da mesma maneira, e que jamais o confessariam abertamente, em público.

Que veneno mortífero é esse que se espalha por toda a igreja nestes dias? Temos procurado evitar o problema fugindo dele, fingindo que não existe ou pondo a culpa muitas vezes no diabo, justificando-o assim desta forma - e em seguida evitamos também confrontar os crentes exauridos, queimados espiritualmente, que abandonam a comunhão, e saem da igreja tomando antipatia por ela. Todavia, o problema está aí no seio da igreja, e insiste, persiste para não ir embora. Há bem da verdade, vai se tornando uma doença, cujo alastramento transforma-se numa doença epidêmica.

Certa manhã, o irmão Malcolm passeando pelas montanhas Catskill, em Nova York, presenciou uma cena inesquecível para ele. Enquanto o irmão descansava assentado numa pedra, ao lado de uma lagoa cujas águas estava coberta por algas. Enquanto mosquitos se entretiam numa dança interminável, bem perto da superfície do lago, ele observava indolentemente umas libélulas em seu vôo rápido entre os juncos. Uma rã tomava sol, aquecendo-se deitada numa rocha parcialmente submersa, bem no centro da lagoa.

Em um dado momento, o irmão Malcolm despertou para algo extremamente surpreendente. Acontecia algo esqusito, muito estranho com aquela pequena rã. Diante dos seus olhos ela entrou num profundo colapso...não caiu da pedra onde estava, mas subitamente aquela pequena rã murchou como se fosse uma bexiga, um balão com um furinho, onde vazava o ar. Finalmente, só restou mesmo ali, um montinho horroroso de pele de rã; o seu recheio desaparecera totalmente de forma brutal!

Só então após observar mais acuradamente, o irmão Malcolm pode ver o assassino. Um besouro d´água gigante havia picado aquela rã, injetando nela uma substância tão venenosa que lhe dissolvia as entranhas. Em seguida, o besouro passou a sugar o conteúdo da rã, deixando só a pele, como se fora uma sacola vazia de mercearia, estirada morta sobre aquela rocha.

Qual lição poderíamos extrair desta cena? A que conclusões poderíamos chegar com esta observação do irmão Malcolm? Muitos crentes nosos irmãos são como essa rã...algo lhes suga toda a vida interior, arrebata-lhes toda a vitalidade. Eles paulatinamente vão se tornando espiritualmente esgotados, cansados, espiritualmente exaustos por não verem cumpridas as promessas do evangelicalismo moderno, daquelas bênçãos prometidas nos púlpitos quando os irmãos enfrentam as campanhas, as reuniões, e nada acontece como eles sonham. Tais frustrações fazem com que seus pensamentos se tornem cínicos e negativos. Eles não crêem mais em Deus e acham que a Bíblia Sagrada conta apenas estórias da carochinha. Tais crentes estão agora amargurados, perpléxos, abatidos, derrotados, ressentidos com Deus, com a vida, com parentes, com irmãos e com a igreja. Como se Deus estivesse longe e ocupado demais com outros milhares de problemas que nem se importa mais com os seus problemas. Tais irmãos queimaram-se espiritualmente, agora só lhes resta mesmo o monturo, o desprezo, e o terrível abandono pela "igreja" das quais outrora fora membro ativo, principalmente quando era um grande ofertante, um grande e fiel dizimista.

O Caldo Mortífero do Legalismo

II Reis 4:38-41 "Voltou Eliseu para gilgal. Havia fome naquela terra, e, estando os discípulos dos profetas assentados diante dele, disse ao seu moço: Põe a panela grande ao lume e faze um cozinhado para os discípulos dos profetas. Então, saiu um ao campo a apanhar ervas e achou uma trepadeira silvestre; e, colhendo dela, encheu a sua capa de colocíntidas; voltou e cortou-as em pedaços, pondo-os na panela, visto que não as conheciam. Depois, deram de comer aos homens. Enquanto comiam do cozinhado, exclamaram: morte na panela, ó homem de Deus! E não puderam comer. Porém ele disse: trazei farinha. Ele a deitou na panela e disse: Tira de comer para o povo. E já não havia mal nenhum na panela."

