SUA
ORIGEM
O Sistema Católico Romano começou a tomar forma
quando o Imperador Constantino, convertido ao Cristianismo presidiu
o l.o Concílio das Igrejas no ano 313. No Século
IV construíram a primeira basílica em Roma.
As Igrejas eram livres, mas começaram a perder autonomia
com Inocêncio I, ano 402 que, dizendo-se "Governante
das Igrejas de Deus exigia que todas as controvérsias
fossem levadas a ele."Leão I, ano 440, aumentou
sua autoridade; alguns historiadores viram nele o primeiro papa.
Naqueles tempos ninguém supunha que "S. Pedro foi
papa", fora casado e não teve ambições
temporais.
O poder dos pretensos papas cresceu ainda mais quando o Imperador
Romano Valentiniano III, ano 445, bajulado, reconheceu oficialmente
a pretensão do papa de exercer autoridade sobre as Igrejas.
O papado surgiu das rumas do Império Romano desintegrado
no ano 476, herdando dele o autoritarismo e o latim como língua,
embora o primeiro papa, oficialmente falando, foi Gregório
no ano 600 d.C.
A palavra "papa" significa pae, até o ano
500 todos os bispos ocidentais foram chamados assim: aos poucos,
restringiram esse tratamento aos bispos de Roma, que valorizados,
entenderam que a Capital do império desfeito deveria
ser Sede da Igreja.
Nicolau l, ano 858, foi o primeiro papa a usar Coroa. Usou
um "Documento Conciliar falso (espúrio) dos Séculos
2.o e 3.o que exaltava o poder do papa e impôs autoridade
plena r Assim, o "Papado que era recente, tomou-se coisa
antiga." Quando a farsa foi descoberta Nicolau já
não existia!
O Vaticano projetou-se quando recebeu de Pepino, o Breve, ano
756, vastos territórios; essa doação foi
confirmada pôr Carlos Magno, ano 774, quando ocupava o
trono papal Adriano I. (Taglialatela, II pág. 44).
Carlos Magno elevou o papado a posição de poder
mundial, surgindo o "Santo Império Romano"
que durou 1.100 anos. Mais tarde, Carlos Magno arrependeu-se
pôr doar terras aos papas. No seu leito de morte sofreu
"horríveis pesadelos". Agonizando, lastimava-se
assim: "Como me justificarei diante de Deus pelas guerras
que irão devastar a Itália, pois os papas serão
ambiciosos, eis porque se me apresentam imagens horríveis
e monstruosas que me apavoram devo merecer de Deus um severo
castigo" (Piliati, Tomo I, ano 1776, Edson Thompson, Londres).
O Vaticano derramou muito sangue, até ser invadido pôr
Napoleão Bonaparte, em 1806. O papa foi preso e perdeu
suas terras; tentou reagir mais tarde, mas Vítor Emanuelli,
ano 1870. derrotou novamente as "tropas do papa" tomando-se
o primeiro Rei da Itália.
Assim caiu o "Santo Império Romano"! O Papa
vencido advertia: "Não somos simples mortais"
Ocupamos na terra o lugar de Deus, estamos acima dos anjos e
somos superiores a Maria, mãe de Deus, porque ela deu
a luz a um Cristo somente, mas nós, podemos fazer quantos
Cristos Referia-se a transubstanciação. (Gazzeta
da Alemanha n.o 21 ano 1870).
Até 1929, os papas ficaram confinados no Vaticano quando
Mussoline e Pio XI legalizaram com o tratado de Latrão
esse pequeno Estado religioso que atualmente é "controlado
pela Cúria Romana, mas governado pôr 18 velhos
Cordiais, que controlam a carreira dos bispos e monsenhores,
o papa fica fora dessa pirâmide". (Est. S. Paulo
28-3-82).
No Brasil a liderança Católica está nas
mãos de 240 bispos mais conhecidos pelas suas posições
políticas do que pela religiosidade. Estão divididos
entre Conservadores, Progressistas e não Alinhados. (Dom
Luciano Cabral. Rev. Veja 30-1-80).
A ÚLTIMA NOITE DO PAPA SORRISO
Quantos papas, no curso da história, terão morrido
envenenados? A pergunta é formulada por John Cornwell,
em seu livro Um Ladrão na Noite, que a Viking lançou
recentemente, na Inglaterra(1989), e cujo tema é a morte,
até hoje não convenientemente esclarecida, do
Papa João Paulo I. E o autor cita um número muito
maior de pontífices assassinados do que se poderia esperar.
João VIII, o primeiro papa a ser morto, foi envenenado
em 882 por membros de sua própria corte. A poção
demorou tanto a agir, que ele foi eliminado a pancada. Aproximadamente
dez anos mais tarde, o corpo do Papa Formoso, envenenado por
uma facção dissidente do seu séqüito,
foi exumado pelo seu sucessor, Estevão VII, solenemente
excomungado, mutilado, arrastado pelas ruas de Roma e lançado
às águas do Tíbre.
No século dez, João X foi envenenado no cárcere
por Marozia, filha de sua amante e mãe de João
XI. Ainda no mesmo século, foram envenenados Benedito
VI e João XIV.
O novo milênio não se mostrou mais benévolo
para os santos padres: o primeiro a ser envenenado foi Silvestre
II, conhecido como O Mago, por suas alegadas transações
com o diabo, e, poucas décadas depois, Clemente II e
seu sucessor Dâmaso II - embora não se exclua a
hipótese de este último ter sucumbido à
malária. No apagar das luzes do século 13, Celestino
V foi envenenado pelo seu sucessor, Bonifácio VIII. Nos
primeiros anos do século 14, Benedito XI teria morrido
por ter ingerido vidro moído misturado com figos. Cerca
de 150 anos se passaram, até a morte de Paulo II, depois
de comer "dois grandes melões". Embora a causa
da morte possa ter sido o pecado mortal da gula, suspeitou-se
de veneno. E em 1503, Alexandre VI, o famigerado papa da família
Borgia, morreu provavelmente envenenado de uma poção
destinada à outra pessoa. A maneira de sua morte sugere
arsênico: sua carne enegreceu; em torno de sua língua,
monstruosamente aumentada, formou-se espuma, e seu corpo ficou
inchado de gases, tão intumescido que os encarregados
do seu sepultamento foram obrigados a pular em cima do seu estômago
para que a tampa do caixão pudesse ser fechada.
Nem todas as tramas tiveram êxito. Cerca de dez anos
após a morte de Alexandre VI, o colégio elegeu
Leão X, que o autor descreve como "um homem tão
ávido por dinheiro, que leiloava chapéus cardinalícios".
Cinco cardeais contrataram um cirurgião florentino para
assassiná-lo pela introdução de veneno
no ânus, ostensivamente para tratar das hemorróidas
papais, mas a conspiração foi descoberta.
Teriam cessado os assassinatos pontifícios com o advento
dos tempos modernos? Comwell não responde à pergunta,
mas, segundo o que ele descreve como "um livrinho infame
intitulado Os Documentos do Vaticano", de um certo Nino
Lo Bello, um assassinato dessa natureza havia ocorrido em 1939.
No princípio de fevereiro daquele ano, Pio XI, de 82
anos, planejava um discurso especial contra o fascismo e o anti-semitismo
e denunciaria a concordata firmada com Mussolini. II Duce tinha,
pois, motivo forte para dar cabo do idoso papa. Conta-se que
24 horas antes de Pio ler o seu discurso para uma reunião
especial de bispos, recebeu uma injeção de um
Dr. Francesco Petacci. Além de suas funções
médicas dentro do Vaticano, Petacci era o pai de Clara
Petaccí, amante de Mussolini. Os defensores da teoria
da conspiração acreditam que Petacci tenha injetado
veneno no papa, pois ele morreu na manhã seguinte, antes
de poder ler o seu discurso, cujo texto nunca foi encontrado".
E agora surge o caso de Albino Luciani, eleito no dia 26 de
agosto de 1978, no quarto escrutínio, numa das eleições
mais rápidas da história do Vaticano, e morto
no dia 28 de setembro do mesmo ano, um dos reinados mais curtos
da história do papado. Mas não o mais curto de
todos. Este triste privilégio coube a Urbano VII, que,
em 1590, ocupou o trono de São Pedro durante 13 dias,
morrendo de morte natural, assim como Celestino III, que, em
1045, foi papa por 22 dias e Marcelo II, que reinou 23 dias,
em 1555. O único que teve morte violenta foi o já
citado Dâmaso II, cujo papado, em 1048, durou 24 dias.
No prefácio de Um Ladrão na Noite, John Cornwell
escreve: "Esta é a história de uma investigação
das circunstâncias da morte súbita do Papa João
Paulo I(...) e as alegações de que teria sido
assassinado por altos prelados da Igreja Católica Romana".O
Vaticano esperava que o autor obtivesse provas conclusivas da
falsidade dessas teorias. Cornwell se confessa um católico
relapso. Passou sete anos estudando em seminários ingleses,
mas deixou a Igreja em conseqüência de uma decisão
consciente de rejeitar tanto a vocação como
a fé em Deus. Não obstante, dedicou-se a um projeto
de investigação de fenômenos "sobrenaturais",
como a história de Padre Pio, o Estigmático; as
mais recentes provas a respeito do Santo Sudário de Turím,
e as aparições de Maria às crianças
de Medjugorje, na Iugoslávia. Foram essas últimas
que levaram o escritor a Roma, em outubro de 1987. e ali foi
súbita e surpreendentemente estimulado pelo Vaticano
a considerar um projeto inteiramente diferente: a verdadeira
história da morte de João Paulo I.
O primeiro encontro de Cornwell foi com o Arcebispo John Foley,
presidente da Comissão de Comunicação Social,
"um homem grande e calvo (...) o rosto inocente e redondo
como uma bolacha". Depois de uma troca de amenidades, Foley
surpreendeu o autor, dizendo: "Há quem diga que
o Papa João Paulo 1 foi envenenado por um de nós,
aqui, no Vaticano. Um de nós esta sendo apontado como
~ suspeito principal. E pena que alguém como você
não escreve a verdade sobre o que realmente aconteceu
(...) Estou certo de que seria mais interessante do que toda
essa ficção sensacionalista.'
Desnecessário dizer que john Cornwell aceitou a missão
e acabou produzindo Um Ladrão na Noite, um trabalho minucioso
e, supõe-se fiel a verdade, o que lhe falta em emoção
e drama sobra lhe em precisão e inteireza. É,
na verdade, mais um relatório do que uma obra de leitura
e como relatório deve ser lido.
Cabe, aqui, uma Biografia de Albino Lucíani. Nasceu
em I7 de Outubro de 1912. Filho de um operário francamente
socialista.
Freqüentou o seminário locais e foi ordenado em
1935, sendo nomeado vigário - geral de Belluno, sua terra
ttata!, Em 1948. Em 1958 foi designado bispo de Vittoria Vencto.
A partir de 1969, quando já era Patriarca de Roma, passou
a adotar um ponto vista mais de direita. Sua eleição
como papa causou quase tanta estupefação com a
sua morte 33 dias depois. Como podia o "candidato de Deus"
escolhido com tal entusiasmo por cardeais orientados pelo "Espírito
Santo" já estar morto?
Como causa mortis, infarto do miocárdio. O papa que tinha
66 anos incompletos e goza de boa saúde. Não morrera
dormindo, dizia o comunicado, mas sentado na cama lendo, com
os ósculos sobre o nariz.
Na quinzena que se seguiu a morte do papa choveram declarações
porta-vozes do Vaticano, de membros da papal, e de importantes
testemunhas, oficiais ou não. Nessas declarações,
Cornwell detectou dez contradições que persistem
até hoje e que envolvem um grave desacordo a respeito
dos seguintes pontos:
1º Quem
encontrou o corpo?
2º onde
o corpo foi encontrado?
3º A causa
oficial da morte.
4º A estimativa
da hora da morte.
5º A hora
e a legalidade do embalsamamento.
6º O que
o papa tinha nas mãos no momento da morte.
7º O verdadeiro
estado de sua saúde nos meses anteriores à sua
morte.
8º O paradeiro
dos objetos pessoais do papa que estavam na alcova papal.
9º Se a
Cúria havia ou não ordenado e realizado uma autópsia
secreta.
10º Se os
embalsamadores haviam ou não sido chamados antes de o
corpo ser oficialmente encontrado.
Os boatos de que João Paulo I teria sido assassinado
começaram a circular no dia mesmo de sua morte. Uma das
primeiras suspeitas foi levantada por uma organização
ligada ao ultratradicionalista Arcebispo Lefebvre: o papa fora
assassinado por "liberais" da igreja católica,
porque planejava abolir as modificações introduzidas
pelo Concilio Vaticano. Algumas das discrepâncias acima
citadas não haviam escapado à atenção
do grupo.
A Rádio Vaticano anunciou no dia 29 de setembro que
ao morrer, o papa lia A Imitação de Cristo, popular
obra de devoção dos católicos. Outras fontes
disseram que se tratava de sermões e discursos ou, alternativamente
de um discurso que iria proferir ante uma assembléia
de jesuítas.
A agência noticiosa italiana ANSA por sua vez, afirmou
que o corpo não fora encontrado pelo secretário
papal. Padre John Magee, mas por uma irmã. Vincenza,
que trazia o desjejum do pontífice, e que seus restos
mortais foram descobertos. não às 5h3Omin, mas
às 4h3Omin. Que teria acontecido nessa hora crucial?
Mas o despacho mais estranho, também divulgado pela
ANSA dizia que os embalsamadores, os irmãos Ernesto
e Renato Signoracci, foram apanhados em suas casas por um carro
do Vaticano às cinco horas da manhã e levados
diretamente à morgue da pequena cidade-estado, onde começaram
o seu trabalho. Em outras palavras, os irmãos haviam
sido chamados antes da descoberta oficial do corpo. O Vaticano
nunca se pronunciou a respeito.
A teoria da conspiração dos tradicionalistas
continuava a vir à tona, até atingir um bizarro
auge em 1983, no livro de Jean-Jacques Thierry, A Verdadeira
Morte de João Paulo I segundo o qual o secretário
de Estado, Cardeal Jean Villot, teria colocado um sósia
no lugar de Paulo VI e de ter planejado o assassinato de João
Paulo 1, depois de o infeliz papa ter descoberto um ninho de
maçons no Vaticano.
No mesmo ano foi publicado Pontífice, de Max Morgan-Witts
e Gordon Thomas, que também defendia a teoria do assassinato,
sugerindo que se tratava de um boato circulado pela KGB para
desacreditar o Vaticano.
Também em 1983 surgiu um roman-à-clef, intitulado
A Batina Vermelha, do francês Roger Peyrefitte, que
combinava uma trama da KGB com uma conspiração
da Máfia, os maçons e o Banco do Vaticano. Usando
para os seus personagens pseudônimos mal disfarçados
(o Arcebispo Paul Marcinkus, por exemplo, chama-se Larvenkus),
Peyrefitte sugere uma reviravolta na motivação:
o papa não era um reacionário morto por liberais.
Ao contrário: era um reformador liberal decidido a acabar
com a corrupção. O pano de fundo da intriga era
baseado em fatos bem conhecidos. O Banco do Vaticano tinha de
fato fortes elos com Roberto Calvi, o ambicioso presidente do
Banco Ambrosiano de Milão. Calvi, por sua vez, estava
ligado a Michele Sindona, um advogado e financista siciliano,
que estivera preso nos Estados Unidos e na Itália por
estelionato. Ambos eram amigos do presidente do Banco do Vaticano,
o notório Arcebispo Paul Marcinkus, e estavam associados
a Licio GeIli, um financista italiano que controlava a loja
pseudomaçônica P-2.
No dia 17 de junho de 1982, após o colapso do Banco
Ambrosiano, Calvi foi encontrado enforcado debaixo de uma ponte
em Londres. Até hoje não se sabe se foi suicídio
ou assassinato, e, em 1986, Sindona morria envenenado numa prisão
italiana. Em fins de 1987, Gellífora extraditado da Suíça
para Itália, onde era procurado pela Justiça.
