"E, sem dúvida alguma, grande é o
mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi
justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos
gentios, crido no mundo, recebido acima na glória."
Antes de falar sobre esse "mistério da piedade",
veja que Paulo primeiro fala sobre a Igreja, que é
a "coluna e baluarte da verdade". Esse assunto começa
aqui. Não podemos estudar o versículo 16 sem
estudar o versículo 15. Aqui temos três palavras
impressionantes quanto à vocação e o
ministério da Igreja. Essas três palavras formam
o alicerce para aquilo que vamos estudar no versículo
16.
Vamos estudar essas três palavras para compreendermos
o "mistério da piedade":
"coluna"
- No grego é stulos que é um "pilar"
ou mesmo "coluna".
A finalidade da coluna, não é apenas manter
o telhado firme, mas elevá-lo a uma certa altura, de
forma que o edifício possa ser visto facilmente.
Espiritualmente
falando, a Igreja sustenta a "verdade" nas alturas.
A "verdade" na Igreja tem que ser vista por todo
o mundo.
"baluarte"- No grego
é hedraioma. Essa é uma palavra que ocorre somente
aqui em todo N.T.
Hedraioma
fala de um "suporte", "aquilo que dá
estabilidade"
No
sentido espiritual a Igreja está aqui para manter firme
a "verdade", contra todo tipo de heresia e incredulidade.
Nessas duas palavras podemos ver a dupla responsabilidade
da Igreja do SENHOR JESUS CRISTO:
Primeiro,
a Igreja como "coluna", tem a função
de manter a "verdade" nas alturas, de modo que não
fique escondida, mas fique em pleno equilibrio. Nesse aspecto
temos a proclamação do evangelho.
Segundo,
como fundamento, a função da Igreja é
sustentar com firmeza a "verdade", para que ela
não seja vencida pelas heresias. Aqui temos a confirmação
do Evangelho.
Agora vamos estudar o sentido da palavra "verdade"
nesse texto:
Precisamos compreender a relação que existe
entre a Igreja e a "verdade".
Em
Efésios 2.20, Paulo disse que a Igreja está
edificada "... sobre o fundamento dos apóstolos
e profetas, sendo ele mesmo, JESUS CRISTO, a pedra angular"
- (conferir: 1 Coríntios 3.10,11) "Segundo a graça
de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto,
o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um
como edifica sobre ele. 11 Porque ninguém pode pôr
outro fundamento além do que já está
posto, o qual é Jesus Cristo.". Quando Paulo se
referiu a esse "fundamento" aqui nestes versículos,
ele tinha em vista a saúde espiritual da Igreja. Mas,
quando ele diz que a Igreja é o fundamento da "verdade"
aqui em 1 Timóteo 3.15 "Mas, se tardar, para que
saibas como convém andar na casa de Deus, que é
a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade.",
ele faz referência à vocação da
Igreja, a sua missão.
Vejamos três proposições importantes aqui:
1ª. A Igreja está aqui para proclamar a "verdade"
com firmeza, e assim, torna-la conhecida.
2ª. A Igreja necessita da "verdade", e a "verdade"
necessita da Igreja.
3ª. Da "verdade" a Igreja depende para a sua
existência, e da Igreja a "verdade" depende
para sua defesa e proclamação.
O que é então a "verdade" a qual a
Igreja deve proclamar? A "verdade" a qual a Igreja
deve zelar, proclamar sem nenhuma distorção
é CRISTO JESUS, de quem Paulo agora vai testificar.
Ele inicia dizendo: "Evidentemente".
Aqui temos o vocábulo grego homologoumenos, aqui temos
o verbo no particípio presente passivo de "confessar",
"declarar", "adorar"; isso indica que
devemos "confessar", "declarar", "adorar"
"abertamente sem controvérsia". Veja bem,
não é uma palavra tão simples assim como
muitos podem imaginar. Essa palavra exige que nós em
face a encarnação devamos "confessar",
"adorar", "proclamar sem controvérsias,
unânimes, em uma só voz" que o Filho de
DEUS se tornou carne!
Somos colocados diante da união hipostática
(existência substancial) da Pessoa do SENHOR JESUS:
Essa união hipostática ensina que Ele é
verdadeiramente DEUS; Ele possui todos os atributos divinos
que são essenciais e que perfazem a divindade; Mas
também, Ele é verdadeiramente homem; Ele possui
todas as propriedades essenciais aos seres humanos, e, além
disso, assumiu por causa de nossos pecados todas as conseqüências
deles.