Quando o profeta Eliseu foi visitar alguns estudantes das Escrituras em Gilgal, havia grande fome na terra de Israel. Chegou a hora do jantare, enquanto a panela fervia, um dos discípulos dos profetas saiu à procura de alguns vegetais a fim de preparar um caldo. Visto não haver por ali fazendas onde pudesse comprar provisões, aquele estudante pesquisou os pastos silvestres ao redor da comunidade. Ele enfim encontrou algo que ele acreditou ser pepinos. Na verdade, deveriam ser o que se denomina "colocíntidas", que parecem pepinos comestíveis, porém são venenosos. O Estudante regressou e, satisfeito por haver encontrado tão depressa bastante alimento para todos, começou imediatamente a preparar o caldo. Todos viram à mesa a sopeira cheia de rodelas do que lhes pareceu ser pepino. Enquanto o Profeta Eliseu ensinava, a sopa borbulhava; nenhum aroma indicava que o caldo fosse venenoso. É claro que ninguém estava procurando indício indicativo de que algo estava errado. Por que haveriam de ficar procurando afinal? Um dos companheiros colhera os begetais e havia preparado a refeição; ele mesmo, o cozinheiro chef, estava disposto a saboreá-la! Só no momento em que a comida estava em suas bocas é que alguém descobriu o gosto do veneno, o sabor da morte. E essa pessou desesperadamente gritou: - HÁ MORTE NA PANELA! reação de Eliseu foi tomar imediatamente um pouco de farinha e atirá-la no caldo. Miraculosamente, a sopa tornou-se comestível, deixou de ser venenosa.

Nem tudo que parece, É!

Estamos vivendo em dias de tremenda fome espiritual; e o alimento sólido da Palavra genuína, o Verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo não se encontra prontamente disponível onde esperaríamos que estivesse. Os famintos espirituais têm de sair e providenciar provisões, quaisquer mantimentos, onde quer que os encontrem. E, na maioria dos casos, tais pessoas saem sem ter qualquer conhecimento das Sagradas Escrituras, mas apenas com o desejo ardente de conhecer a Deus. Se espantam quando vêem quanta coisa crescendo nos terrenos baldios, as ber, nas livrarias evangélicas, e que uma quantidade quase infinita de "pepinos" viceja nas encostas das montanhosas dos programas de rádio e televisão em massa.

A verdadeira colheita parece estar nas fitas, CDs e DVDs gravados - plantas que crescem por todas as partes! E sempre há um pregador especial que sabe bem manejar a palavra e dominar as massas, nas campanhas, nas cruzadas evangelísticas, nos cultos carregados de carismas, de danças sob luzes negras, estroboscópicas que mais parecem boates ou discotecas mundanas, e pior de tudo, no interior dos prédios das igrejas locais. Nessa procura , há pouca ou nenhuma análise das coisas que são ditas, ou da maneira como as Escrituras estão sendo interpretadas sem o uso da hermenêutica. Se o pregador, ou escritor, menciona o nome de Jesus ou usa a Bíblia como base daquilo que está dizendo, sua mensagem é plenamente aceita. Atente bem para o que digo, as maiores heresias tem como base uma passagem bíblica sem a devida interpretação, sem o ensino do Espirito Santo de Deus.

lá vêm eles com seus sermões sem o vigor, sem o poder

E, ninguém observa que muitas vezes um pregador contradiz o outro! Como acontece nas épocas de fome, come-se qualqer coisa que parece alimento para o espírito. Se o pastor é nascido de novo, e cheio do Espírito, qualquer coisa que ele disser do púlpito deve necessariamente ser verdadeiro. Se o livro está à venda numa livraria evangélica, só pode ser de Deus!

Muitos pastores acham muito difícil estudar a Bíblia. Em conseqüência, enfrentam dificuldade imensa no preparo de um sermão dominical que contenha alimento espiritual, mesmo porque também, ele passa horas a fio assistindo programas mundanos na televisão; assistindo filmes inadequados; gasta muito tempo com as coisas deste mundo, e não para orar, contemplar, meditar, adorar o Senhor. Que tipo de alimento este homem poderá dar às suas ovelhas, senão veneno mortífero, pois sua boca falará do que o seu coração está cheio. Então, eles constantemente estarão procurando, apanhando qualquer coisa com que alimentar suas ovelhas. Chega o domingo - lá vêm eles com seus sermões sem o vigor, sem o poder. Será que não estão carregando nos braços montes e montes de colocíntidas? Pepinos venenosos, MORTE!