No romance de Peyrefitte, Marcinkus e Villot assassinam
o papa com veneno injetado. Ao crime estão associados
Calvi, Sindona e Gelli. O motivo imediato dos prelados era evitar
a sua demissão. No caso de Marcinkus, sua exoneração
teria posto a descoberto o envolvimento maior do Banco
do Vaticano em extensas negociatas com a Máfia e os maçons.
Em 1984, o assunto ressurgiu num livro de David Yallop, Em
Nome de Deus, com a volta de todos os personagens centrais.
Assim como os autores que o precederam, Yallop, na opinião
de Cornwell, é forte em motivação e mistérios
circunstanciais e fraco em provas conclusivas que ligassem os
prelados ao assassinato. E os teóricos da conspiração,
fictícios ou reais, o que poderiam atribuir a esses homens
de Deus para trair a sua vocação e correr o risco
da excomunhão e danação eterna, sem falar
nos castigos no mundo dos vivos? Na verdade, o único
com um passado não imaculado era Marcinkus, que, segundo
revela Cornwell, esteve envolvido em escândalos financeiros
já em 1972, quando foi investigado pelo FBI por envolvimento
na falsificação de bônus no valor de um
bilhão de dólares. Sua amizade com Síndona
e Calvi era conhecida. Os quatros autores são unânimes
em afirmar que o novo papa estava de olho nele e a ponto de
expô-lo. As repercussões no mundo financeiro e
as implicações para as finanças do Vaticano
teriam sido incalculáveis. Até onde iria Marcinkus
para evitar o desastre?
Foi enfrentando esse labirinto de contradições
que John Cornwell iniciou a sua investigação.
Avistou-se com Deus (no sentido figurado, é claro)
e todo mundo. Entrevistou o próprio Marcinkus, que, entre
outras coisas, afirmou jamais se ter envolvido nas finanças
do Vaticano. Esteve com Don Diego Lorenzo, o secretário
italiano do papa morto. Compareceu a uma missa rezada por João
Paulo II e dele ouviu palavras de encorajamento: "Quero
que você saiba que tem o meu apoio e a minha bênção
neste seu trabalho."
Em janeiro, Cornwell procurou David YalLlop. que entrevistara
a irmã Vincenza e os irmãos Signoracci. A primeira
havia morrido em junho de 1983 e os embalsamadores se mostraram
tão confusos em seu depoimento a YaIlop, e mais tarde
a Cornwell, que a hipótese de uma esclerose avançada
não podia ser afastada.
Antes de voltar a Roma, Cornwell se avistou com um cardiologista
Americano que passava as férias em Londres. O médico
foi taxativo:
"Os cadáveres não ficam sentados, sorridentes
e lendo".
De regresso ao Vaticano, o autor voltou a se encontrar com
o Bispo John Magee, que lhe narrou um episódio ocorrido
um dia antes da morte de João Paulo I. O papa acusou
dores e mandou chamar a irmã Vincenza, recusando-se a
ver um médico. Sentindo-se melhor, jantou bem, e Magee
perguntou: "Santo Padre, já escolheu a pessoa que
vai promover o retiro da próxima Quaresma?" Respondeu
afirmativamente e acrescentou logo: "O tipo de retiro de
que gostaria neste momento seria uma boa morte".A morte,
segundo Magee era um dos assuntos constantes de suas conversas.
Seu papado seria de curta duração e ele seria
substituído "pelo estrangeiro". E citou uma
prece:
Senhor, concede-me a graça de aceitar a morte que me
abaterá. No dia seguinte, Deus atendeu o pedido daquele
homem modesto e bondoso, cujo mais constante pedido, formulado
milhares de vezes durante o seu curto reinado, era: "Senhor,
por favor, leva-me".A magnitude de sua missão o
assustava.
Num dos últimos parágrafos de Um Ladrão
na Noite, John Cornwell diz, mas não assegura:
"João Paulo, quase com certeza, morreu de embolia
pulmonar, devido a uma condição de coagulabilidade
anormal do sangue. Necessitava de descanso e medicação
monitorada. Se estes tivessem sido receitados, ele quase sem
dúvida teria sobrevivido. As advertências de uma
doença mortal estavam claras, à vista de todos.
Pouco ou nada foi feito para socorrê-lo ou salvá-lo."
Como sempre, as doenças, vistas em retrospecto, são
bem mais fáceis de diagnosticar e de curar.
(Extraído da Revista "Manchete" ano de 1989,
Número 1942, Ano 38, p.30-34; Pedimos desculpas caso
haja alguma falha, pois esta matéria foi scaneada de
uma revista muito velha. O proprietário nos informou
que a Revista Manchete queria pagar-lhe uma nota para que fosse
recolhida do mercado. Se isso é verdade não podemos
afirmar, mas a matéria é contundente).
SUCESSÃO APOSTÓLICA
por Paulo Cristiano da Silva
Todos conhecem o vocábulo "Papa" e designam-no
ao supremo chefe da Igreja Católica Apostólica
Romana. Este termo vem do grego e significa "Pai".
Já em latim ele é formado pela junção
da primeira sílaba das duas palavras latinas: "Pater
Patrum", que quer dizer "Pai dos Pais". Mas o
significado que os católicos mais gostam é: "Petri
Apostoli Potestatem Accipiens", isto é, "aquele
que recebe autoridade do apóstolo Pedro". Segundo
a doutrina católica, o papa é o sucessor de São
Pedro no governo da Igreja Universal e o Vigário de Cristo
na terra. Tem autoridade sobre todos os fiéis e sobre
toda a hierarquia eclesiástica. Além da autoridade
espiritual exerce uma territorial (interrompida de 1870 a 1929),
que, a partir de 1929, é limitada ao Estado da cidade
do Vaticano. É infalível quando fala "ex-cathedra"
em assuntos de fé e moral. Alguns títulos que
o papa ostenta dão uma amostra deste desvario descomunal,
são eles: Bispo de Roma, Primaz da Itália, Patriarca
do Ocidente, Vigário de Jesus Cristo, Servo dos Servos
de Deus, Sumo-Pontífice da Igreja Universal, Sucessor
do Príncipe dos Apóstolos, Soberano do Estado
da Cidade do Vaticano, Arcebispo e Metropolita da Província
Romana e Santo Padre.
O papado teve durante a história de sua existência
seus altos e baixos. Recentemente, o atual papa teve de pedir
desculpas aos judeus pelo seu antecessor o papa Pio XII e se
vê em palpos de aranha com a questão do celibato.
Apesar de toda esta imponência de chefe de Estado, líder
espiritual da maior parcela de cristãos do mundo (1 bilhão)
e administrador de um império financeiro que a cada ano
acumula bilhões de dólares; algumas perguntas
entretanto precisam ser feitas, tais como: existem provas bíblicas
e históricas que indiquem ser o papa o sucessor do apóstolo
Pedro? E Pedro, foi o primeiro papa e gozou de supremacia sobre
os demais apóstolos? Teria Pedro fundado a igreja de
Roma e tornado ela a sede de seu trono episcopal? O escopo de
nossa matéria é apresentar respostas adequadas
a perguntas cruciais como estas, haja vista, a internet estar
cheia de sites de cunho apologético católico com
o fito de refutar as verdades claras das escrituras sagradas
apresentadas pelos evangélicos.
"TU ES PETRUS ET SUPER HANC PETRAM AEDIFICABO ECCLESIAM
MEAM !"
Esta perícope de Mateus 16:18 é tão especial
para a cúria romana, que mandaram grava-la em enormes
letras douradas na cúpula da Basílica de São
Pedro em Roma. Destarte ela é a fonte primacial de toda
a dogmática católica. O "Tu es Petrus",
carrega atrás de si um séqüito de outras
heresias erigidas em cima dos sofismas, dos textos deslocados
de seus respectivos contextos, interpretados de modo arbitrário
pelos teólogos e doutores papistas. É ele o genitor
da infalibilidade papal, do poder temporal, e das demais aberrações
teológicas, ilogismos e invencionices dessa igreja. Portanto,
desmontar à luz da Bíblia todo este disparate
teológico é desmoralizar a base em que se firma
a eclesiologia do catolicismo.
A tese católica se firma em três questionáveis
pressupostos principais a saber:
1. A primeira
é a que diz que Cristo edificou a Igreja sobre Pedro,
numa interpretação toda tendenciosa e arbitrária
de Mateus 16:18,19.
2. A segunda
é a que afirma que Pedro fundou e dirigiu a Igreja de
Roma sendo martirizado também lá.
3. A terceira
se firma na suposta sucessão apostólica numa cadeia
ininterrupta até nossos dias; de Pedro à Karol
Wojtyla (João Paulo II ).
EM QUE PEDRA A IGREJA ESTÁ EDIFICADA?
O site católico http://www.lepanto.org.br/ApIgreja.html#Fund
da "Frente Universitária Lepanto" é
um site antiprotestante, e na página sobre a Igreja Católica,
interpretando Mat. 16:18, traz a seguinte declaração:
"Esse ponto é muito importante, pois a interpretação
truncada dos protestantes quer admitir o absurdo de que Nosso
Senhor não sabia se exprimir corretamente. Eles dizem
que Cristo queria dizer: "Simão, tu és pedra,
mas não edificarei sobre ti a minha Igreja, por que não
és pedra, senão sobre mim." Ora, é
uma contradição, pois Nosso Senhor alterou o nome
de Simão para "Kephas", deixando claro quem
seria a "pedra" visível de Sua Igreja."
Essa bombástica assertiva nada mais é do que
o ecoar das conjeturas conciliares pontificais. A princípio
pode até impressionar, mas carece totalmente de fundamentos.
Se não, vejamos: Jesus ao proferir a frase "E eu
te digo que tu és Pedro,(Petrus) e sobre esta pedra(Petra)
edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino
dos Céus: e tudo o que desatares sobre a terra, será
desatado também nos céus." estava afirmando
que realmente era ele a "PEDRA" a qual seria edificada
sua igreja. Para isto temos razões à saciedade:
1. Jesus ao se
referir a Pedro usa o termo grego "Petros" que significa
um "seixo", "pedregulho", mas ao se referir
à edificação da Igreja diz ser edificada
não sobre o "Petros" (Pedro), mas sobre a "Petra",
um rochedo inabalável. Ora, Jesus fez nítida diferença
semasiológica entre "Petra" e "Petros":
um é substantivo feminino singular e está na terceira
pessoa; o outro masculino plural e se encontra na segunda pessoa.
Demais disso, nunca o termo "Petra" é usado
na Bíblia em relação a homem algum, mas
somente em relação a Deus. Outrossim, tal verso
nem de longe insinua alguma coisa sobre Roma, sucessão
apostólica e congênere. Os católicos conseguem
ver o que não existe no texto!
2. A frase "Tu
és o Cristo filho do Deus vivo" é a chave
para entendermos toda a problemática. Jesus perguntou
a "TODOS", e não somente a Pedro, Quem Ele
era. A ele foi revelado confessar que Cristo era o Messias,
o Filho de Deus, daí a frase: "Bem-aventurado és
tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue
que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.
Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre
esta pedra edificarei a minha igreja...", ou seja, sobre
a confissão de que Ele era o Filho de Deus. A bem da
verdade, a Igreja nunca poderia estar solidamente edificada
sobre homem algum pois Pedro apesar de ter sido um grande apóstolo,
foi no entanto, falível e passível de erro como
demonstra de maneira sobeja o contexto imediato (Mat16: 23)
e os demais escritos neotestamentario.
3. O significado
de "Petros" e "Petra" está de perfeito
acordo com o contexto doutrinário e teológico
do N.T. Sendo "Petros" um fragmento tirado da grande
rocha, há de se ver uma conotação com todos
os cristãos como petros, e isto é descrito pelo
próprio Pedro: "vós também, quais
pedras vivas, sois edificados como casa espiritual..."
I Pedro 2:5 (ênfase acrescentada). Por sua vez todas elas
estão edificadas sobre a grande Petra que é Jesus
Efésios 2.20. Agora compare estes dois versos: "E
quem cair sobre ESTA PEDRA será despedaçado; mas
aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó..."
"E eu te digo que tu és Pedro, e sobre ESTA PEDRA
edificarei a minha Igreja..." (ênfase acrescentada).
Indubitavelmente, na primeira e na segunda sentença Jesus
é a pedra. Desde a época do salmista (Sl. 118:22),
passando pelo profeta Isaias, a palavra profética já
anunciava o Messias, como a PEDRA DE ESQUINA (Is. 28:16). Jesus
afirmou ser ele mesmo essa Pedra, Mateus 21:42,44. Outrossim,
é bom rememorar que na narrativa de Marcos a frase de
Cristo: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei
a minha igreja", é omitida (Mc 8.27-30). Isto não
é de pouca relevância, pois Marcos por muito tempo
foi companheiro de Pedro (I Pe 5.13) e segundo Eusébio,
foi deste que Marcos coletou suas informações
para redigir seu evangelho. Pedro em nenhum momento disse de
si mesmo como a rocha ou pedra da igreja, se não, Marcos
teria confirmado de modo enfático. Se porventura o dogma
da superioridade de Pedro é verdadeiro e de tamanha importância,
como a Igreja Católica ensina, não parece praticamente
inconcebível que os registros de Marcos e de Lucas se
silenciem a respeito?
4. Kephas significa
pedra ou Pedro? João nos dá a resposta: "E
o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és
Simão, filho de João, tu serás chamado
Cefas (que quer dizer Pedro)." João 1:42. Veja que
Cefas ou Kephas, significa Pedro e não pedra! Para fazer
jus à coerência e a lógica, Jesus deveria
ter dito mais ou menos assim: "Tu és Kephas e sobre
esta kephas edificarei..." ou "Tu és Pedro
e sobre este Pedro edificarei..." se não houvesse
nenhuma diferença.
5. Teria Jesus
mudado o nome de Simão Barjonas para Pedro ou apenas
acrescentado? Ora, quando se muda um nome faz-se necessariamente
uma substituição. O nome anterior não é
mais mencionado como no caso de Abrão para Abraão.
Já no caso de Pedro apenas foi acrescentado como bem
atesta Lucas "agora, pois, envia homens a Jope e manda
chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro" Atos
10:5,18,32 - 11:13 (ênfase acrescentada). Veja que é
um nome acrescentado e não mudado como querem os teólogos
do Vaticano. Veja ainda que ele continuou sendo chamado de Simão
(Atos 15:19) ou Simão Pedro (João 21:2,3,7) algo
que no mínimo seria estranho se o antigo nome tivesse
sido trocado. Querer ver nisto uma ligação da
suposta supremacia petrina com relação ao papado
é ir longe demais!
6. Alardeia os
católicos em ver na simbologia das chaves (v.19) uma
supremacia jurisdicional sobre toda a cristandade. Conquanto
sabemos ser a chave outorgada realmente a Pedro para "abrir"
e "fechar", no entanto cabe salientar que foram as
chaves do Reino do Céu e não da Igreja que foram
dadas...e Reino do Céu não é a Igreja!
O uso dessas chaves estavam antes nas mãos dos fariseus
(cf. Lucas 11:52). Essas chaves representam a propagação
do evangelho de arrependimento de pecados, pelo qual todos os
cristãos, e não Pedro apenas, podem abrir as portas
dos céus para os pecadores que desejam ser salvos. Tanto
é, que em Mateus 18:18 Jesus a confia aos demais apóstolos;
Pedro portanto foi o primeiro a usa-la em Pentecostes, onde
quase três mil almas foram salvas, depois a usou para
pregar ao primeiro gentio Cornélio. É esta a chave
que abre a porta, e não é prerrogativa exclusiva
do hierarca católico. Ninguém tem poder de monopoliza-la
como querem os Católicos Romanos.