A formação dessa doutrina na História
da Igreja:
A doutrina da união das duas naturezas teve inicio
nos primeiros concílios da Igreja cristã, nas
controvérsias teológicas. Após os Concílios
de Nicéia (325 d.C.) e de Constantinopla (381 d.C.),
e de Calcedônia (451 d.C.) a doutrina ortodoxa da Igreja
ficou sendo a verdadeira e plena humanidade e divindade de
JESUS CRISTO.
Vamos atentar para alguns detalhes dessa união hipostática
do nosso Redentor:
1º.
Essas duas naturezas não agem separadamente, como se
fossem duas pessoas.
2º.
Elas estão unidas perfeitamente em uma só pessoa,
mantendo a distinção das naturezas, mas de modo
que nunca a divina é humanizada nem a humana deificada.
3º.
Ambas as naturezas estavam e ainda estão em operação
para o exercício das obras redentoras, de forma que,
conquanto distintas, nunca podem estar separadas.
Porque foi absolutamente necessário que o Filho de
DEUS assumisse a natureza humana? Vamos responder isso fazendo
três proposições:
1ª. Proposição - Se o SENHOR JESUS viesse
diretamente do céu, sem que a Sua natureza humana fosse
retirada da virgem Maria, Ele não poderia sem membro
da nossa raça humana.
2ª. Proposição - Se o SENHOR JESUS não
fosse membro da nossa raça, não poderia livrar-nos
da escravidão da culpa, do domínio e poder do
pecado, que nós herdamos dos nossos primeiros pais.
3ª. Proposição - Era necessário
que o Redentor tivesse ancestrais humanos e recebesse a carga
genética deles. Somente com a união das duas
naturezas isso foi possível.
Definição da "Unio Personalis" ou
União Hipostática
Ninguém tem uma personalidade com natureza dupla -
a saber, divina e humana como SENHOR JESUS. Quando falamos
da natureza divina do nosso Redentor, referimo-nos àquilo
que é essencial em DEUS; ou seja, Seus Atributos:Onisciência,
onipotência, onipresença, eternidade, imensidão,
imutabilidade, auto-existência, transcendência,
etc.
A união hipostática envolve o Filho de DEUS,
com ambas, a natureza divina e a humana; tornando-se a hupóstasis
(substância) da Sua natureza.
Fundamentos bíblicos para essa gloriosa doutrina:
Precisamos compreender que o Logos era DEUS com DEUS - (João
1.1) "NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava
com Deus, e o Verbo era Deus.". Na encarnação,
Logos (verbo de DEUS) não se une a uma pessoa previamente
existente, mas tem acrescida sobre si a natureza humana, que
é composta de alma e corpo. Há vários
textos bíblicos nas Escrituras que nos fornecem uma
base bíblica para a sustentação de uma
só Pessoa que possui duas naturezas, vejamos alguns
deles;
1.. Isaias 7.14: "Portanto, o SENHOR mesmo vos dará
um sinal: eis que a virgem conceberá e dará
à luz um filho e lhe chamará Emanuel".
2.. Isaias 9.6: "Porque um menino nos nasceu, um filho
se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e
o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, DEUS Forte,
Pai da Eternidade, Príncipe da Paz".Nestes dois
textos que acabamos de mencionar acima podemos ver a união
das duas naturezas; por um lado Ele é "um filho",
mas por outro Ele é "Emanuel"; por um lado
podemos ver que Ele é um "menino", mas por
outro Ele é "DEUS forte"; Ele é tanto
"um filho", mas também é "Pai
da Eternidade".
3.. João 1.14: "E o Verbo se fez carne e habitou
entre nós". A Bíblia diz que Ele veio da
"... da descendência de Davi" - (Rm 1.3).
É interessante notar que a palavra "descendência"
aqui em Romanos 1.3¸ é epermatos, que significa
"semente". Essa foi à mesma palavra que vemos
em Gênesis 3.16 (R.C.)
4.. João 8.58: "Em verdade, em verdade vos digo:
Antes que Abraão existisse Eu Sou". Aqui Ele com
a idade de trinta e poucos anos, declara sua preexistência
divina.
5.. Colossenses 2.9: "porquanto, Nele [em Sua humanidade],
habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade".