Porém, os circunstantes não notarão que aquilo que está sendo dito vai envenenar os pobres incautos ouvintes. Por que deveriam notar? Confiam em seu pastor e muito corretamente presumem que ele vai aplicar a si mesmo aquilo que está ensinando. Quantas pessoas estão dentro e também fora da igreja, exaustas e espiritualmente doentes, é preciso que primeiramente lhes pesquisemos a dieta espiritual pela qual estão terrivelmente intoxicados. Em geral a morte principia no prato onde comem, no alimento que usualmente é preparado por um pastor, pregador ou evangelista sincero come, ele próprio, dessa comida envenenada. No fim todos estarão queimados, exaustos, esgotados espiritualmente, todos juntos.

Os problemas da Igreja, hoje, não são primordialmente falta de oração, aliás oram muito e agem pouco, não está na falta de estudos bíblicos, de fé ou de dedicação. O problema é muito mais profundo do que estas coisas. Alguma coisa nos tornou tão fracos que não queremos orar nem ler a Bíblia...eliminou-se de nós todo o entusiasmo pelas coisas de Deus.

Que é que está fazendo com que o exercício da fé se transforme numa verdadeira batalha, quando sabemos que, na verdade, ali está o portal do descanso eterno em Deus? Por que é que nosso culto entusiástico veio a tornar-se marmorizado, gelado, a tal ponto que vicamos cansados de culturar? Por que alguns crentes não se levantam das cadeiras nas horas de louvor e adoração com cânticos? Por que não levantam mãos santas nem quando solicitados para tal? Por que é que tantos crentes acabaram cansando de estudar a Bíblia? Por que é que nossas grandes palavras proféticas ministradas de vitória falaham quando mais precisamos delas? Será que elas eram de Deus mesmo, ou somente bajulações humanas dos mercenários mercadores da Palavra de Deus? Os crentes estão queimando-se e caindo de exaustão porque o alimento espiritual que estão ingerindo é venenoso. HÁ MORTE NA PANELA! E a maior igreja do mundo está crescendo alucinadamente, esta igreja é dos crentes desviados, cansados, exaustos, esgotados espiritualmente, voce sabia disto?

Um fato incontestável é que as Boas Novas de Jesus Cristo não exaurem nem poderm exaurir a pessoa que Nele crê. O evangelho é chamado de...a mensagem completa desta nova vida (Atos 5:20) "Ide e, apresentando-vos no templo, dizei ao povo todas as palavras desta Vida" note bem que textualmente a palavra Vida é maíscula, pois se referem a Cristo, o Autor da Vida; palavras da Vida Eterna (João 6:68) "Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da Vida Eterna" estas palavras nos asseguram que já passamos da morte para a Vida (I João 3:14) "Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte."

O Evangelho nos traz...a paz de Deus, que excede todo o entendimento(humano) (Filipenses 4:7)...gozo inefável...(I Pedro 1:8), e dá-nos...o amor de Deus...derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Romanos 5:5). Certamente não são expressões que descrevem o estado da pessoa que se queimou espiritualmente, que se tornou cínica, incrédula, blasfemadora contra Deus, murmuradora, prostrada, exausta, desviada do Evangelho.

O crente verdadeiro, pode até tropeçar, cair acidentalmente, mas não permacerá caído, porque o cair é do homem, mas o levantar é de Deus!

O crente é tentado e às vezes chega a cair, mas o pecado é um acidente na vida do verdadeiro crente. Ele experimenta épocas de escuridão que só podem ser comparadas ao vale da sombra da morte. Há ocasiões em que se vê perto do desespero e pode, realmente, sentir que está desistindo de lutar. Mas ele não desiste! É exatamente assim que o apóstolo Paulo descreve sua vida de crente: como morrendo, porém vivemos; como castigados, porém não mortos; como entristecidos, porém sempre alegres (2 Coríntios 6:9-10). Ele não se sente "morto" por causa da revelação de Deus que recebeu em Cristo, contida no evangelho.