Certo site Ortodoxo comentando sobre o assunto em lide, disse
com muita propriedade: "Para a Igreja una e indivisa a
interpretação desta passagem do Evangelho é
toda outra. Como disse Orígenes (fonte comum da Tradição
patrística da exêgese), Jesus responde com estas
palavras à confissão de Pedro: este torna-se a
pedra sobre a qual será fundada a Igreja porque exprimiu
a Fé verdadeira na divindade de Cristo. E Orígenes
comenta: "Se nós dissermos também: 'Tu és
o Cristo, Filho de Deus Vivo', então tornamo-nos também
Pedro (...) porque quem quer que seja que se una a Cristo torna-se
pedra. Cristo daria as chaves do Reino apenas a Pedro, enquanto
as outras pessoas abençoadas não as poderiam receber?".
Pedro é, então, o primeiro "crente"
e se os outros o quiserem seguir podem "imitar" Pedro
e receber também as mesmas chaves. Jesus, com as Suas
palavras relatadas no Evangelho, sublinha o sentido da Fé
como fundamento da Igreja, mais do que funda a Igreja sobre
Pedro, como a Igreja Romana pretende. Tudo se resume, portanto,
em saber se a Fé depende de Pedro, ou se Pedro depende
da Fé... Por isso mesmo, Cipriano de Cartago pôde
afirmar que a Sé de Pedro pertence ao Bispo de cada Igreja
Local, enquanto Gregório de Nissa escrevia que Jesus
"deu aos Bispos, através de Pedro, as chaves das
honras do Céu". A sucessão de Pedro existe
onde a Fé justa (ortodoxa) é preservada e não
pode, então, ser localizada geograficamente, nem monopolizada
por uma só Igreja nem por um só indivíduo.
Levando a teoria da primazia de Roma às últimas
conseqüências, seríamos obrigados a concluir
que somente Roma possui essa Fé de Pedro - e, nesse caso,
teríamos o fim da Igreja una, santa, católica
e apostólica que proclamamos no Credo: atributos dados
por Deus a todas as comunidades sacramentais centradas sobre
a Eucaristia." E mais "Afirma, depois, a Igreja de
Roma que é ela a Igreja fundada por Pedro e que essa
fundação apostólica especial lhe dá
direito a um lugar soberano sobre todo o universo. Ora a verdade
é que, para além do fato de não sabermos
realmente se Pedro foi o fundador dessa Igreja Local e o seu
primeiro Papa (aliás, terão os Apóstolos
sido Bispos de qualquer Igreja Local...?), temos conhecimento
que outras cidades ou outras localidades mais pequenas podiam,
igualmente, atribuir a si mesmas essa distinção,
por terem sido fundadas por Pedro, Paulo, João, André
ou outros Apóstolos. Assim, o Cânone do 6º
Concílio de Nicéia reconhece um prestígio
excepcional às Igrejas de Alexandria, Antioquia e Roma,
não pelo fato de terem sido fundadas por Apóstolos,
mas porque eram na altura as cidades mais importantes do Império
Romano e, sendo assim, deram origem a importantes Igrejas Locais..."
ONDE A PRIMAZIA DE PEDRO?
A dialética vaticana ávida por achar um nepotismo
em Pedro em detrimento aos demais apóstolos, esquiva-se
em seus sofismas teológicos. Procuram a qualquer preço
encontrar nas sagradas escrituras um elo de ligação
entre a "protagonização" de Pedro e
a alegada supremacia do papa. Os argumentos apresentados são
quase sempre furtados de seus contextos a fim de fortalecer
essa cadeia de quimeras teológicas. Para justificar tal
devaneio, saem pela tangente arrazoando que:
a) A Pedro foi
conferida com exclusividade a chave dos céus (Mat. 16:19).
b) A Pedro foi
dado por duas vezes, cuidar com exclusividade do rebanho de
Cristo (Lc. 22:31,32 - Jo 21:15,17).
c) Pedro foi
o primeiro a pregar um sermão em Pentecostes. (At. 2:14)
d) Pedro foi
o primeiro a evangelizar um gentio. (At. 10:25)
e) Testemunha,
diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo. (At. 4:8)
f) No catálogo
dos apóstolos (Mt 10:2-4; Mc 3:16-19; Lc 6:13-16; At
1:13), o nome de Pedro sempre é colocado em primeiro
lugar.
g) Escolhe Matias
para suceder Judas. (At. 1:15)
A pessoa que analisar o assunto pelas lentes papistas, tende
a ficar impressionada com a avalanche de textos que colocam
Pedro no topo da lista de exclusividades. A primeira vista,
a abundância de primeiro, primeiro, primeiro tende a sustentar
essa corrente. Entrementes, vamos expurgar do engodo romanista
tais textos e veremos que não são tão pujantes
quanto parecem.
a) A questão
correspondente já está respondida de maneira sobeja
neste opúsculo.
b) Os católicos
frisam nestes textos a palavra "confirmar e apascentar"
e vêem neles uma suposta primazia jurisdicional petrina.
A falácia deste argumento está em não mostrar
que o apóstolo Paulo também "confirmava"
as igrejas (cf. At. 14:22 - 15:32,41). Quanto ao "apascentar",
esta também não era uma exclusividade de Pedro
pois todos os bispos consoante At. 20:28 deveriam ter esta incumbência.
Para sermos coerentes deveríamos dar este "status"
de primazia aos demais, pois não só apascentavam
como confirmavam as igrejas.
c) Ora, Pedro
ao pregar em pentecostes estava apenas fazendo uso das chaves
para abrir a porta da salvação. Demais disso,
alguém tinha de tomar a palavra e coube a Pedro o mais
velho e intrépido. Mas... ao terminar a mensagem, ninguém
o teve por especial, mas dirigiram-se a todos (At. 2:37) com
a expressão: "Que faremos varões IRMÃOS?"
(ênfase acrescentada). Dirigiram-se a toda a igreja e
não apenas a Pedro.
d) Ao contrário
do que pensam os católicos, o caso de Cornélio
é um contragolpe no argumento romanista pois Pedro teve
de dar explicações perante a Igreja por ter se
misturado e comido com um gentio. Raciocinemos, onde a primazia
de Pedro neste episódio? Se a tivesse, porventura daria
explicações perante seus supostos comandados?
Certamente que não! Mas Pedro teve de se explicar, por
que não possuía nenhum governo sobre os demais.
e) A refutação
segue o mesmo parâmetro da anterior.
f) É bom
frisarmos que este primeiro lugar na lista de nomes é
apenas de caráter cronológico e não funcional.
Percebe-se que os quatro primeiros nomes da lista dos sinópticos
são: Simão, André, João e Tiago
são os primeiros a serem chamados para seguir o mestre
e dentre eles coube a Pedro ter uma prioridade cronológica.
Não obstante em outros lugares como em Gálatas
2:9 seu nome não aparece nesta posição.
g) A miopia exegética
é um mal constante na cúpula romana e leva-a a
ver o que não está no texto! Lendo cuidadosamente
At. 1:15-26 vemos que Pedro apenas expôs o problema, qual
seja, a falta de um sucessor para o cargo de Judas, no entanto
Matias foi eleito pela igreja por voto comum, e não por
decisão de Pedro.
Os sofismas destes textos são flagrantes, contudo, a
derrocada teológica peremptória destes argumentos,
está nas atitudes de Cristo - o ÚNICO Sumo Pastor,
Chefe Supremo, Cabeça e Fundamento da Igreja - em não
titubear e corrigir algumas precoces ambições
de supremacia entre eles. Certa feita tal idéia foi sugerida
ao mestre (Mateus 20:18-27) que no mesmo instante a rechaçou
dizendo: "...Sabeis que os governadores dos gentios os
dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles.Não
será assim entre vós; antes, qualquer que entre
vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos
sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro,
será vosso servo;..." (ênfase acrescentada).
Noutra feita essa questão foi novamente levantada. (cf.
Lucas 22:24) Veja que se os apóstolos tivessem cientes
desta utópica promessa, de maneira alguma teriam levantado
esta questão e o próprio pescador Galileu, ou
mesmo Jesus, haveriam de esclarecer-lhes o primado de Simão
Pedro sobre eles, a recordar a alegada promessa em Mateus 16:18.
Mas não o fez, simplesmente por não existir.
O próprio Pedro desfaz essa lenda ao dizer que: "ninguém
tenha DOMÍNIO sobre o rebanho..." (cf. I Pd. 5:1-3)
Não se pode ver aí nenhum vestígio de superioridade,
supremacia ou destaque sobre os demais, pois ele mesmo se igualava
aos outros dizendo: "...que sou também presbítero
com eles..." Pedro jamais mandou! Pelo contrário,
foi mandado...e obedeceu (Atos 8:14) fazendo jus às palavras
de Jesus "Não é o servo maior do que o seu
senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou."
(Jo. 13:16)
PEDRO ESTEVE EM ROMA?
Não obstante a Bíblia trazer um silêncio
sepulcral sobre o assunto, os católicos afirmam ser fato
incontestável ter sido o apóstolo Pedro o fundador
da igreja em Roma. Atribuem-lhe ainda um pontificado de 25 anos
na capital do império e conseqüente morte neste
lugar. É claro que estas ligações são
a-priori de valor inestimável, pois entrelaçadas
vão robustecer a tese vaticana da primazia do papado.
Contudo, não deixam de ser argumentos gratuitos! Há
de se frisar que somente a chamada "(con) tradição",
vem em socorro da causa romanistas nestas horas e mesmo assim
de maneira dúbia. Vejamos:
Pedro não pode ter sido papa durante 25 anos, pois foi
martirizado no reinado do Imperador Nero, por volta de 67/68.
Subtraindo vinte cinco anos, retrocederemos ao ano de 42 ou
43. Nessa época não havia se realizado o Concílio
de Jerusalém (Atos 15), que se deu por volta de 48-49,
Pedro participou (mas não deveria pois segundo a tradição,
nesta época, ele estava em Roma), no entanto, foi Tiago
quem o presidiu (Atos 15;13,19). Em 58, Paulo escreveu a epístola
aos Romanos. E no capítulo 16 mandou uma saudação
para muitos irmãos, mas Pedro sequer é mencionado.
Paulo chegou a Roma no ano 62 e foi visitado por muitos irmãos
(Atos 28;30 e 31). Todavia, nesse período, não
há nenhuma menção de Pedro. O Apóstolo
Paulo escreveu quatro cartas de Roma: Efésios, Colossensses,
Filemon(62) e Filipenses(entre 67 e 68) mas Pedro não
é mencionado em nenhuma delas. Se Pedro estava em Roma
no ano 60, como se deve entender a revelação referida
nos Atos dos Apóstolos 23:11, em que Jesus disse a Paulo:
"Importa que dês testemunho de mim também
em Roma?" Cadê o papa de Roma na ocasião?
É por estas e outras que não acreditamos que
Pedro tenha fundado ou presidido a Igreja de Roma como afirmam
os católicos!
O INSUSTENTÁVEL SUPORTE DA TRADIÇÃO
A tradição é um dos pilares nos quais
se assenta a teologia romanista. O principal órgão
desta tradição é a chamada "Patrística"
que são os escritos dos primitivos cristãos. Essa
tradição é de relevante valor à
causa católica, pois dela advem toda a sofismática
da tal "Sucessão Apostólica". É
dela que é extraída a má interpretação
de Mateus 16:18, da primazia de Roma, da corrente sucessória
de S. Pedro etc. Na verdade as coisas são bem diferentes
quando analisadas de maneira honesta.
Dos inúmeros "pais da Igreja", somente 77
opinaram a respeito do assunto de Mateus 16:18, sendo que 44
reconheceram ser a fé de Pedro a rocha. 16 deles julgaram
ser o próprio Cristo e somente 17 concordaram com a tese
vaticana. Nenhum deles afirmavam a infalibilidade de Pedro e
tão pouco o tinham como papa. Exemplo disso é
S. Agostinho que em seu Livro I, Capítulo 21 das Retratações
(Livro escrito no fim da sua vida, para retratar-se de seus
escritos anteriores) expressamente afirma que sempre, salvo
uma vez, ele havia explicado as palavras Sobre esta pedra -
não como se referissem à pessoa de Pedro, mas
sim a Cristo, cuja Divindade Pedro havia reconhecido e proclamado.
Diz certa fonte católica que: "Se a corrente da
sucessão apostólica por alguma razão encontra-se
interrompida, então as ordenações seguintes
não são consideradas válidas, e as missas
e os mistérios, realizados por pessoas ilegalmente ordenadas
- desprovidos da graça divina. Essa condição
é tão séria que a ausência de sucessão
dos bispos em uma ou outra denominação cristã
despoja-a da qualidade de Igreja verdadeira, mesmo que o bensino
dogmático presente nela não esteja deturpado.
Esse foi o entendimento da Igreja desde o seu início."
Pois bem, procurarei não ser prolixo ao historiar sobre
essa questão. Todos sabem que o trono dos papas teve
seus momentos de vacância, muitos papas conquistaram este
título por dinheiro, alguns papas considerados legítimos
foram condenados como hereges, outros pela ganância do
cargo foram envenenados por seus rivais, ainda outros foram
nomeados por imperadores; quando não, havia três
ou mais papas se excomungando mutuamente pela disputa da cadeira
de São Pedro. Sem falar é claro, da época
negra da pornocracia. Não é debalde que na "Divina
Comédia", Dante Alighieri, coloca vários
papas no inferno! Há ainda uma tremenda contradição
nas muitas listas dos pontífices romanos expostas por
historiadores católicos, nas quais os nomes de tais sucessores
aparecem trocados ou faltando. Não creio que estes homens
sejam os verdadeiros sucessores da cátedra de Pedro!
A bem da verdade, essa tal sucessão ininterrupta e contínua
dos papas é totalmente arrebentada e falsa. É
por demais ultrajante mesmo para uma mente mediana suportar
tamanha incongruência!
Pelo que foi resumidamente exposto acima, podemos concluir
serenamente que: PEDRO NUNCA FOI PAPA E NEM O PAPA É
O VIGÁRIO DE CRISTO.
OBRAS CONSULTADAS
NOITES COM OS ROMANISTAS; M.H. Seymour -Edições
Cristãs
DOZE HOMENS, UMA MISSÃO; ARAMIS C. DE BARROS - EDITORA
LUZ E VIDA
O CRISTIANISMO ATRAVÉS DOS SÉCULOS; EARLE E.
CAIRNS - EDICÇOES VIDA NOVA
PEDRO NUNCA FOI PAPA NEM O PAPA É VIGÁRIO DE
CRISTO; ANIBAL P. REIS - EDIÇÕES CAMINHO DE DAMASCO
QUEM FUNDOU SUA IGREJA; Pe. ALBERTO LUIZ GAMBARINI - EDITORA
ÁGAPE (católico)
OS PAPAS ; AQUILES PINTONELLO - EDIÇÕES PAULINAS
A HIERARQUIA; Pe. JOSÉ COMBLIN - PAULUS
TRADIÇÃO:
SUPORTE DO PAPADO?
por Paulo Cristiano da Silva
" NÃO REFUTAREI APENAS AS ACUSAÇÕES
LEVANTADAS CONTRA NÓS; FAREI COM QUE ELAS SE VOLTEM CONTRA
SEUS PRÓPRIOS AUTORES " (Tertuliano, 220 d. C.)
A IMPORTÂNCIA DA TRADIÇÃO NO CATOLICISMO
O Concilio de Trento define a tradição como o
"conjunto de doutrinas reveladas referentes à fé
e a moral, não consignadas nas Escrituras Sagradas, mas
oralmente transmitidas por Deus à Igreja" (Sessão
IV, de 8 de Abril de 1546)
"A Sagrada Tradição", afirma O Concílio
Ecumênico Vaticano II através de sua Constituição
Dogmática Dei Verbum "a Sagrada Tradição...transmite
integralmente aos sucessores dos apóstolos a Palavra
de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo
aos apóstolos..."
A teologia da idade Média escampada pelos Concílios
Ecumênicos de Trento, do Vaticano I e do Vaticano II,
impingiu a tese de que o consenso unânime dos pais da
Igreja se constitui em legitima revelação. Ele
é imprescindível e fundamental na Tradição.