A redenção do pecador exigia que houvesse um
Redentor com ambas as naturezas, a divina e a humana: Essa
foi uma exigência decidida no conselho Trinitário
acerca do pacto da redenção. O Redentor tinha
de ser DEUS para ter o poder de redimir e tinha de ser homem
para poder sofrer no lugar daqueles que haveria de redimir.
Assim sendo, linguisticamente, como uma palavra é a
expressão de uma ação, ou de um pensamento,
o Verbo é a expressão de DEUS, é DEUS
tornando expresso em palavras e atitudes. O Verbo passou a
possuir alguma coisa que não lhe pertencia antes da
encarnação: carne, isto é, as propriedades
da natureza humana.
Vejamos o que diz a Confissão de Fé de Westminster,
elaborada no século 17:
"O
Filho de DEUS, a Segunda Pessoa da trindade, sendo verdadeiro
e eterno DEUS, da mesma substância do Pai e igual a
ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre Si
à natureza humana com todas as suas propriedades essenciais,
com suas enfermidades e debilidades, contudo sem pecado, sendo
concebido pelo poder do ESPÍRTO SANTO no ventre da
virgem Maria e da substância dela. As duas naturezas,
inteiras perfeitas e distintas - a divina e a humana - foram
inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão,
composição ou confusão; essa Pessoa é
verdadeiramente DEUS e verdadeiramente homem, porém,
um só CRISTO, o único mediador entre DEUS e
os homens".
A distinção na uni personalidade do Redentor:
1. Como DEUS:
1.1 Ele possuía a forma de DEUS;
1.2 Ele tinha a mente de DEUS;
1.3 Ele tinha afeições divinas;
1.4 Ele tinha vontade divina.
2. Como Homem:
2.1 Ele possuía a forma de homem;
2.2 Ele possuía a mente de homem;
2.3 Ele possuía afeiçoes divinas
2.4 Ele tinha vontade humana.
A Redenção é vista como uma compra:
Leiamos o Salmo 49.7,8: "Ao irmão, verdadeiramente,
ninguém o pode remir, nem pagar por ele a DEUS o seu
resgate. Pois a redenção da alma deles é
caríssima, e cessará a tentativa para sempre".
Neste Salmo específicamente precisamos ter uma revelação
que transcende à letra, pois o pensamento aqui é
o seguinte: Nenhum homem não pode adquirir com Deus
dias adicionais para prolongar sua vida. Não há
dinheiro ou bens neste mundo capazes da pagar o preço
de uma vida de um homem para Deus. Os ímpios vivem
numa falsa segurança achando que seu dinheiro, pode
comprar obras, e na sua prosperidade pode adquirir algum favor
de Deus. Na Epístola aos Efésios capítulo
2:8-9 Paulo diz: "Porque pela graça sois salvos,
por meio da fé; e isto não vem de vós,
é dom de Deus. 9 Não vem das obras, para que
ninguém se glorie;" A Salvação é
pela Graça de Deus, mediante a Fé que também
procede de Cristo que é o Autor e Consumador da Fé.
A Fé envolve o nosso conhecimento do Evangelho (Romanos
10:14) "Como, pois, invocarão aquele em quem não
creram? e como crerão naquele de quem não ouviram?
e como ouvirão, se não há quem pregue?",
reconhecimento da Verdade da sua mensagem, e recepão
pessoal do Salvador (João 1:12) "Mas, a todos
quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos
de Deus, aos que crêem no seu nome;". Logo, afirmamos,
baseados nas Sagradas Escrituras que as obras não podem
definitivamente salvar o homem(Efésios 2:9), mas as
boas obras são frutos, e sempre acompanham a Salavação(Efésios
2:10 e Tiago 2:17).
Nesses textos vemos a impossibilidade de um homem remir outro
homem. DEUS é quem tem o direito de posse, e somente
Ele pode exigir o preço do resgate. E foi o próprio
DEUS quem O entregou por nós. Veja o que Paulo diz:
"Aquele que não poupou o seu próprio Filho,
antes, por todos nós o entregou..." - (Romanos
8.32). A vida do Redentor foi o preço exigido por DEUS
para o nosso resgate.
Em Mateus 20.28, o SENHOR JESUS disse: "tal como o Filho
do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir
e dar a sua vida em resgate por muitos". Vamos analisar
a preposição "por":
Note que aqui no grego temos a partícula primária
anti, que significa: "em lugar de". Dando idéia
plena de substituição. O resgate foi pago com
a vida do Redentor. Quando estudamos o Novo Testamento, vemos
que a redenção do pecador é vista em
termos comerciais. Vejamos alguns textos
a. 1 Corintios 6.20: "Porque fostes comprados por preço.