Afirmamos categoricamente que enquanto a pessoa estiver vivendo segundo as verdades que nos foram trazidas por Jesus Cristo, não pode queimar-se espiritualmente! Aquele que cai exausto, só cai porque acreditou numa distorção das Boas Novas (que não é, portanto, evangelho!), ou porque se esqueceu do cerne do evangelho em que creu, numa ocasião, e se deixou extraviar. Se é esse o caso, podemos afirmar que a melhor coisa que tal pessoa pode fazer é tombar exausta à beira da estrada da vida. Se aquilo em que ela está crendo não é o evangelho da verdade, quanto mais cedo determinar que suas crenças são incapazes de fornecer-lhes vida espiritual e saúde, melhor será.

Quando nós estudamos o Ministério do Senhor Jesus Cristo, é significativo ver que ele não apenas ensinou a verdade, mas também atacou o erro... e fê-lo em todas as oportunidades. Ele veio para livrar o povo das falsidades da religiosidade em que criam, pois a religião oferecia alimentos venenosos matando as pessoas. Jesus anunciou bem cedo com que propósito tinha vindo, a saber: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo qual me ungiu para evangelizar aos pobres. Enviou-me para apregoar a liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos, e anunciar o ano aceitável do Senhor" (Lucas 4:18-19). Os ensinamentos, os milagres e a morte, ressurreição e ascensão de Cristo quebraram o poder de tudo que mantinha a humanidade em cativeiro.

"piedade, consciência aguda, escrúpulos; de de religare, emendar; re e igare, unir de novo"

Costuma-se esquecer que, ao fazer aquelas declarações, Jesus estava dispondo-se a livrar o povo de certo sistema de crença, de religiosidade. Seria correto afirmar que, durante que todo o seu ministério terreno, ele esteve engajado numa guerra sem tréguas contra o sitema de crenças mantido pela seita religiosa do judaísmo chamada farisaísmo. É muito importante ressaltar que Jesus Cristo nuca investiu contra as prostitutas, contra os ladrões, os bêbados e os cobradores de impostos (a forma mais aproximada que Israel conheceu de crime organizado). Na verdade, ele transformou aquelas pessoas em seus amigos. Todavia, seu ministério integral foi uma cruzada contra os ensinos dos fariseus.

Que tipo de sistema doutrinário era esse que atraía sobre si as palavras mais fortes e serveras de Jesus Cristo? O fato é que os fariseus orientavam as pessoas a buscarem a aceitação da parte de Deus através de seus méritos pessoais, mencionando diante dele as obras que cada um tivesse praticado; era a mensagem da busca da benevolência divina mediante o desempenho pessoal. Ora, coincidentemente, esta é a mensagem que se encontra no cerne de todas as religiões, e é também o que deica as pessoas exaustas, em seus esforços no sentido de desempenhar seu papel de modo aceitável perante Deus.

Webster define a palavra religião da seguinte forma: "piedade, consciência aguda, escrúpulos; de de religare, emendar; re e igare, unir de novo; estado mental ou maneira de vida em que se expressa amor a Deus e confiança Nele, e a vontade da pessoa e seus esforços no sentido de agir de acordo com a vontade de Deus..." (1)

A Religião funciona como a pintura de um sepulcro, dá uma melhorada no aspecto exterior do indivíduo, mas o seu interior continua podre, corrompido. A religião leva a pessoa a unir-se fortemente a um voto de guardar as regras que governam a conduta, os ritos, doutrinas, fórmulas e formas pelas quais pretensamente poderiam levar o homem pecador, sujo, podre, corrompido a aproximar-se de Deus. Isto exige o constante exercício de sua vontade pessoal, e a completa obediência aos preceitos dela. A finalidade principal de tudo isto é Deus ser agradado e a pessoa ser aceita por Ele, como se isto fosse possível, sem a real intervenção de Jesus Cristo em favor do homem.

Onde deu-se o início da Religião?