A tradição é a fonte primordial de todas
as doutrinas extrabíblica encontrada no bojo dogmático
do catolicismo e o papado é uma delas. Por isso que somente
após o concílio tridentino da contra-reforma,
foi que apareceram as primeiras coleções de obras
patrísticas - o primeiro órgão da Tradição
- fazendo frente à reforma protestante levada a cabo
por Martinho Lutero. Era necessário dar um status de
autoridade à tradição a fim de dar suporte
às heresias papais. O teólogo católico
Van Iersel, em seu artigo: "O uso da Bíblia na Igreja
Católica", inserido no vol. V, de Temas Conciliares
na página 17, confessa: "...em oposição
à reforma deu-se um lugar à Tradição
ao lado da Escritura, o que tornava muito relativo o valor da
Bíblia".(ênfase acrescentada)
Foi assim que a tradição ganhou força
junto às Escrituras, sendo até mesmo superior
a esta pois, "Pela mesma Tradição...as próprias
escrituras são nela cada vez melhor compreendidas..."
sublinha o Concílio Vaticano II.
MALOGRO ROMANISTA
A assertiva da cúria papal de que havia unanimidade
e consenso de opinião entre os pais da igreja, tornou-se
um tanto utópica, quando se constatou que só numa
coisa êles concordavam: - é que discordavam em
quase tudo.
Forjar a necessária concordância unânime
era preciso!
Com esse propósito, o papa Leão X, em 28 de Abril
de 1515, como produto da 10ª Sessão do 5º Concílio
de Latrão, emitiu a Bula "Inter Multiplices",
estabelecendo os Índices Expurgatórios, cujo objetivo
consistia em examinar as obras patrísticas existentes.
Muitas obras dos seis primeiros séculos dos pais da igreja
foram repudiadas.
Em 8 de Abril de 1546, na 4ª Sessão do Concílio
de Trento, foi levado a cabo o trabalho de "expurgo",
anteriormente estabelecido pelo papa Leão X no Concilio
de Latrão. Trechos inteiros contra as pretensões
(doutrinárias) romanistas refutadas pelos reformadores,
foram extraídos e houve muito enxerto...muitas frases
e palavras foram interpoladas no intuito de se transformar o
significado dos textos ao sabor das interpretações
desejadas. Como disse certo professor de seminário (católico)
a um de nossos apologistas: "a interpretação
dessas obras depende muito de quem as traduzem!".
Todavia é importante salientar que nem mesmo as passagens
que são amiúde invocadas pelos apologistas católicos
com o fito de angariar apoio ás pretensões da
origem e desenvolvimento do papado, não são tão
relevantes assim, e muitas são até mesmo distorcidas
e deslocadas do seu contexto. Muita dessa tradição
entra em contradição não só com
a Bíblia mas mesmo entre si como veremos.
A IGREJA PRIMITIVA
Ao contrário do que afirma a Igreja Católica,
o cristianismo primitivo não estava dividido hierarquicamente.
Ademais, é um fato incontestável que não
houve episcopado monárquico no primeiro século.
As igrejas eram governadas por colegiados de bispos ou presbíteros
que eram termos usados de modo intercambiável (ver Atos
20.17 e 28; Tito 1.5 e 7). O teólogo católico
José Comblin, em seu livrete intitulado "Hierarquia",
na página 18 é concorde em dizer que: "No
meio deles, Pedro tem um papel de porta-voz.", entretanto,
alerta: "Mas ele não é como o superior. São
todos iguais.(ênfase acrescentada). Afirma ainda que nas
primeiras comunidades cristãs não havia hierarquia,
pois todos estavam unidos no colegiado apostólico e "cada
igreja agia de modo independente" (pág. 19).
Portanto, a tal supremacia de Pedro sobre os demais são
argumentos inconsistentes, pueris que veio à tona apenas
200 anos depois da morte de Cristo, e que posteriormente foi
usado para promover a doutrina do papado. Há de se ressaltar
que em meados do século II, borbulhavam, muitas obras
apócrifas contendo histórias sobre este apóstolo,
tais como: Os Atos de Pedro, Evangelho de Pedro, Apocalipse
de Pedro e outras. Isto posto, declaramos que não há
indício algum de que Cristo tenha feito de Pedro o chefe,
ou como costuma dizer o hierarca romano: o príncipe dos
apóstolos. Tudo isto é argumento gratuito.
ENTÃO COMO SE DEU A ORIGEM DO PAPADO ?
Seja como for, uma coisa é certa: ela não se
deu da noite para o dia. O desenvolvimento da sé romana
e a supremacia de seu líder se deram paulatinamente.
A primeira menção desta igreja aparece na epístola
do apóstolo Paulo dirigida aos cristãos ali congregados.
Algo que merece nossa atenção é que nesta
epístola, Paulo manda saudações a diversos
irmãos, mas em nenhum momento menciona o suposto papa
"São Pedro" ou sua primazia. Contudo, muitos
fatores contribuíram para dar vida ao papado no cenário
mundial; eis alguns deles:
AS TRADIÇÕES: No
segundo século surgiu uma tradição propalada
por Irineu de que tanto Paulo como Pedro, haviam fundado e dirigido
àquela igreja, posteriormente diz outra "tradição"
levada a cabo por Orígenes de que os dois haviam sido
martirizados naquela cidade. Jerônimo chega a dizer que
Pedro governou esta igreja durante 25 anos. Assim, mais e mais
foi se solidificando a lenda de que Pedro havia fundado a igreja
em Roma e transferido para lá o seu pontificado, sem
ter contudo apoio bíblico. Este foi apenas o embrião
da supremacia da igreja de Roma. Outrossim, visto à grosso
modo, muitos pais da igreja como Cipriano e Irineu deram a entender
que a sé romana tinha algum tipo de supremacia sobre
as demais, ainda que limitada.
AUMENTO DO PODER: Além
disso, já numa época remota, a igreja de Roma
tornou-se a maior, a mais rica e a mais respeitada de toda a
cristandade ocidental. Outro fator que contribuiu para a ascendência
da igreja romana e do seu líder foi a própria
centralidade e importância da capital do Império
Romano. Logo apareceram cinco cidades que se destacaram como
metrópoles: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia
e Jerusalém, os bispos destas regiões receberam
o título de "Patriarcas". Apesar dos bispos
das igrejas serem iguais uns aos outros na administração
dos ritos litúrgicos e na doutrina, eles começaram
a distinguir-se em dignidade de acordo com a importância
dos lugares onde estavam localizadas suas dioceses. Ao Bispo
de Roma foi concedida a precedência honorária simplesmente
porque Roma era então a capital política do mundo,
ele foi considerado "o primeiro entre os iguais".
PREDOMINÂNCIA DO BISPO ROMANO (I)
: Outro elemento importante é que desde cedo a
igreja romana e os seus líderes reivindicaram direta
ou indiretamente, certas prerrogativas especiais.. No fim do
segundo século, o bispo Vítor (189-198) exerceu
considerável influência na fixação
de uma data comum para a Páscoa, algo muito importante
face à centralidade da liturgia na vida da igreja. Relevante
também foi o alvitre de S. Irineu (202) o qual, como
ele mesmo confessa, procurou conscienciosamente um bispo que
pudesse ser aceito pela maioria do episcopado, para desempenhar
a missão de árbitro nas questões disciplinares
e nas dúvidas e controvérsias doutrinárias,
que surgiam freqüentemente entre os bispos das várias
igrejas.
Esta proposta foi aceita quase imediatamente pela quase totalidade
das igrejas, e fez que o Bispo de Roma começasse a ser
consultado com freqüência, o que muito contribuiu
para aumentar a sua autoridade,
embora a primeira decretal oficial (carta normativa de um bispo
de Roma em resposta formal à consulta de outro bispo)
só tenha surgido em 385, com Sirício. Por volta
de 255, o bispo Estêvão utilizou a passagem de
Mateus 16.18 para defender as suas idéias numa disputa
com Cipriano de Cartago. E Dâmaso I (366-84) tentou oferecer
uma definição formal da superioridade do bispo
romano sobre todos os demais.
Essas raízes da supremacia eclesiástica romana
foram alimentadas pelas atividades capazes de muitos papas.
No quinto século destaca-se sobremaneira a figura de
Leão I (440-61), considerado por muitos na verdade"o
primeiro papa". Leão exerceu um papel estratégico
na defesa de Roma contra as invasões bárbaras
e escreveu um importante documento teológico sobre a
pessoa de Cristo (o Tomo) que exerceu influência decisiva
nas resoluções do Concílio de Calcedônia
(451). Além disso, ele defendeu explicitamente a autoridade
papal e usou muito o titulo "papa" (mais tarde Gregório
VII, reivindicou para a sé romana este título
com exclusividade) articulando mais plenamente o texto de Mateus
16.18 como fundamento da autoridade dos bispos de Roma como
sucessores de Pedro. Seu sucessor Gelásio I (492-96)
expôs a teoria das duas espadas: dos dois poderes legítimos
que Deus criou para governar no mundo, o poder espiritual -
representado pelo papa - tinha supremacia sobre o poder secular
sempre que os dois entravam em conflito.O Sínodo de Sárdica
declarava que se um bispo fosse deposto pelo sínodo de
sua província, este poderia apelar para o bispo de Roma.
Já o Sínodo de Palma declarava que o bispo de
Roma não estava submisso a nenhum tribunal humano. O
máximo de pretensão papal de supremacia se encontra
no artigo 22 do Dictatus do papa Gregório VII em que
se afirma que jamais houve erro na Igreja Romana. Já
Inocêncio III cria ser o papa, o verdadeiro "Vigário
de Cristo" na terra. O imperador Valentiniano III num edito
de 445, reconhece a supremacia do bispo de Roma: "Para
que uma tola perturbação não venha a atingir
as igrejas ou ameace a paz religiosa, decretamos - de forma
permanente - que não apenas os bispos da Gália
mas também os das outras províncias, não
venham a atentar contra o antigo costume [de submeter-se à]
autoridade do venerável padre (papa) da Cidade Eterna.
Assim, tudo o que for sancionado pela autoridade da Sé
Apostólica será considerado lei por todos, sem
exceção. Logo, se qualquer um dos bispos for intimado
a comparecer perante o bispo romano, para julgamento, e, por
negligência, não comparecer, o moderador da sua
província deverá obrigá-lo a se apresentar."
PREDOMINANCIA DO BISPO ROMANO (2) :
Comitantemente às reivindicações eclesiásticas
cresceu também o poder temporal dos papas devido ao declínio
dos principais rivais de Roma. O bispo de Jerusalém perdeu
o poder após a destruição pelos romanos.
O bispo de Éfeso perdeu o poder quando foi sacudida pelo
cisma montanista. Alexandria e Antioquia declinaram logo também,
deixando Roma e Constantinopla como as maiores sedes do cristianismo
primitivo. Todavia as guerras teológicas e os inúmeros
cismas juntamente com as invasões dos mulçumanos,
aos poucos foram minando a unidade dos orientais, deixando isolado
o bispo de Roma. Este foi se solidificando cada vez mais no
Ocidente como o "pai" dos cristãos. Coube a
ele defender Roma dos ataques bárbaros. Muito ajudou,
a conversão destes povos para o cristianismo romano;
no que mais tarde iria desembocar no famigerado poder temporal.
FALSOS DOCUMENTOS : Essas teorias
fictícias, que foram destinadas a ser reconhecidas como
verdadeiras por alguns séculos - entretanto mais tarde
identificadas claramente como as fraudes mais habilmente forjadas
- são duas: as Pseudo-Clementinas e os Decretos do Pseudo-Isidoro.
Os Escritos Pseudo-Clementinos - A Tentativa de Promover Pedro
e a Sé de Roma ao Poder Supremo. Os escritos Pseudo-Clementinos
eram "Homílias" (discursos) espúrios
erroneamente atribuídos ao Bispo Clemente de Roma (93-101),
que tentavam relatar a vida do Apóstolo Pedro. O objetivo
era um só: a elevação de Pedro acima dos
outros Apóstolos, particularmente o Apóstolo Paulo,
e a elevação da Sé de Roma diante de qualquer
outra Sé episcopal. "Pedro", era alegado, "que
foi o mais hábil de todos (os outros), foi escolhido
para iluminar o Ocidente, o lugar mais escuro do Universo".
As "Homilias" foram escritas para amoldar a interpretação
equivocada de Mateus 16:18-19, que "tu és Pedro,
e sobre esta rocha edificarei minha igreja . . . e dar-te-ei
as chaves do reino do céu". É equivocada
porque a palavra "rocha" não se refere a Pedro,
mas à fé em que "Tu és o Cristo, o
Filho do Deus Vivo" (v. 16). Não há mencionado
na Bíblia um só sinal da primazia de Pedro sobre
os outros Apóstolos e, se uma primazia era pretendida,
uma decisão de tal importância e magnitude certamente
teria sido mencionada na Bíblia em linguagem inequívoca.
Em muitos casos o contrário é verdadeiro; Paulo
escreveu aos Gálatas, "eu me opus a ele (Pedro)
em rosto, porque ele estava sendo censurável" (2,11);
além disso, é bem sabido que Pedro negou Cristo
por três vezes. Pedro não fundou a Igreja de Roma;
ele efetivamente permaneceu em Antioquia por vários anos
antes de chegar a Roma. Dizer que, assim como Cristo reina no
Céu, Pedro e seus sucessores os papas governam a Terra,
é uma afirmação contrária ao espírito
do Evangelho e ao entendimento da Igreja antiga. Cristo era
e é a pedra angular e a Cabeça da Igreja, que
consiste de todos os membros de Seu Corpo (cf. Col.1:24).
As Pseudo-decretais ou decretais pseudo-isidorianas (754 -
852). Eram falsificações entre as quais se encontrava
a tal "doação de Constantino". Neste
documento constava uma suposta dádiva que o imperador
fizera ao bispo de Roma, doando-lhe todas as terras do império
em recompensa de uma cura recebida. Colocava o bispo de Roma
como"caput totius orbis" (cabeça de toda a
terra), tanto sobre a igreja (poder espiritual) como sobre os
territórios (poder temporal). Esta falsificação
foi considerada autentica até o século XV, e ajudou
muito o bispo romano reforçar o primado papal, dando
um aparente fundamento jurídico às pretensões
dos papas. Os papas usaram e abusaram destes falsos documentos!
ELEVAÇÃO DO BISPO
Se existe algo que a história da Igreja ensina, este
algo é que às vezes um forte zelo pela doutrina
ou ênfase demasiada em certos aspectos da vida desta que
fora esquecido e tornou a ser resgatado, pode levar uma pessoa
ou igreja voluntariamente ao erro. Um exemplo registrado nos
anais da história é de Sabélio, que chegou
a negar a Trindade ao tentar salvaguardar a unidade de Deus,
Ário descambou para uma interpretação anti-biblica
do relacionamento de Cristo com o Pai em sua tentativa de evitar
aquilo que ele considerava ser o perigo do politeísmo.
A doutrina romana da "Sucessão Apostólica"
e da elevação do poder do bispo sai igualmente
deste molde. Tentando defender a fé ortodoxa das heresias
vigentes da época, alguns pais da igreja criaram um mecanismo
de defesa contra os hereges (gnósticos) centralizado
no poder dos bispos e a elevação deste sobre os
presbíteros. Isto mais tarde foi deturpado e alargado
pelo bispo de Roma. Por volta do ano 110, Inácio bispo
de Antioquia na Síria escreve sobre a importância
do bispo na igreja, diz ele: " Cuidado para que todos obedeçam
ao bispo, como Jesus Cristo ao Pai, e o presbiterato como aos
apóstolos, e prestem reverência aos diáconos
como sendo instituição de Deus. Que os homens
não façam nada relacionado à Igreja sem
o bispo. Que seja considerada uma apropriada Eucaristia àquela
que é (celebrada) seja pelo bispo, seja por alguém
a quem ele a confiou. Onde o bispo estiver, ali esteja também
a comunidade (dos fiéis); assim como onde Jesus Cristo
está, ali está a Igreja Católica. Não
é legal sem o bispo batizar ou celebrar festa de casamento;
mas tudo o que ele aprovar, isso será aprovado por Deus,
de modo que qualquer coisa que seja feita, seja segura e válida"
(Inácio de Antioquia, Epístola à igreja
em Esmirna 8). Nesta mesma época Clemente de Roma escreve
sua carta aos Coríntios para corrigir os cismas que estava
havendo entre eles, pois estes haviam chegado a ponto de expulsarem
os presbíteros da igreja. Clemente escreve-lhes para
impor a importância da hierarquia dos bispos. Mais tarde,
Irineu, em sua obra apologética, "Contra Heresias",
uma refutação aos argumentos gnósticos,
que haviam apelado para a tradição, desenvolve
uma linhagem histórica de sucessão episcopal desde
os apóstolos até os bispos atuais, tomando como
exemplo a Igreja de Roma, por ser a mais conhecida entre todas.