Agora, pois, glorificai a DEUS no vosso corpo";
b. 1 Corintios 7.22,23: "Porque o que foi chamado no
SENHOR, sendo escravo, é liberto do SENHOR; semelhantemente,
o que foi chamado, sendo livre, é escravo de CRISTO.
Por preço fostes comprados; não vos torneis
escravos de homens".
c. Apocalipse 5.9: "E cantavam um novo cântico,
dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus
selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para
DEUS homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação".
Esses textos lançam luz para que tenhamos revelação
sobre a obra da Redenção feita por JESUS CRISTO
em forma de compra. Cristo nos resgatou da maldição
da Lei que dizia "Toda alma que pecar esta morrerá"
então Ele foi até a cruz do calvário
e morreu a nossa morte, Aleluia! Todo escrito de dívida
que tínhamos para com Deus, e jamais poderíamos
pagar, Jesus Cristo foi à cruz e as encravou ali (Colossenses
2:14) "Havendo riscado a cédula que era contra
nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira
nos era contrária, e a tirou do meio de nós,
cravando-a na cruz.". Escrito de Dívida era um
Certificado escrito com a letra do devedor. A Lei Mosaica
(simbolizada pela expressão do Apóstolo Paulo
neste versículo) nos colocou em dívida impagável
para com Deus por causa do nosso pecado; esta dívida
Jesus Cristo cancelou, pregando-a na cruz do calvário.
Cristo pagou plenamente a nossa dívida, satisfazendo
a mais elevada exigência de Deus, poie mesmo na forma
de home Ele não pecou, Ele Si fez pecado, mas não
pecou! Nessas passagens, o sentido da redenção
é assegurar libertação pelo pagamento
de um preço. O SENHOR JESUS o Filho de DEUS derramou
Seu sangue a fim de pagar o preço do nosso resgate.
A quem o Senhor Jesus Cristo pagou o preço pelas nossas
vidas? Lembre-se que estávamos debaixo da ira de DEUS.
Estávamos presos pela justiça de DEUS. Não
foi ao diabo como muitos teólogos e pregadores estão
ensinando que Ele teve que pagar para obter o nosso resgate.
Cristo Jesus teve que pagar à justiça de DEUS
o valor estipulado para o nosso resgate. É das mãos
de DEUS, que o SENHOR JESUS teve que nos libertar.
Preste bem atenção ao que diz o Apóstolo
João em Apocalipse 5.9, diz: "... compraste para
DEUS homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação".
O SENHOR JESUS nos comprou de DEUS para DEUS.
O Apóstolo Paulo escrevendo aos irmãos em Colossenses
1.13, diz: "Ele nos libertou do império das trevas
e nos transportou para o reino do Filho do seu amor".
Saímos do cativeiro da ira e fomos transportados para
o reino do "Filho do Seu amor".
Conclusão:
Após ter visto esse assunto maravilhoso sobre o "mistério
da piedade" pudemos ter um vislumbre da misericórdia,
do amor e da graça de DEUS. Creio, que nossa compreensão
ainda é limitada sobre esse assunto. Precisamos da
ajuda do ESPÍRITO SANTO de DEUS para que possamos absorver
esse ensino maravilhoso. Nós de nós mesmos jamais
poderemos entender o amor à graça e misericórdia
de DEUS. Somente olhando para a nossa redenção,
é que poderemos contemplar o quanto nosso Pai bendito
dispensou do Seu amor, graça e misericórdia
para nos salvar.
Importantíssimo sabermos que a nossa salvação
não foi algo tão simples para Ele, como muitos
podem imaginar. Ter que entregar Seu único Filho, para
morrer por nós foi sem sombra de dúvida uma
atitude que envolveu essas três palavras - amor, misericórdia
e graça. Há muito que se aprender nesse mistério
da piedade, mas creio que o ESPÍRITO SANTO de DEUS
irá nos ajudar a compreender.
BIBLIOGRAFIA
A Mensagem de 1 Timóteo e Tito - John Stott - ABU
Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa
A União das Naturezas do Redentor - Heber Carlos
de Campos - Editora Cultura Cristã.
É permitido baixar este
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que explicite a autoria do mesmo.