A religião começou no Jardim do Éden, quando o homem Adão caiu. A primeira reação do homem em sua condição decaída foi de fugir imediatamente da presença de Deus e esconder-se por detrás de algumas árvores no jardim. Desde esse dia o homem sem Jesus Cristo sente medo de Deus. E expressa esse medo mediante o ateísmo, que é a esperança de que Deus não está mais lá, ou talvez nunca tenha estado; e o materialismo, através do qual o homem se esconde nas coisas materiais desta vida, na esperança de que Deus vá embora ou jamais se interesse por ele! Religião é na verdade a expressão última daquele mesmo medo que o homem sente. Ela apresenta Deus como estando zangado com a humanidade, e procura meios de apaziguá-lo e ganhar sua atenção. Todas as religiões do mundo são o resultado das especulações do homem decaído, cuja mente pecaminosa procura o significado da vida, suas origens e objetivos, o caráter da divindade e que é que se deve fazer para tornar-se um ser humano um pouco melhor, afim de que se torne aceito diante de Deus. Basicamente todas as religiões são iguais ou no mínimo semelhantes: enxergam um Deus distaqnte, nem um pouco amigo, e servero, sanguinário, distribuidor de leis pelas quais se pode aproximar dele. Tais leis são confiadas à elite dos religiosos, usualmente sob a forma de livro, e essa elite interpreta as leis para os adoradores e membros da religião. Todas as religiões, onde que que as encontremos, resumem-se no homem estirando o braço, erguendo-o para encontrar um meio de agradar a Deus, de quem sente tanto medo.

EROS

Os gregos definiam o amor humano com a palavra "Eros" que, em português, expressa a idéia: "desejo para mim mesmo o mais elevado, o melhor e o mais belo". Eros é o útero onde se concebem todas as tentativas do homem para alcançar Deus. Todas as regras e rituais que, conforme acredita o homem, agradam a Deus, iniciam-se em Eros. Nele está também o alicerce da crença humana concernente à natureza de Deus. Eros é a emoção mais elevada e mais bela do homem, que almeja apenas o melhor, que o conduz sempre para cima e para longe dos padrões mais baixos, na direção dos mais sublimes. É muito natural, pois, que a mente do homem decaído defina Deus afirmando que "ele é Eros em última instância". É o Amor que nos impede de esquecer, porque nos arrastando para a beleza, vivifica nossa alma, alimenta-a do que é adequado à sua natureza divina. Por ele, passamos do culto a um belo corpo ao culto dos corpos belos, daí ao culto aos belos discursos e leis, ao culto das ciências e, finalmente, ao encontro com a Beleza em si.

Em Roma, o deus Eros foi identificado com Cupido flexando os corações dos homens e mulheres. Inicialmente representavam-no como um belo jovem, às vezes alado, que feria os corações dos humanos com setas. Aos poucos, os artistas foram reduzindo sua idade até que, no Período Helenístico, a imagem de Eros é a representação de um menino, modelo que foi mantido no Renascimento. Deus grego do amor e do desejo, Eros encerrava, na mitologia primitiva, significado mais amplo e profundo. Ao fazê-lo filho do Caos, vazio original do universo, a tradição mais antiga apresentava-o como força ordenadora e unificadora. O Amor platônico, como vemos, está distante de Eros tirano, que nos escraviza às paixões dos sentidos e nos mergulha no abismo da desordem. Não é repressor, não tem que ver com a sublimação de instintos. É o mais precioso auxiliar daquele que quer atingir a perfeição, pois o movimenta em direção a ela. É úmido, nutriz e poderoso; faz-nos procurar o que nos falta e nos diminui. É nele e por ele que geramos o conhecimento e, por este, nos aproximamos de nós mesmos. O Amor platônico é filósofo porque nos faz ver que a verdade de nossa natureza é procurar. Procurar o saber. O Eros platônico é libertador. Que tamanha ignorância dos gregos iludidos ao pensarem ter toda sabedoria e conhecimentos humanos.

Basta, pois, apenas um passo mais para afirmar-se que Deus quer as pessoas mais belas, o melhor da humanidade, as pessoas que alcançaram e conseguiram o mais elevado plano possível de vida a que um ser humano possa atingir. E a Religião é a escada que garante a aceitação da parte de Deus, da pessoa que galgou o degrau máximo. A religião reivindica ser a revelação do caminho montanha acima, até as estonteantes alturas da perfeição e da familiaridade com a divindade perfeita. Embutido nas entranhas desse sistema teológico está o orgulho. Quem se dispõe a galgar a escada acredita que tem o único sistema de regras que finalmente agrada a Deus e, por isso, considera os outros como tendo menos valor do que o dele próprio. Acha, além disso, que é seu dever destruir todos quantos não acatam tais leis e não desejam recebê-las de suas mãos.