Já no ano 200 existe um bispo em cada cidade se declarando
cada qual sucessores dos apóstolos. Cada um procura mostrar
que o primeiro da lista foi um apóstolo, assim temos
as listas das principais igrejas da época:
Jerusalém: 1. Tiago, irmão de Jesus 2. Simeão
3. Justo 4.Zaqueu 5. Tobias...
Antioquia: 1. Pedro Evódio 2. Inácio 3. Heros
4. Cornélio 5. Eros...
Alexandria: 1. Marcos (evangelista) 2. Aniano 3. Abílio
4. Cerdo 5. Primo...
Roma: 1. Pedro e Paulo (?) 2. Lino 3. Anacleto ou Cleto 4.
Clemente 5. Evaristo...
Nesta época a hierarquia já era constituída
por 1º- Bispo, 2º- Presbítero, 3º Diáconos.
Mais tarde o Concílio de Nicéia estabelece um
bispo para cada cidade. No entanto, apesar desta gradual elevação
do cargo do bispo, ainda não se fala em supremacia do
Bispo de Roma sobre os demais, nem de papa, pois todos eram
iguais e independentes, havendo uma união fraternal entre
as várias igrejas. Se às vezes a sé romana
parece elogiada em demasia é devido à sua posição
política e territorial; é devido unicamente ao
seu status de capital do Império.
ALEGAÇÕES CATÓLICAS
Os católicos quando são pressionados pelos argumentos
bíblicos esposados pelos evangélicos contra o
primado do papa, não conseguindo dar uma resposta bíblica
satisfatória, vão se socorrer na chamada "Tradição".
É preciso lembrar que a "Tradição"
para o católico é a junção das obras
patrísticas e o moderno "Magistério Eclesiástico"
que é uma decorrência da infalibilidade da igreja,
estabilizada na pessoa do romano pontífice através
do Concílio Vaticano I. Desde já, rejeitamos totalmente
o "Magistério Eclesiástico" por ser
este muito posterior aos pais da igreja, produto do catolicismo
estruturado e organizado. Ficamos entretanto, com a "Patrística",
todavia, somente com os escritos dos pais pré-nicenos,
pois ainda a igreja de Roma não havia ainda se tornado
Igreja estatal, tendo sua riqueza e autoridade multiplicada
pelas concessões de Constantino o que a tornou mais corrupta
ainda. Os ditos pais pós-nicenos não possui a
mínima autoridade em matéria de fé pois
muitos deles já estavam contaminados com as heresias
romanas.
A primeira alegação é a que aponta a suposta
autoridade do bispo de Roma nos escritos dos pais da igreja,
querendo dar uma certa autoridade à tese do primado do
bispo de Roma. Dizem nossos antagonistas:
"As citações seguintes testemunham o que
os primeiros cristãos pensavam sobre a primazia da Igreja
de Roma (e, conseqüentemente, a primazia do papa, sucessor
direto de São Pedro) sobre as demais." (Fonte: Agnus
Dei)
Clemente de Roma
"Se, porém, alguns não obedecerem ao que
foi dito por nós, saibam que se envolverão em
pecado e perigo não pequeno" (Clemente de Roma,
+100, Carta aos Coríntios 59,1).
Eles pretendem que a frase acima é alguma imposição
de Clemente aos Coríntios. Nada mais longe da verdade!
O teor da carta não deixa tal conclusão. O que
Clemente fez foi ajudar aquela igreja que estava sem líderes,
já que a igreja de Roma, era nesta época, bem
estruturada e podia auxiliar a sua co-irmã na fé.
Tanto é que ele prossegue dizendo: 2"Contudo, nós
seremos inocentes deste pecado e pediremos em súplica
e oração constante para que o Criador de tudo
conserve intacto o número dos que foram contados entre
Seus escolhidos em todo o mundo, por seu Filho mui amado, Nosso
Senhor Jesus Cristo, pelo qual nos chamou das trevas para a
luz, da ignorância para o conhecimento da glória
de seu nome." Não há nenhuma imposição
ou supremacia papal ! Teoricamente, nesta época, o apóstolo
João ainda estava vivo e se Clemente estivesse impondo
algo sobre a igreja, certamente João o teria repreendido
como fez com certo Diótrefes, que gostava de exercer
a primazia na igreja (III João 9).
Inácio de Antioquia
"Inácio... à Igreja que preside na região
dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada
'feliz', digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza,
que preside ao amor, que porta a lei de Cristo, que porta o
nome do Pai, eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho
do Pai" (Inácio de Antioquia, +107, Carta aos Romanos
[Prólogo]).
"Nunca tiveste inveja de ninguém; ensinastes a
outros. Quanto a mim, desejo guardar aquilo que ensinais e preceituais"
(Inácio de Antioquia, +107, Carta aos Romanos 3,1).
"Em vossa oração, lembrai-vos da Igreja
da Síria que, em meu lugar, tem Deus por pastor. Somente
Jesus Cristo e o vosso amor serão nela o bispo"
(Inácio de Antioquia, +107, Carta aos Romanos 9,1).
Novamente perguntamos: onde está a supremacia do papa
nesta carta? Ora, o prólogo é um elogio ardoroso
de Inácio. Ele também usou estes mesmos elogios
aos Magnésios: "Inácio, também chamado
Teóforo, à Igreja abençoada na graça
de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, com quem eu saúdo
a Igreja que está na Magnésia, próxima
ao [rio] Meandro, e desejo a ela grande alegria em Deus Pai
e em Jesus Cristo, nosso Senhor, em quem vocês poderão
encontrar grande alegria." E mais, "Que eu possa alegrar-me
convosco em todas as coisas, se o merecer! Mesmo acorrentado,
não sou digno de ser comparado a qualquer de vós
que estais em liberdade." ou aos efésios : "Inácio,
também chamado Teóforo, àquela que é
bendita em grandeza na plenitude de Deus Pai, predestinada antes
dos séculos a existir em todo o tempo, unida para uma
glória imperecível e imutável, e eleita
na Paixão verdadeira, pela vontade do Pai e de Jesus
Cristo nosso Deus à Igreja digna de bem-aventurança,
que vive em Éfeso da Ásia, todos os bens em Jesus
Cristo e os cumprimentos numa alegria impoluta." Se seguirmos
esta linha de pensamento, não é justo também
colocarmos os Magnésios e os efésios em pé
de igualdade aos Romanos ? Demais disso, Inácio diz algo
que vai ao encontro do argumento da primazia jurisdicional,
pois no início de suas saudações ele põe
a igreja de Roma em sua devida jurisdição quando
diz: "à Igreja que preside na região dos
romanos" (ênfase acrescentada) mostrando que esta
igreja tinha sua própria jurisdição territorial
e não possuía nenhum poder sobre as demais igrejas
como querem os romanistas.
IRENEU
.. "Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores
dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos
somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por
todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos
apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição
apostólica que ela guarda e a fé que ela comunicou
aos homens chegaram até nós através da
sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos
aqueles que querem procurar a verdade onde ela não pode
ser encontrada. Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade
superior, é necessário que esteja de acordo toda
comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro;
nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos"
(Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,3,2).
Este trecho de Ireneu é muito usado pelos católicos
como prova de que a igreja de Roma tinha a primazia entre as
outras. Entretanto é preciso escoimar tal alegação.
Alarmado pelo pulular de heresias e de interpretações
absurdas da Bíblia propaladas pelos seitários
da época como Valentino, Marcião, Menander, Cerinto,
Basílio e outros, procurava ele pôr um dique a
tamanha calamidade, propondo uma Igreja que pudesse tornar-se
como que o padrão, seguindo meticulosamente, a sucessão
apostólica das mais importantes dioceses então
existentes, pesquisando ao mesmo tempo a conservação
da Doutrina e das tradições apostólicas,
em cada uma delas. E conclui propondo como exemplar a Igreja
de Roma, por ser de maior autoridade, isto é, por ser
a da Capital do Império. É necessário salientar
que esta questão de sucessões apostólica
juntamente com a tradição foi um arranjo levantado
como alternativa para combater os Gnósticos de então.
Como diz Ireneu "Quando estes são argüidos
a partir das Escrituras, põem-se a acusar as próprias
escrituras...". Os gnósticos com o fito de defenderam
suas heresias em relação a Deus e a Cristo como
Demiurgo (criador), apelavam para as escrituras. Todavia quando
eram refutados pelos apologistas através das próprias
escrituras, apelavam para a chamada "tradição".
Prosseguindo Ireneu diz: "...é impossível
achar neles (nos textos bíblicos) a verdade se se ignora
a tradição. Porque - (prosseguem dizendo) - essa
verdade não foi transmitida por escrito e sim de viva
voz...", o principal texto dos gnósticos era o de
ICo. 2.6. Ireneu deixou-se levar pelo mesmo raciocínio
inventando uma defesa de modo inverso, "Quando", afirma
ele, "...então passamos a apelar para a tradição
que vem dos apóstolos e se conserva nas igrejas pelas
sucessões dos presbíteros, opõem-se à
tradição."
Os gnósticos diziam que sua doutrina era muito antiga
e que havia recebido do próprio Jesus Cristo. Ireneu
por sua vez repele tal asseveração dizendo que
se havia uma doutrina pura e perfeita, esta forçosamente
tinha que estar com as igrejas fundadas pelos apóstolos
as quais (pelo menos em teoria) foram transmitidas aos seus
sucessores. Desta maneira Roma entrou de contra golpe por vários
motivos que nem de longe tem a ver com a tal primazia do papa.
Vejamos:
1. Ireneu apela
para o elo de sucessão de TODAS as igrejas e não
somente de Roma. A razão ele mesmo da ao dizer que "...seria
demasiadamente longo, num volume como este, enumerar as sucessões
de todas as igrejas..." , tanto é que mais adiante
ele cita como exemplo Policarpo, bispo de Esmirna, e seus sucessores.
2. Irineu escolheu
Roma justamente, por que como já dissemos, era a principal
Igreja do Império, a mais rica e por isso a mais conhecida.
3. Outra razão
era que muitos apócrifos petrinos (principalmente de
origem gnóstica) circulavam em sua época, haja
vista que os líderes hereges mencionados acima espalharam
suas heresias em Roma no ministério de bispos como Higino,
Pio e Aniceto; Ireneu apela (mesmo contra o depoimento das escrituras)
para tais tradições e arbitrariamente atribui
a fundação desta Igreja a Pedro e Paulo, lançando
o prestígio que Pedro possuía entre eles contra
os mesmos, tentando assim, um contra golpe nos argumentos gnósticos.
Vale a pena ressaltar que a frase do trecho acima recolhido
no site católico é deveras tendenciosa quando
traduz, "Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade
superior, é necessário que esteja de acordo toda
comunidade..." No livro "Antologia dos Santos Padres"
de Cirilo Folch Gomes, OSB - ed. Paulinas, traduz " Porque
é com esta igreja (de Roma), em razão de sua mais
poderosa autoridade de fundação, que deve..."
(ênfase acrescentada) Não há nenhum indício
de superioridade devido a um suposto papa nela residente. Outrossim,
Ireneu apela não para a igreja de Roma como autoridade
final, mas para a igreja "Católica", ou seja,
UNIVERSAL espalhada pelo mundo todo, a comunidade de cristãos.
Se de fato o apologista reconhecesse alguma superioridade, primazia
jurisdicional, temporal ou espiritual no bispo de Roma; e neste
como o sucessor de São Pedro com todas as regalias e
autoridade que os papas modernos se auto intitulam, teria no
livro III 24:1 de "Contra as Heresias", a preciosa
oportunidade de afirmar que eles (os gnósticos) estavam
separados da ROCHA que é Pedro. Entretanto, observe o
que ele diz: "Porque não estão fundados sobre
a única rocha, mas sobre a areia, a areia dos muitos
saibros", com certeza uma referencia à passagem
de Mateus 7:24-26.
Infelizmente todo o silogismo de Ireneu acabou numa apagogia!
CIPRIANO
"O Senhor diz a Pedro: "Eu te digo que és
Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas
do inferno não prevalecerão sobre ela. Dar-te-ei
as chaves do reino dos céus... O Senhor edifica a sua
Igreja sobre um só, embora conceda igual poder a todos
os apóstolos depois de sua ressurreição,
dizendo: "Assim como o Pai me enviou, eu os envio. Recebei
o Espírito Santo, se perdoardes os pecados de alguém,
ser-lhes-ão perdoados, se os retiverdes, ser-lhes-ão
retidos. No entanto, para manifestar a unidade, dispõe
por sua autoridade a origem desta mesma unidade partindo de
um só. Sem dúvida, os demais apóstolos
eram, como Pedro, dotados de igual participação
na honra e no poder; mas o princípio parte da unidade
para que se demonstre ser única a Igreja de Cristo...
Julga conservar a fé quem não conserva esta unidade
da Igreja? Confia estar na Igreja quem se opõe e resiste
à Igreja? Confia estar na Igreja, quem abandona a cátedra
de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?" (São
Cipriano, +258, bispo de Cartago, Sobre a Unidade da Igreja).
À princípio devemos admitir que Cipriano cria
que Roma era a cátedra de Pedro e assegurava naquela
época a unidade das igrejas, pois havia um vinculo de
fraternidade entre todas elas como bem atesta Tertuliano, "
... Foi inicialmente na Judéia que [os apóstolos]
estabeleceram a fé em Jesus Cristo e fundaram igrejas,
partindo em seguida para o mundo inteiro a fim de anunciarem
a mesma doutrina e a mesma fé. Em todas as cidades iam
fundando igrejas das quais, desde esse momento, as outras receberam
o enxerto da fé, semente da doutrina, e ainda recebem
cada dia, para serem igrejas. É por isso mesmo que serão
consideradas como apostólicas, na medida em que forem
rebentos das igrejas apostólicas. É necessário
que tudo se caracterize segundo a sua origem. Assim, essas igrejas,
por numerosas e grandes que pareçam, não são
outra coisa que a primitiva Igreja apostólica da qual
procedem. São todas primitivas, todas apostólicas
e todas uma só. Para atestarem a sua unidade, comunicam-se
reciprocamente na paz, trocam entre si o nome de irmãs,
prestam-se mutuamente os deveres da hospitalidade: direitos
todos esses regulados exclusivamente pela tradição
de um mesmo sacramento" ( Da Prescrição dos
Hereges XIII-XX ).Contudo, cada igreja era autônoma e
possuía seus próprios patriarcas, o bispo de Roma
não era o cabeça da cristandade como mais tarde
veio a ser cada vez mais reivindicado pelos papas. Seja como
for, uma coisa é certa, "Ele admitia a seu modo
o primado romano" ( A. Hamman, "Os Padres da Igreja"
- Ed. Paulinas). Ainda dizia Cipriano que a Sé de Pedro
pertence ao Bispo de cada igreja local.
Algo que vem a corroborar para a derrocada romanista é
o fato de que este trecho em outras versões não
deixa tanto em relevo o primado de Roma. Onde uma traz, "Confia
estar na Igreja, quem abandona a cátedra de Pedro sobre
a qual está fundada a Igreja?", a outra se reserva
aos dizeres: " Confia estar na Igreja quem se opõe
e resiste à Igreja?" (ibdem)
Deve-se notar ainda que Cipriano escreveu esta carta para combater
e rechaçar o cisma promovido por Felicíssimo em
Cartago e concomitantemente enviou-a a Roma para combater o
cisma que Novato criara na disputa do episcopado com Cornélio.
O motivo principal do contraste entre Cornélio e Novato
foi a atitude oposta em relação aos "lapsos",
isto é, os cristãos que, por temor das perseguições,
tinham renunciado a própria fé e que, passadas
as perseguições, pediam para ser
readmitidos na comunhão da Igreja. Norteando-nos por
este contexto podemos compreender o "porque" de Cipriano
insistir na unidade da Igreja. Ele não estava exaltando
o bispo de Roma, mas combatendo os cismas em Roma e em Cartago,
onde era bispo.
SUJEIÇÃO AO BISPO DE ROMA, ONDE ?
Não obstante a história mostrar muitos bispos
de outras igrejas estarem unidos a Roma e considerar de algum
modo sua preeminência, no entanto eles não titubeavam
em repreende-lo quando necessário. Posto que se trata
de questões de primazia, é cabível acreditarmos
que o Bispo romano apesar de reivindicar uma posição
privilegiada não possuía nenhum poder maior sobre
as demais igrejas. Algumas querelas que ficaram nos anais da
história mostram isto de forma inequívoca. Na
verdade muitos bispos romanos se curvaram perante a posição
de alguns pais.
TERTULIANO
Não se sabe ao certo quando se estabeleceu essa presunçosa
aspiração do bispo de Roma. Entretanto, já
em 220 A.D, Tertuliano em sua obra De Pudicitia, emprega o termo
(papa) de maneira sarcástica - como era seu estilo -
ao referir-se a vários bispos da Igreja primitiva, com
a qual rompera anos antes. Já nesta época por
exemplo, Tertuliano acusava o bispo Calixto de querer ser o
bispo dos bispos. Este título ao contrário do
que muitos pensam, não era monopólio do bispo
romano, muitos como Policarpo, Cipriano, Heraclas, Atanásio
de Alexandria foram denominados de " PAPAS ". Tertuliano
acabou rompendo por final com a Igreja de Roma.
POLICARPO E IRENEU
No ano 155 o Bispo Policarpo de Esmirna visitou o Bispo Aniceto
de Roma e teve com ele algumas desavenças sobre algumas
questões, e também a fim de persuadi-lo a aceitar
a tradição estipulada pelo Apóstolo João
de observar a Páscoa (Pascha), no dia judaico 14 de Nissan
ou Passover, seja qual fosse o dia da semana. O bispo romano
havia recebido uma tradição diferente através
de Pedro e dos evangelhos sinópticos, de acordo com a
qual a Páscoa deve ser sempre celebrada no Domingo, o
primeiro (ou oitavo), dia da semana judaica após Nissan
14. Diz Eusébio citando Ireneu em sua História
Eclesiástica (Livro V cap. XXIV) que nem Policarpo conseguiu
persuadir Aniceto e nem este a Policarpo. No final ele acrescenta
que "Aniceto cedeu a Policarpo". Mais tarde porém,
o bispo Victor de Roma sofreu severas criticas por parte de
Ireneu e outros bispos quando arbitrariamente quis impor sua
autoridade desligando as Igrejas da Ásia por causa da
tão chamada controvérsia "Quartodécima".
Prossegue Eusébio relatando que o bispo romano foi, por
muitos, duramente repreendido, "Também restam as
expressões que empregaram para pressionar com grande
severidade a Vitor. Entre eles também estava Ireneu..."(ibdem).
CIPRIANO
Estêvão I (254-357), romano, sucedeu a Lúcio
I depois de uma vacância de dois meses. Afirmou insistentemente
o primado, sobretudo nos contrastes com Cipriano, o influente
bispo de Cartago, por problemas que se relacionavam com a disciplina
eclesiástica ou questões teológicas, como
a da validade do batismo administrado por heréticos.
Estêvão, que representava a tradição
de Roma, Alexandria e Palestina, acreditava que esse batismo
era válido, contrastado nisso também pelo bispo
Cipriano que seguia a mesma linha de Tertuliano e juntamente
com os bispos da Ásia Menor, havia convocado dois sínodos
para afirmar a não validade do batismo dos heréticos.
Naquela ocasião, Estevão recusou-se até
mesmo a receber os enviados de Cipriano. Rebatizar segundo ele
era contrário à tradição e isso
não podia ser tolerado. Por sua vez Cipriano retrucou
com a igreja romana apelando para a tradição de
sua igreja. Convocando um novo Sínodo Cipriano pediu
aos bispos que manifestassem suas opiniões, dizia ele:
"Vamos, cada um por sua vez, declarar nosso sentimento
em face deste problema, sem pretender julgar ninguém
NEM EXCOMUNGAR os que forem de parecer diferente" (ênfase
acrescentada). Duas coisas ficam evidentes nesta questão:
A alusão ao autoritarismo de Estevão; e o mesmo
direito que o bispo romano possuía para "excomungar",
Cartago o tinha igualmente. Também pela mesma época,
dois bispos espanhóis depostos por um sínodo espanhol,
apelaram para Estevão e foram reintegrados a comunhão.
Mas um sínodo, reunido por Cipriano na Metrópole
da África, anulou o ato de Estevão, confirmando
o sínodo espanhol. Ao que parece a unidade da Igreja
Católica (Universal) , tão propalada pelo bispo
Africano em sua "De Unitate Catholicae Ecclesiae"
estava sendo rompida.
No ano de 418, reuniu-se em Cartago um Concílio de todos
os bispos africanos, no qual foi sancionado o seguinte Cânon:
"Igualmente decidimos que os Presbíteros, Diáconos
e outros Clérigos inferiores, nas causas que surgirem,
se não quiserem se conformar com a sentença dos
bispos locais, recorram aos bispos vizinhos, e com eles terminem
qualquer questão... E que, se ainda não se julgarem
satisfeitos e quiserem apelar, não apelem se não
para os Concílios Africanos, ou para os Primazes das
próprias Províncias: - e que, se alguém
apelar para a Sé Transmarina (de Roma) não seja
mais recebido na comunhão..."
Por esta Regra Conciliar se vê que os Bispos Africanos
não aceitavam e não admitiam que fosse aceita
a jurisdição do bispo de Roma!
AS CONTRADIÇÕES DAS TRADIÇÕES
Dizia Gregório de Nissa : "Se um problema é
desproporcional ao nosso raciocínio, o nosso dever é
permanecer bem firmes e irremovíveis na Tradição
que recebemos dos Pais" Contudo, Deus não confiou
na chamada "tradição oral", tanto é
que mandou seus servos escreverem seu verbum sacrum em livros.
A tradição com o passar do tempo corrompe o significado
real das coisas. Muitas tradições aceita pelas
igrejas entravam em flagrante contradição quando
confrontadas umas com as outras, a titulo de ilustração
temos o celebre caso da grande controvérsia sobre a páscoa
já citada neste estudo. De um lado estava as igrejas
da Ásia sustentada por certa tradição recebida
segundo eles pelo apostolo João de que a páscoa
tinha de ser celebrada no 14 Nisan, já as do Ocidente
alegavam que haviam recebido uma tradição diferente
dada pelo apostolo Pedro e Paulo de que deveria ser no domingo.
Cada qual defendia ardorosamente sua posição.
Será que Pedro e João transmitiram "tradições"
diferentes a estas igrejas ? Quem estava certo ?
Veja que tais tradições não passam de
meras contradições! As interpretações
equivocadas e muitas vezes forçadas de alguns dos pais
e escritores da igreja primitiva, começaram a ser transformadas
em regras de fé pelos Concílios através
dos séculos. Estes dogmas que existem hoje em dia na
igreja Católica, foi apenas outrora a interpretação
particular de alguns dos pais da igreja e não a regra
de fé e prática de toda a igreja cristã,
prova disso é que não havia unanimidade entre
eles sobre vários assuntos. Por exemplo, Tertuliano era
radicalmente contra o batismo infantil, já Orígenes
era a favor, Anselmo afirmava que Maria nasceu com a mancha
do pecado original, Jerônimo era ao que parece contra
a chamada "tradição oral", Hegesipo
e Ireneu e Tertuliano afirmavam que Maria teve filhos com José,
Jerônimo defendia arduamente a virgindade perpétua
de Maria, muitos eram a favor de que Pedro era o fundamento
da igreja em Mateus 16:18, mas um número maior ainda
era contra essa interpretação, como por exemplo,
Agostinho, bispo de Hipona, o decreto Gelasiano afirmava que
o livro intitulado "o pastor de Hermas" era apócrifo
e promulgava que não deveria meramente ser rejeitados
mas também "eliminados de toda a Igreja Católica
e Apostólica romana, sendo que os autores e seguidores
desses autores devem ser amaldiçoados com a corrente
inquebrável do anátema eterno." Já
Atanásio admoestava que era útil para a leitura
não havendo menção a ele como apócrifo.
Muitas posições teológicas defendidas por
uns, eram rejeitadas por outros, não havia um consenso
geral como querem nos fazer crer os estudiosos católicos!
A igreja começou a transformar essas incongruências
em dogmas somente após o século IV, por isso o
Padre Benhard em 1929 escreveu: "...A Bíblia em
si mesma, não é mais do que letra morta, esperando
por um intérprete divino... Certo número de verdades
reveladas têm chegado a nós, somente por meio da
tradição divina." Ora, Jesus afirmou que
a palavra de Deus é que é a verdade! Se há
outras verdades que não são reveladas pelas escrituras
que é a depositária de toda a verdade, então
não são verdades, mas tão somente inverdades!
MAIS CONTRADIÇÕES
Vejamos ainda o "Decreto Gelasiano" que ao se referir
sobre a morte de Pedro e Paulo afirma que os dois foram martirizados
ao mesmo tempo: "Acrescente-se também a presença
do bem-aventurado apóstolo Paulo, "o vaso escolhido",
que não em oposição - como afirmam as heresias
dos tolos - mas na mesma data e no mesmo dia, foi coroado com
a morte gloriosa juntamente com Pedro, na cidade de Roma, padecendo
sob Nero César; e igualmente eles fizeram a supra mencionada
Santa Igreja romana especial para Cristo, o Senhor, e deram
preferência de suas presenças e triunfos dignos
de veneração perante todas as demais cidades existentes
sobre a Terra." Dionísio é concorde com isto
pois afirma: " Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos
Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A
seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os
mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente"
(Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas
cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na "História
Eclesiástica" de Eusébio, II,25,8). Entretanto
Paulo diz o contrário, "Só Lucas está
comigo. Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é
muito útil para o ministério." A tradição
diz que Pedro estava com ele mas Paulo desmente afirmando que
só Lucas permanecia junto a ele antes de sua morte!
PERGUNTAS QUE OS CATÓLICOS PRECISAM RESPONDER
Mostraremos aqui algumas perguntas que são barreiras
insuperáveis à tese católica da fundação,
estadia, governo e a morte de Pedro em Roma.
1. Se Pedro esteve
em Roma, então por que a Bíblia não diz
nada sobre isto, já que menciona muitas cidades por onde
passou como Jerusalém, Samaria, Lida, Jope, Cesaréia,
Coríntios, Antioquia... mas sobre Roma no entanto, não
diz nada?!
2. Porque Lucas
"o historiador" não se preocupou em registrar
nada sobre o "príncipe dos apóstolos"
e seu episcopado em Roma, pelo contrário voltando-se
quase exclusivamente ao ministério de Paulo?!
3. Paulo escreveu
sua epistola aos Romanos (56-58) enviando saudações
a 26 pessoas mas o nome do "Papa São Pedro"
se quer é mencionado. Porventura deixaria Paulo de mencionar
Pedro, caso estivesse ele em Roma e ai fosse bispo? Outrossim,
Paulo ao enviar as "cartas do cativeiro", escritas
em Roma envia saudações citando nominalmente 11
irmãos. Se Pedro estivesse em Roma teria Paulo omitido
seu nome em todas as quatro cartas ? Creio que não!
4. Demais disso,
não teria Paulo invadido o território jurisdicional
de Pedro ao enviar uma carta de instruções corretivas
àquela Igreja ? Onde estava Pedro que não instruía
os romanos sobre a justificação pela fé
?
5. Entre os anos
60-61 Paulo chega preso em Roma (At. 28:11,31), Lucas registra
que os irmãos foram vê-lo (At. 28:15). Mas onde
estava Pedro que não foi receber seu colega de ministério?
6. Suetonius
Tranquillus, pagão, na Biografia do Imperador Cláudio,
diz: "Judacos, impulsore Cresto, assidue tumultuantes Roma
expulit". Quer dizer: - O Imperador Cláudio expulsou
de Roma os Judeus que viviam em contínuas desavenças
por causa de um certo Cresto (Cristo). Ora, Cláudio foi
Imperador desde o ano de 41 até 54. Logo, durante esses
treze anos não era possível que S. Pedro residisse
em Roma.
No Capítulo 18 dos Atos dos Apóstolos, lemos que
Paulo, depois do célebre discurso no Areópago,
seguiu para Corinto, onde se encontrou com Áquila e sua
esposa Priscila, recentemente chegados de Itália, pelo
motivo de Cláudio Imperador ter mandado sair de Roma
a todos os judeus. Ora, este encontro do Apóstolo deu-se
no correr da sua segunda viagem apostólica, isto é,
entre os anos de 52 a 54. Logo, ainda nesses anos Cláudio
não permitia a permanência de judeus em Roma. Como
ficaria lá São Pedro, que, como Apóstolo,
devia necessariamente chamar a atenção geral sobre
sua pessoa?
7. Se Pedro estivesse
em Roma no ano 60 como se afirma a tradição, como
então deve se entender as palavras de Jesus a Paulo em
Atos 23:11 que diz: "Importa que dês testemunho de
Mim também em Roma." Ora, onde estava Pedro "o
Papa" da cristandade que não tornava conhecido o
nome de Jesus nesta cidade ?
8. Paulo foi
a Roma a primeira vez prisioneiro, em virtude de haver apelado
para o Tribunal de César, pelos anos de 60 ou 61, lá
não encontrando cristãos entre os judeus. Ora,
se S. Pedro estivesse em Roma pregando exclusivamente aos judeus
como nos garante Eusébio, como se pode explicar a ignorância
dos principias judeus de Roma, que disseram a Paulo: "Quereríamos
ouvir da tua boca o que pensas, porque o que nós sabemos
desta Seita (dos Cristãos) é que em toda parte
a combatem". Então Pedro, durante dezoito anos,
poderia permanecer desconhecido dos principais judeus de Roma?
Ele, a quem fora confiado o Ministério aos circuncidados
no dizer de Paulo (Gal. 3,7-10) e de Eusébio Pámphili?
9. Ora, mas se
Pedro estivesse preso, não seria esta a razão
de sua omissão? Neste caso Paulo seria relapso em não
registrar este fato como fez com seus demais companheiros de
prisão (cf. Colossenses 4:10 - Filemon 23).
10. Diz os estudiosos
católicos que Pedro morreu no reinado de Nero em 69 d.c,
outros coloca o ano de 67, e ainda outros 64. A tradição
diz que ele exerceu o episcopado durante 25 anos. Subtraindo
25 de 69 chegamos ao ano de 44 onde afirma a tradição
que Pedro chegou a Roma (Hist. Ecl. II - XIV) Esta tese encontra
duas grandes dificuldades: A primeira é que o edito de
Nero expulsando os judeus durou de 42 até 54, motivo
também da expulsão de Áquila e Priscila.
Pedro não seria exceção tampouco! A segunda
é que no ano 45, Pedro escreve sua primeira epistola,
e que por sinal não era de Roma mas de "Babilônia",
cidade existente naqueles dias (I Pedro 5:13).
11. Se Roma tem
a primazia por ser supostamente considerada a cidade em que
Pedro alegadamente exerceu seu ministério, então
razão maior deveria ser dada a Antioquia pois diz a mesma
tradição que antes de Pedro ir para Roma exerceu
primeiro seu episcopado em Antioquia deixando lá seus
sucessores: Evódio e Inácio.