Eros constitui a base de todas as guerras religiosas, que se tenham travado em campos de batalha, que nos anfiteatros da teologia. Eros sempre traça círculos aos seu redor, excluindo todos quantos não se obrigaram a guardar e observar as leis reveladas.

A religião sente-se perturbada pela simplicidade da vida cristã prática

A conduta religiosa dos fariseus era a pior de todas, devido a sua sutileza. Em suas origens, o movimento farisaico edificava-se sobre a Palavra de Deus, de modo que, considerando-se seus obejtivos, torna-se difícil incriminar o sistema religioso farisaico. Fariseu era, portanto, a pessoa que se havia dedicado a observar minuciosamente a Lei de Moisés , chamada TORAH (composta pelos primeiros cinco livros da Bíblia) na lingua hebraica. O juramento dedicatório era denominado "tomar o jugo da Torah". A partir desse dia, consideravam-se separados para Deus, sua lei e para uns com os outros. Formavam círculo bem fechado, dentro do qual só eram bem- vindos os devotos, círculo que os separava do mundo de pecadores lá fora.

"Lei da Cerca"

A grande realidade, é que as exigências da Lei eram simples: amor a Deus e ao próximo. Mas a religião sente-se perturbada pela simplicidade da vida cristã prática. Em vez de perguntar como é que a lei de Deus deveria ser observada, eles perguntavam: "Como é que vamos deixar de quebrá-la?" A partir desta pergunta, todas as formas de debates e questionamentos teológicos, doutrinários, foram enfim surgindo, um após o outro, finalizando nas determinações legalísticas dos fariseus que objetivavam evitar que a pessoa sequer se aproximasse do ponto em poderia quebrar a lei de Deus.

Estas leis foram feitas pelo homem eram denominadas "Lei da Cerca", a saber, leis que circundavam a lei de Deus, tentando evitar que o devoto corresse o risco de quebrá-la. Nunca perceberam que se se apegassem ao amor, teriam guardado toda a lei, e mais ainda. Em vez disso, mergulharam-se num pantanal de preceitos sem fim e sem sentido.

As "leis de cerca" procuravam circundar todas as áreas da vida. Havia leis sobre como a pessoa devia vestir-se, sobre o que podia comer ou beber, os lugares aonde podia ir ou não, o que podia fazer, as pessoas com quem se podia relacionar, a obrigatoriedade de lavar mãos, etc., e, mais importante do que tudo, o que não podia fazer no sábado (Shabath), e outras centenas de pequenos rituais que precisavam ser observados quando a pessoa ia comer, orar ou jejuar.

Até mesmo o israelita secular era constantemente lembrado pelos fariseus quanto aos preceitos da lei, e sentia freqüentes beslicões de consciência culpada por não estar vivendo à altura dos padrões de santidade que os intépretes legalistas haviam declarado ser a verdade final. As sombras do Velho Testamento não se cristalizaram em realidades no Novo Testamento, os irmãos judeus não tiveram revelação plena de que o o fim da lei é Cristo. Romanos 10:4 "Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê."

"Vendo ele as multidões, tinha grande compaixão delas, porque andavam cansadas e abatidas,como ovelhas que não têm pastor"

O mal do sistema não estava naquilo que a lei proibia, ou ordenava (embora a maior parte do sistema fosse exercício tolo de futilidades), mas na raiz do deus grego Eros. A guarda das regras pelos fariseus seria aceitável por Deus; o nível de sua obediência à lei seria indicação de onde ficavam na escada que galgavam com tanto esforço humano no objetivo de alcançar a Deus. Entretanto, não obstante a pretensa retidão dos objetivos, Deus não pode ser alcançado mediante os méritos próprios do homem, muito menos na observância de mandamentos, e pelo desempenho de rituais, mesmo porque eles são extremamente falhos, exercidos por homens falhos. Se tropeçassem num só artigo da lei, todos os demais já estariam sendo descumpridos, e somente Jesus Cristo foi capaz de cumprir cabalmente a lei e satisfazer plenamente a Justiça de Deus, lá no Gólgota, naquela horrenda cruz. Exatamente contra todo legalismo da religião, que o Senhor Jesus Cristo proferiu suas palavras mais duras incomodando os líderes religiosos daquele tempo. Quando Ele viu o que esse sistema doutrinário estava fazendo às pessoas, ele se moveu da mais terna e profunda compaixão pelo homem falho, fraco, miserável. "Vendo ele as multidões, tinha grande compaixão delas, porque andavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor". (Mateus 9:36).