12. Porque estudiosos
católicos como Rivaux, Fank, Hughes e Daniel Rops se
contradizeram ao fazer as listas dos bispos de Roma já
que usaram a mesma tradição como fonte?
DESLIZES DOS SUPOSTOS PAPAS
O papa Marcelino entrou no templo de Vesta e ofereceu incenso
à deusa do paganismo Foi, portanto, idólatra;
ou,pior ainda; foi apóstata! Libório consentiu
na condenação de Atanásio; depois, passou-se
para o arianismo fato este confirmado até por Jerônimo.
Honório aderiu ao maniqueísmo. Gregório
I chamava Anticristo ao que se impunha como Bispo Universal;
e, entretanto, Bonifácio III conseguiu obter do parricida
imperador Focas este título em 607. Pascoal II e Eugênio
III autorizavam os duelos, condenados pelo Cristo; enquanto
que Júlio II e Pio IV os proibiram. Adciano II,em 872,
declarou válido o casamento civil; entretanto,Pio VII,
em 1823, condenou-o.Xisto V publicou uma edição
da Bíblia e, com uma, recomendou a sua leitura; e aquele
Pio VII excomungou a edição. Clemente XIV aboliu
a Companhia de Jesus, permitida por Paulo III; e o mesmo Pio
VII a restabeleceu.
Vergílio comprou o papado de Belisário, tenente
do imperador Justiniano. Por isso, foi condenado no segundo
concílio de Calcedônia, que estabeleceu este cânone:O
bispo que se eleve por dinheiro será degradado. Sem respeito
àquele cânone, Eugênio III, seis séculos
depois, fez o mesmo que Vergílio, e foi repreendido por
São Bernardo. Deveis conhecer a história do papa
Formoso: Estêvão XI fez exumar o seu corpo, com
as vestes pontificais; mandou cortar-lhes os dedos e o arrojou
ao Tibre. Estêvão foi envenenado; e tanto Romano
como João, seus sucessores, reabilitaram a memória
de Formoso. Barônio o Cardeal chega a dizer que as poderosas
cortesãs vendiam, trocavam e até se apoderavam
dos bispados; e, horrível é dizê-lo, faziam
papas aos seus amantes! Genebrardo sustenta que, durante 150
anos, os papas, em vez de apóstolos, foram apóstatas.
Deveis saber que o papa João XII foi eleito com a idade
de dezoito anos tão-somente, e que o seu antecessor era
filho do papa Sérgio com Marózzia. Que Alexandre
XI era... nem me atrevo a dizer o que ele era de Lucrécia;
e que João, o XXII, negou a imortalidade da alma, sendo
deposto pelo concílio de Constança.
O papado continuou tendo seus períodos sombrios, marcados
por imoralidade e corrupção. Um desses períodos
ocorreu entre o final do século IX e o início
do século XI, quando a instituição papal
foi controlada por poderosas famílias italianas. A história
revela que um terço dos papas dessa época morreu
de forma violenta: João VIII (872-882) foi espancado
até a morte por seu próprio séquito; Estêvão
VI (885-891), estrangulado; Leão V (903-904), assassinado
pelo sucessor, Sérgio III (904-911); João X (914-928),
asfixiado; e Estêvão VIII (928-931), horrivelmente
mutilado, para não citar outros fatos deploráveis.
Parte desse período é tradicionalmente conhecida
pelos historiadores como "pornocracia", numa referência
a certas práticas que predominavam na corte papal.
HISTÓRIAS QUE OS CATÓLICOS NÃO
SABEM
Ora, a sucessão do bispado de Roma foi interrompida
por mais de uma vez, como se convencerá o Leitor pela
narração da História Eclesiástica
do Cardeal Hergenroeter, completada pelo Mons. J P Kirsch e
traduzida para italiano pelo P. Enrico Rosa, jesuíta.
Eis quanto nos contam esses conspícuos personagens, romanos
como os que mais o sejam. No Terceiro Volume da Soterrai dela
Cheias, edição da Liberaria Fiorentina, de 1905,
páginas 247 e seguintes:
Com a morte do papa Formoso, a 4 de abril de 896, começou
uma era de profunda depressão para a Sé romana,
como nenhuma houve antes, nem depois... As facções
políticas dela se apossaram, ameaçando de arrastá-la
a barbárie dos tempos. Dentro de oito anos (896-904)
sucederam-se nove Pontífices, BONIFÁCIO VI, eleito
tumultuariamente, só reinou por quinze dias, pois que
o partido Spoletano entronizou um dos seus - ESTEVÃO
VI (propriamente VII). Este ultrajou a memória de Formoso
com cego furor... Mandou desenterrar seu cadáver e apresentá-lo
perante um Tribunal Eclesiástico, que o declarou papa
ilegítimo, e nula sua eleição! Em seguida
atiraram o cadáver no Rio Tibre... Em uma arruaça,
Estevão foi apanhado e estrangulado no cárcere,
em Junho ou Julho de 897*
Sucedeu-lhe um sacerdote ancião de nome Romano, o qual
só pontificou quatro meses. Assumiu então o papado
THEODORO II. que só durou vinte dias. JOÃO IX
ficou até o estio de 900. BENTO IV até 903. LEÃO
V foi, antes de um mês de pontificado precipitado por
CRISTÓVÃO, e este. no fim de Maio de 904, teve
o mesmo fim às mãos de SÉRGIO III.
Este (Sérgio) já desde o reinado de Teodoro II
havia tentado apoderar-se do trono pontifício, sendo,
porém, expulso e exilado. Depois de sete anos de exílio,
chegou finalmente ao termo de suas ambições. Ele
havia sido sagrado bispo de Cere pelo papa formoso, o qual assim
tentara afastá-lo da Corte romana, por ser elemento indesejável.
Entretanto, tão logo assentado na curia pontifícia,
declarou ilegítimas todas as ordenações
conferidas por Formoso (portanto também a própria
sagração episcopal!) perseguindo com ódio
feroz a quantos daquele houvessem recebido a imposição
das mãos. Sérgio III faleceu em Agosto de 911.
Paremos um momento para... respirar. Estes senhores que se sucederam
mediante o assassinato uns dos outros; estes senhores que foram
eleitos (?) à força de traições,
de violências inqualificáveis; estes serão
sucessores legítimos dos santos mártires Lino,
Cleto e clemente? OH! NÃO! O bispado de Roma vagou nesse
tempo, e os bispos posteriores já não podem ser
considerados sucessores de aqueles aos quais os Apóstolos
Pedro e Paulo confiaram a cura espiritual da Igreja Romana.
A Sérgio III sucedeu Anastácio III de Agosto de
911 a Outubro de 913; depois veio LANDÃO, até
Abril de 914, e JOÃO X , filho da DITADORA MARÓCIA
e do papa SÉRGIO III, primo do primeiro marido dela,
o Príncipe ALBERICO, Marócia casara-se no ano
de 905 em primeiras núpcias com este Príncipe
da linhagem dos Condes de Túsculo, liquidando-o no mesmo
ano, para se casar com GUIDO, Marquês de Toscana, JOÃO
X, que passava por filho do primeiro leito de Marócia,
não podia ter mais de dez anos de idade, quando recebeu
a sagração suprema, em 914. Durante 14 anos empunhou
o Báculo Pastoral, até que, tendo veleidades de
independizar-se, foi metido no cárcere, onde expirou
em Junho de 928. No ano seguinte Marócia liquidou o segundo
marido, e se fez reconhecer como SENADORA E PATRICIA, imperando
sozinha.
A João x sucedeu LEÃO VI, e, sete meses depois,
ESTEVÃO VII. Em 931, outro filho de Marócia subiu
ao trono, com o nome de JOÃO XI. Em 932, Marócia
casou-se com o Rei Hugo, irmão de seu segundo marido.
João XI foi liquidado em 936, sucedendo-lhe LEÃO
VII (936-939). ESTEVÃO VIII (propriamente IX), de 939-942;
MARINO II, de 943-946; AGAPITO II, de 946-956; e finalmente
OTAVIANO, neto de Marócia, e que foi o primeiro a mudar
de nome ao galgar o trono papal. Tinha ele 18 anos de idade,
e tomou o nome de JOÃO XII.
Em toda primeira metade do Século X, tudo parecia fora
dos eixos; a corrupção do século inundará
a igreja (romana) e nesta não mais existia disciplina...
Roma, então envelhecida como Capital de um pequeno Principado,
devia retornar pouco a pouco à sua antiga dignidade de
Capital do Mundo e à sua sublime Missão - É
o que se lê à página 252 do Volume acima
citado da STORIA DELLA CHIESA. Pois bem, assim com o OTÃO
I, (Imperador desde o ano de 936) não se pode considerar
sucessor de Constatino o Grande, e nem mesmo de Carlos Magno;
assim, os bispos que se seguiram a estes, não podem razoavelmente
ser tidos e havidos como legítimos sucessores dos Bispos
de Roma dos tempos apostólicos.
Leiamos agora a página 271 do mesmo Volume da STORIA:
- *JOÃO XIX, acusado de negligente e de avaro, reinou
até 1032. A maior desgraça da igreja (romana)
era que a sua família (dos Condes de Túsculo)
mostrava-se convencida de que para sempre o pontificado (romano)
era um bem hereditário de sua propriedade. E sem atender
ao mérito de quem o ocupasse, esforçava-se por
conservá-lo. Desta progênie haviam já saído
seis papas, e agora o sétimo, rapaz ainda não
de vinte anos, filho de Alberico, e irmão dos papas anteriores,
chamava-se TEOFILACTO. Não foram ouvidos os Cardeais,
e o povo (que então tinha voz ativa nas eleições)
foi comprado por bom dinheiro, sendo assim eleito em modo totalmente
tumultuário, esse jovem licencioso, que com o nome de
BENTO IX, devia por onze anos (desde 1033 a 1044) ser o vitupério
da igreja (romana) *. Até aqui os nossos Autores (os
parênteses são nossos). Agora vamos resumir a história.
TEOFILACTO que, ao ser eleito (?) papa em 1033, contava apenas
12 anos de idade, só veio a morrer em 1065, com 44 anos.
Em 1044, rebentou uma revolta geral contra ele, BENTO IX se
escapuliu, e em seu lugar foi coroado papa, JOÃO, bispo
de Sabina, que tomou o nome de SILVESTRE III. Mas, em Abril
do mesmo ano, BENTO IX conseguiu voltar ao trono e excomungou
todos os rebeldes, mandando muitos deles para o outro mundo.
Vendo-se, porém, em perigos contínuos, renunciou,
no dia 1 de Maio de 1045, deixando a Cátedra de S. Pedro
(incrível, mas verdadeiro!) a um Arcipreste chamado João
Graciano, o qual tomou o título de GREGÓRIO VI,
e gratificou com *Grossa somma di dinaro* ao seu abnegado e
digno Antecessor! (Graciano era um consumado jurista, e conhecia
perfeitamente o valor dos argumentos áureos!)*
BENTO IX, com a bolsa bem recheada, se retirou para um dos Castelos
de sua nobre família, depois de assinar renúncia
formal da Santa Sé, Pouco depois, porém, se arrependeu
do mau passo e, apoiado pelos seus poderosos parentes, pretendeu
voltar ao Trono. Nada mais natural! Rapaz de 22 anos, cheio
de vida e de santidade papal, que renunciara ao seu sublime
Cargo não tanto pelo dinheiro (que lhe sobrava), quanto
pelo amor de uma filha do Conde Gerardo de Sasso (que lhe fazia
muita falta) nada mais natural, digo, - que pretendesse reassumir
a Tiara, para repartir os graves encargos da mesma com a sua
direitíssima e digníssima Amásia, com a
qual tentara se casar quando ainda era papa. Mas os cardeais
o impediram.
Assim ficou a Cátedra de S. Pedro com três Titulares:
BENTO IX, que retirara a renúncia; SILVESTRE III, que
recusava renunciar; e GREGÓRIO VI, que havendo adquirido
por *grossa soma di dinaro* o Sólio Pontificio, julgava-se
de pleno direito senhor do mesmo.
A ÁGUIA DA GERMANIA (o Rei Henrique III) olfatando fácil
e pingue presa, desceu em amplo remigio até a Itália,
e se fez coroar Rei da Lombardia a 25 de Outubro de 1046, em
Pavia, solicitando de Gregório VI uma entrevista em Placência.
Desta cidade seguiram ambos com grande pompa para Sutri, onde
se reuniu um Concílio sob a Alta Direção
de Henrique III. Neste Concílio, Gregório VI renunciou
( espontaneamente, já se vê!); de Bento IX não
se disse palavra (para não magoar sua nobre família,
certamente!); e Silvestre III foi aprisionado e recolhido ao
aljube de um Mosteiro, em castigo do seu pecado de simonia.
Henrique III mandou então a Suidgero de Bamberga, que
subiu a Cátedra de S. Pedro com o título de CLEMENTE
II. Este foi o segundo papa alemão. No mesmo dia da sua
Coroação, 25 de Dezembro de 1046, CLEMENTE II,
coroou a Henrique III e sua esposa Inês Imperadores do
restaurado Sacro Romano Impero.
Reflitamos um momento. Ou a venda da Cátedra de S. Pedro,
feita por bento IX a Graciano foi válida, ou não
foi. Se foi válida, já ninguém pode falar
em pecado de simonia; e ficam plenamente justificadas as compras
de bispados e as vendas das melhores Paróquias e dos
Santuários (Aparecida do Norte, Bom-Fim de Salvador,
etc) a frades estrangeiros, que se negociam em vários
países (menos no Brasil!) Se aquela negociata de Bento
IX não foi válida, segue-se que BENTO IX continuou
papa legítimo, havendo sido injustamente esbulhado por
seis papas intrusos, postos na Sé Romana pelo Imperador
Henrique III, durante a vida de Bento IX.
Mais outra: - Ou o Imperador tinha direito de nomear os papas,
ou não! Se sim! Então houve ocasião em
que muitos eram papas legítimos ao mesmo tempo. Se não!
Houve tempos em que a Cátedra de S. Pedro ficou vacante,
não obstante estar ocupada por vários apaziguados
do Imperador. Com Henrique III viera o MONGE BENEDITINO ainda
simples HILDEBRANDO, o qual desde então foi o verdadeiro
Chefe da igreja Romana manobrando a seu bel-prazer meia dúzia
de papas-titeres, e fazendo-se aclamar papa somente em 1078.
Foi o celebérrimo GREGÓRIO VII, santo canonizado
romano.
HILDEBRANDO, porém, não obstante dotado de notável
senso político e de admirável audácia,
não possuia o poder de afugentar a MORTE! Bento IX, Conde
de Túsculo, fazia desaparecer a todos os alemães
indicados por Hildebrando e entronizados por ordem de Henrique
III, na Cátedra de S. Pedro.
CLEMENTE II morreu a 9-10-47. Bento IX se prontificou para reassumir
o Pontificado, mas os romanos, depois de terem conhecimento
dos desejos de Henrique III, de reservar o Pontificado a seus
súditos alemães, lhe pediram que houvesse por
bem mandar sagrar um novo papa por ele escolhido livremente,
Henrique III enviou da Alemanha a POPPONE, bispo de Brixen.
Depois de muitas peripécias suscitadas pela oposição
da família de Bento IX, Poppone foi entronizado em Julho
de 1048, com o nome de DAMÁSIO II. Mas... faleceu repentinamente,
por esse tempo, na Alemanha.
Henrique III viu-se então em talas para encontrar um
novo papa... Nenhum alemão queria aceitar a honra de
ser Sucessor de S. Pedro!... O Imperador nomeou então
a BRUNO, bispo de Toul, e seu parente (da família dos
Condes de NORDGAU, na Alsácia). Este só se resignou
a ser papa, com a condição de ser aceito pelos
romanos em eleição popular, livre e pacífica.
De Toul, seguiu ele para Besanón, onde recebeu a guarda
toda poderosa de Hildebrando, que se lhe fez companheiro de
viagens desde Cluny até Roma. Entrou ele na Cidade a
pé, descalço e com túnica de peregrino,
sendo muito bem recebido, e coroando-se Sumo Pontífice
com o nome de LEÃO IX.
Em Maio de 1053, São Leão IX, Papa, envergando
a farda de General, pôs-se a testa de aguerrido exército
para combater os Normandos, que haviam invadido o Sul da Itália.
A 18 de Junho seu exército foi totalmente derrotado e
desbaratado, e o Sumo Pontífice, a-pesar-de santo e general,
caiu prisioneiro. Nessa condição ficou detido
em Benevento até que cedesse a todas as imposições
dos seus vencedores. Depois de completa Capitulação,
foi posto em liberdade a 12-8-1054, reentrando no Palácio
do Latrão a 3 de Abril. A 18 do mesmo mês pontificou
solenemente na Basílica de S. Pedro, mas... no dia seguinte
faleceu misteriosamente!... Assim foi-se São Leão
IX, Patrono dos Generais derrotados!
Bastem estes fatos. Não é aqui o lugar de rememorar
todos os casos em que a Sede Romana esteve em desordem; por
exemplo, no começo do século 15, em que quatro
papas legítimos excomungavam; cada um deles excomungava
três papas legítimos, e era declarado excomungado
por cada um de seus três colegas Sucessores de São
Pedro, infalíveis, Vigários de Cristo, etc, etc...
(Veja o II Apêndice).
Responda agora o Leitor: - Será o papa Pio XII legítimo
Sucessor de S. Pedro? (Poderá ser legitimamente eleito
papa, quem se acha incurso na excomunhão fulminada pelo
Canon 2335?
DIVERGÊNCIAS E CONTRADIÇÕES
Se os papas não ambicionassem a "infalibilidade"
não haveria razão para citações
de suas contradições e divergências; como
pôr exemplo o Papa Gregório I que condenava a idéia
de um "Sacerdócio Universal nas mãos de um
só homem". Mas foi o que fizeram.
Sobre o cisma do ocidente, vejam o que nos diz certo livro
católico:
RETORNO DOS PAPAS A ROMA
O retorno dós papas a Roma não foi suficiente
para que a paz fosse alcançada. Uma dura luta, incentivada
pelo clero e pelos mesmos cardeais, criara graves dificuldades
no seio da Igreja, levando-a ao grande Cisma do Ocidente (de
1378 a 1418). Nesses quarenta anos a história do papado
atravessara um período obscuro, marcado por lutas entre
papas e antipapas que se excomungavam mutuamente, usando qualquer
subterfúgio para derrotar o adversário, chegando
até ao emprego da guerra e do crime político.
O poder papal, nessa época, está assim representado:
Em Roma :
- Urbano VI (1378-1389)
- Bonifácío IX(1389-1404)
- Inocêncio VII (1404-1406)
- Gregório XII (1406-1417) (destituído no Concílio
de Pisa, em 1409, abdicou no Concílio de Constança,
em 1415)
Em Avinhão :
- Clemente VII (1378-1394)
- Bento XIII (1394-1424) - (destituído no Concílio
de Pisa, em 1409, e novamente em Costança em 1415)
Antipapas:
_Clemente VIII (1423-1429)
- Bento X1V (1425-1430)
Em Pisa:
- Alexandre V: (14O9-141O)
- João XXIII (1410 - 1419)
(Destituído no Concílio de Constança em
1415).
Para se ter uma idéia da confusão que reinava
na época entre os cristãos, basta lembrar que
vários santos apoiaram papas considerados ilegítimos.
S. Catarina de Sena, por exemplo, apoiava o papa de Roma, enquanto
S. Vicente Ferrer e o Beato Pedro de Luxemburgo defendiam o
papa de Avinhão.
A Igreja acabou considerando legítimos somente os quatro
papas romanos e antipapas os de Avinhão e Pisa.
O Concílio de Constança (1414-1418) pôs
fim ao grande Cisma com a eleição de Martinho
V.
Extraído do livro católico: OS PAPAS, A. PINTONELLO,
EDIÇÕES PAULINAS.
Tivemos também o Papa Leão X contemporâneo
de Lutero que não cria na eternidade...
Os Papas S Clemente e Gelasio I nunca aceitaram a Transubstanciação,
diziam que "A natureza do pão e do vinho não
se alteram". Mas o Papa Inocêncio III, ano 1198,
forçou e "decretou' a transubstanciação!
Como não é possível acarear esses papas
os padres de hoje deveriam estudar a Bíblia pôr
si mesmos. Entre centenas de teólogos católicos
que discordaram da transubstanciação temos o Abade
de Fulda, Rubano Mauro e o Monge Ratramno do mosteiro de S.
Pedro que diziam "A benção não altera
a substância." Também S. João Crisóstomo
resistia e Santo Agostinho parecia zombar quando escreveu. "Não
se pode engolir Aquele que subiu vivo para o Céu".
Mas a ignorância tomou-se moléstia geral
Muitos bispos e padres divergem de muitos dogmas que se fossem
abolidos aplaudiriam, ensinam pôr Ofício. Necessitam
da transubstanciação. Do Culto às imagens,
do Purgatório e outras crendices para manter o sistema
em pé. Se forem removidas, o catolicismo cai!
Divorciada dos Evangelhos a Igreja não consegue gerar
seus próprios sacerdotes. "No Brasil a metade dos
padres são estrangeiros" informa dom Luciano na
Revista Veja de 30 de janeiro de 1980.
O Estado do Vaticano é contra o divórcio, ficam
"angustiados" quando ele é votado nos países
católicos mas mantém o "Tribunal de Rota"
que anula casamentos de casais ilustres pôr grandes somas
de dinheiro.
Induzem consciências sensíveis escravizando-as.
Ha centenas talvez milhares de moças e senhoras, sem
identidade, envelhecendo enclausuradas em lúgubres conventos
devido a fé falsa que receberam. Ninguém sabe
que tipo de tratamento recebem. O Catolicismo deveria recuperar
suas mentes distorcidas, abrir os portões, devolvendo-as
à sociedade. Cristo nunca propôs uma instituição
assim. Ele disse que "Não se deve esconder uma luz".
(Evangelho de Lucas 11:33)
Também o Vaticano não está em condições
de falar sobre "Direitos Humanos" pôr conflitar
com a história da Igreja. Falta espaço para comentar
esse assunto, mas presentemente estão bloqueando o pedido
insistente de 6 mil padres que desejam deixar a batina. (Est.S.
Paulo 13-2-80). Mesmo assim, 1.264 padres deixaram a batina
em 1982 e nos últimos 8 anos em todo mundo 34.144 padres
desertaram. (Inf. o Vaticano, Est. S. Paulo de 11-9-84).
O afã de apresentarem-se como Estado político
e religioso os tem levado a contradições:
Temendo o Comunismo abrigam-se no Ocidente, mas pôr desgraça,
se houver uma reviravolta na política, esperam sobreviver
porque "jogam nos dois times... "
Nunca se ajeitaram com Democracia e Liberdade. Reclamam esse
direito somente nos países onde não dominam. Pio
IX disse que "A Liberdade de Consciência foi o mais
pestilento de todos os erros". (Encic. de 15-8-1954).
....
BENÇÃOS
DO PAPA SE TRANSFORMAM EM MALDIÇÕES
Figuras públicas que foram "abençoadas"
são atingidas por doenças e desgraças.
Recentemente o brasileiro Rubens Barrichello, piloto de fórmula
1 da equipe Ferrari foi com uma comitiva esportiva até
o Vaticano presentear o Papa com uma réplica do carro
F2004. E em troca deste generoso presente o Papa abençoou
o piloto brasileiro.
Rubens que já possui fama de azarado na fórmula
1 tem motivos para ficar ainda mais preocupado. É que
os fatos que vamos mostrar aqui, podem não passar de
desastrosas coincidências, mas são capazes de arrepiar
qualquer cristão: as "bênçãos"
do papa vêm se transformando mesmo é em maldição.
Afora os inúmeros casos publicados até pela imprensa
secular, atuais ou centenários, salta aos olhos a quantidade
de personalidades do meio artístico e político,
que de uma hora para outra, viram suas vidas profissional e
pessoal destruídas e lançadas no fundo do poço,
após um encontro com o papa.
A lista é imensa...
A escritora e pesquisadora de religiões Mary Schultze,
autora do livro "A Deusa do Terceiro Milênio",
deu uma lista destas personalidades e a influência das
"bênçãos" do Papa na vida delas.
Quando analisamos tantas "coincidências", não
podemos deixar de alertar as pessoas no sentido de buscarem
somente as bênçãos de Cristo, pois os fatos
têm demonstrado que receber bênção
do papa parece não ser um bom negócio.
De acordo com a pesquisadora, é extensa a lista de figuras
e personalidades da história que foram brindadas com
a bênção papal e em seguida foram atingidas
por algum infortúnio:
Brasileiros:
Na lista de Mary, não faltam figuras brasileiras atingidas
pela "bênção do papa", como por
exemplo:
O ex-presidente Washington Luiz, foi deposto do cargo, em 1930,
logo após ser abençoado pelo Papa.
Já a princesa Isabel foi "abençoada"
com a sua expulsão do Brasil, depois de um encontro pessoal
com o papa.
O presidente brasileiro Campos Salles - foi assassinado poucos
dias depois.
O Presidente brasileiro Afonso Pena - morreu um mês depois.
Dos tempos atuais, duas figuras queridas dos brasileiros também
passaram por tribulações e, coincidência
ou não,tinham recebido a bênção do
papa:
O cantor Roberto Carlos, católico declarado, e sua esposa,
Maria Rita, estiveram com João Paulo II em sua última
visita ao Brasil, em 97. Pouco mais que um ano depois, ela estava
com câncer.
Já o craque Ronaldinho pediu para o papa abençoar,
em 98, as alianças de noivado
com a modelo Suzana Wemer, antes da Copa da França. Resultado:
além de ver terminado o seu noivado com a modelo, aconteceu
o pior: o Brasil perdeu a Copa. E como se não bastasse,
Ronaldinho passou as últimas semanas resistindo a uma
campanha de difamação por parte da imprensa secular,
que tentava envolvê-lo em um escândalo junto a uma
agência de prostituição, na Itália.
Sem falar do problema no joelho que quase o colocou de vez fora
dos gramados.
Outras figuras importantes:
O evangelista Billy Graam, mesmo conhecendo a fundo a Palavra
de Deus, foi a Roma pedir a bênção do papa
e, estranhamente, foi acometido do Mal de Parkinson (doença
degenerativa do sistema nervoso que provoca tremores incontroláveis).
O papa abençoou Carlota de Bourbon e quando voltou de
Roma, enlouqueceu.
O príncipe Napoleão IV morreu logo após
ter sido abençoado pelo papa, antes de seguir para Zuzulândia.
Já o príncipe Rodolfo, da Àustria, se suicidou,
em 1889, depois de um encontro com o papa.
O jogador Maradona amargou a derrocada de sua brilhante carreira
de outrora. Ele também pediu a bênção
do papa, e recebeu. Coincidência ou não, perdeu
o título do mais famoso campeão argentino e a
sua imagem nunca mais foi a mesma, pois não conseguiu
se livrar das drogas até hoje.
Afonso XII - morreu prematuramente.
Princesa Lady Diana - Em 1997, morreu em violento acidente auto
mobilístico algum tempo antes havia ido a Roma pedir
a bênção do papa.
O Imperador da Áustria, Francisco José - sofreu
a terrível derrota de Sadowa.
Napoleão III - foi preso na Prússia e morreu exilado
e destronado.
Os navios "Santa Maria"e "América"
- naufragaram com perda total.
Diz o ex-padre veneziano, Joseph Zachello que serviu o Papa
por 34 anos:
Em 1851 Pio IX concedeu a "Rosa de Ouro" ao Rei das
Duas Sicilias. Em menos de um ano ele perdeu a coroa e o reino.
Em 1866 Ele abençoou o Kaiser da Áustria. Em menos
de um ano este imperador perdeu Veneza e a guerra seguinte.
Em 1867 o Papa abençoou Maximiliano. Imperador do México.
Logo em seguida ele foi destronado e morto a tiros.
Em 1895 O Arcebispo de Damasco deu a bênção
papal às tropas e frota espanholas. Logo em seguida a
Espanha perdeu ambas.
Em 1897 O Núncio Apostólico abençoou o
grande "Bazar da Caridade", em Paris. Cinco minutos
mais tarde o prédio ardia em chamas e 150 pessoas da
aristocracia pereceram, inclusive a filha da Imperatriz da Áustria.
Em 1906 Fugene Victoria (Ena), filha do Príncipe Henrique,
casou com Afonso XIII, Rei da Espanha. sob a bênção
papal. Ela havia sido obrigada a renunciar sua fé protestante
e por isso foi abençoada. Embora, uma quinzena mais tarde,
tenha escapado milagrosamente de um atentado, no qual 13 pessoas
pereceram, seu vestido de noiva ficou todo respingado de sangue.
Em 1923 O Papa lhe mandou a "Rosa de Ouro". Em 1931.
ela e o marido foram exilados, quando a Itália se transformou
em República, por determinação do Papa.
que precisava colocar no Governo daquele país o seu protegido
General Franco, para a II Guerra Mundial.
Em 1924 Um rico proprietário de terras nos Estados Unidos
- Mr. Edwards - converteu-se ao Catolicismo Romano. Dois anos
depois foi a Roma receber a bênção do Papa.
tendo morrido 4 dias após e deixou uma rica herança
para o Vaticano.
Parece coincidência... Mas é bom não arriscar.
Quando Mussolini invadiu a Abissínia e varreu os pobres
negros do mapa, o Papa o abençoou nessa "cruzada
santa". Só que, pouco tempo depois, Mussolini e
sua amante Clara Petacci foram linchados pelo povo.
Já Winston Churchill, o Leão da II Guerra Mundial,
foi a Roma receber a bênção do Papa. Perdeu
logo o prestígio em seu país, mesmo tendo ganho
essa Guerra para os Aliados.
Quanto a Roosevelt, mandou um representante ao Vaticano "apanhar"
a bênção. Perdeu o respeito do povo americano
e morreu logo em seguida, sem contemplar a vitória para
os Estados Unidos.
Em 1951 A futura Rainha da Inglaterra foi pedir a bênção
do Papa. Pouco tempo depois a Inglaterra perdeu os poços
petrolíferos no Irã, o Canal de Suez e a guerra
contra o Egito.
E para encerrar, em 1958 o Cardeal Stritch. de Chicago, ao ser
nomeado Representante no Vaticano, para lá se dirigiu.
Adoeceu gravemente e o Papa, que havia abençoado sua
viagem, não foi capaz de visitá-lo, quando ele
teve de amputar um braço e morrer a poucas quadras da
Catedral de São Pedro.
Diante do exposto acima só nos resta orar para que Deus
proteja a vida e a carreira de Rubinho e que as "bençãos"
do Papa não o alcance também, de modo que possa
nos dar novamente a alegria e as vitórias que tanto nos
brindava Airton Senna.
A Palavra de Deus é muito clara quanto à origem
da bênção, que só pode vir
do Senhor; e de nenhum homem ou imagem, mas o catolicismo
insiste em transferir para a figura do papa poderes que só
pertencem a Deus. A leitura da Bíblia e a observância
de seus mandamentos são capazes de atrair bênçãos
sem medida sobre a vida do cristão, conforme diz a Palavra
"O Senhor determinará que a bênção
esteja nos teus celeiros, e em tudo o que puser a tua mão:
e te abençoará na tenda que te dá o Senhor
teu Deus" (Deuteronômio 28.8).
Fonte:
Livro A Deusa do 3º Milénio - Mary Sshultze - Ed.
Gráfica Universal Ltda.
Jornal Folha Universal 15/08/99 pág. 9b
Artigos compilados pela redação do CACP
Que DEUS em CRISTO JESUS ABENÇOE A TODOS!!