Acerca destas ovelhas cansadas, exaustas, esgotadas, tema básico do nosso estudo, devido aos constantes jugos pesados da religiosidade que são impostas sobre elas, Jesus Cristo diz: "Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis DESCANSO PARA AS VOSSAS ALMAS. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve". (Mateus 11:28-30).

Estudando a palavra "cansado" deste versículo, vemos que o significado dela é: "exausto, ter trabalhado até que não resta força alguma". Hoje, no contexto em que o Senhor Jesus Cristo estava falando, poderíamos traduzir o texto assim: "queimados espiritualmente, sobrecarregado de tantas tarefas nas igrejas locais, esgotados de toda força espiritual, exaustos na tentativa de agradar a Deus com suas obras". Muita gente neste tempo tem estado estressada, cansada, exaurida, financeiramente, fisicamente, pensando estar fazendo a obra de Deus, mas na realidade, estão colocando as mãos na obra de Deus, e é absolutamente necessário que entendamos que isto não é obra de Deus. A verdadeira obra de Deus é o Senhor quem realiza através de nós, e pos isto não há enfado, desgastes, canseiras. Tudo que fazemos na nossa carne humana não agrada a Deus, não passa de trapos de imundícia. Aquelas pessoas estavam então apenas e tão somente sobrecarregadas, definitivamente esmagadas pelo peso de todas as leis e preceitos que a religião jogara em cima delas.

O Senhor Jesus Cristo convidou as pessoas a virem a Ele e, ao agir assim, atirou a luva desafiadora no rosto da religião. Ele usou esta expressão solene: Tomai sobre vós o meu jugo...(v.29), frase que descrevia o juramento de fidelidade à religião com todos os seus preceitos. O jugo de Jesus nos torna escravos voluntários, paradoxalmente livres, você é capaz te entender o que estamos dizendo, querido e amado leitor? Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo estava afirmando que ele próprio é a Nova Torah, a Nova Lei, não uma lista de mandamentos e imposições legalistas, mas uma Pessoa Viva; e diz ainda mais: que a aceitação do jugo de Cristo Jesus, propicia-nos descanso, pois Ele é a nossa Canaã, Ele é a nossa terra de deleite, prazeres e suprimentos eternos. A versão da chamada Bíblia Ampliada diz o seguinte: "...e encontrareis descanso - alivio, consolo, refrigério, recreação e abençoado sossego - para as vossas almas".

Enquanto a religião e o exercício prático dela trouxe ao homem a queima e exaustão espiritual. O Senhor Jesus Cristo prometu que vir a Ele resultaria em recreação, com um período de férias...vida em que a pessoa estaria gozando de contínuo refrigério e renovação em seu relacionamento com Ele. Queimar-se espiritualmente é a alternativa que só pode ocorrer quando há má compreensão fundamental do cerne do Evangelho, ou quando a pessoa falha em aplicá-lo em sua vida e ministério. Um crente espiritualmente exausto está exibindo sintomas de um problema muito mais grave.

Que o Senhor Jesus nos conduza como Igreja a pastos verdejantes, sombras frescas e águas tranqüilas nestes últimos dias de tão grande tribulação.

Amém.

Bibliografia:
Este estudo foi baseado nos capítulos 1 e 2 do livro *Evidências de Esgotamento Espiritual, Malcolm Smith - Livro publicado em inglês com o título: Spiritual Burnout - 1988, 7ª Edição 1991 por Editora Vida, Rua Júlio de Castilho nº 280 - CEP. 03059-000 São Paulo-SP. Impresso no Brasil pela Editora Betânia.
Tradução: Oswaldo Ramos.

 Leia também os destaques:
 
    O Espírito da Iniquidade no Ministério Cristão - por Aloízio Sousa Arantes  
    ADÃO E EVA – CÉLULAS TRONCO! - por Celso Machado  
    Judas Redivivo e Desagravado. - por Augustus Nicodemus  

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