De onde vem o sentido da vida? Qual
é o alvo da nossa existência aqui na Terra? Para
o crente em Jesus, o sentido da nossa vida deriva-se do nosso
relacionamento com Deus e com Jesus. Devemos lembrar que o
relacionamento entre Deus como Pai e Jesus como Filho precedeu
o nosso relacionamento com eles. Num certo sentido, o significado
de toda a existência do universo procede desse relacionamento
primário entre Deus e Jesus.
...porque
me amaste antes da fundação do mundo. (Jo
17.24).
Deus
é Relacional por Essência
Sendo assim, podemos compreender que o termo Deus expressa
relacionamento. É mais fácil ver esse conceito
pensando na palavra "pai". Um pai não pode
ser definido sozinho. Ser pai é ser pai de alguém.
Ser pai implica ter relacionamento. A paternidade não
pode ser limitada a ou voltada para si mesma. As Escrituras
na Bíblia inteira revelam a natureza central da paternidade
de Deus.
Tudo que existe no universo é, de algum modo, resultado
do relacionamento de Deus com Jesus, seu Filho. Embora nem
sempre seja fácil perceber, a razão de existirem
estrelas, árvores ou oceanos sempre voltará
ao amor que procede do Pai. Por isso, todas nossas atividades
como cristãos devem ser uma extensão do nosso
relacionamento com Deus. E todas as coisas que Deus faz, agindo
como Deus, são expressões de algum aspecto do
seu relacionamento para conosco. Deus não faz as coisas
por algum capricho; cada ato seu é uma expressão
significativa do seu amor por nós.
Quando a Bíblia afirma que Deus é amor, isso
significa que no nível mais fundamental do seu ser,
Deus está comprometido com relacionamentos.
...
e os amaste como também amaste a mim. (Jo 17.23).
Deus
não somente ama a Jesus, mas ama a cada um de nós
também. O compromisso de Deus com o relacionamento
é com Jesus em primeiro lugar, mas depois, com igual
importância, conosco.
...
para que sejam um, como nós o somos. (Jo 17.22).
Uma
rede de relacionamentos comprometidos existe entre Deus, Jesus
e todos nós. Essa rede de relacionamentos é
o alvo para o qual todos os nossos esforços e atividades
como cristãos devem ser dirigidos.
O
Alvo é Comunhão
Eu pensava antigamente que entre as diversas atividades que
temos como crentes (tais como oração, estudo
bíblico e evangelismo), a comunhão tinha a função
de ser uma espécie de intervalo ou recesso. Era como
se alguém, ao fazer a obra do Reino, se cansasse e
precisasse de um intervalo para relaxar junto a outras pessoas.
Visto nessa perspectiva, qualquer compromisso mais forte com
a edificação de relacionamentos seria um desvio
da obra prioritária do Reino. Entretanto, agora vejo
relacionamentos como o alvo, como a própria natureza
de Deus. Isso tem dado uma nova ordem às minhas prioridades.
Ao invés dos relacionamentos serem um mero mecanismo
de suporte, descobri que evangelismo, oração
e estudo bíblico são, na realidade, instrumentos
para atingir um objetivo. Esse objetivo é unidade,
harmonia e relacionamento.
O
que temos visto e ouvido anunciamos também a vós
outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão
conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e
com seu Filho Jesus Cristo. (1 Jo 1.3).
Segurança Verdadeira e Falsa
Pessoas que não forem bem fundamentadas na segurança
que vem de vínculos saudáveis geralmente tentarão
criar uma aparência de segurança por meio de
realizações exteriores. Grande parte do que
é feito no mundo - realizações aparentemente
tremendas em negócios, educação e medicina
- é, na verdade, fruto da insegurança de determinadas
pessoas. A insegurança gera uma enorme energia frenética,
que pode produzir grandes realizações. Essas
realizações são falsas por sua própria
natureza.
Em Efésios 3.17, Paulo diz que devemos ser "arraigados
e alicerçados em amor". Nosso relacionamento com
Deus e nossos vínculos de confiança com outros
crentes nos dão uma base, um fundamento e uma segurança
acerca de quem nós somos. Quando estamos seguros em
nossa identidade, podemos agir em obediência ao Espírito.
Se estivermos inseguros, nossas ações virão
de uma energia da alma, uma energia de origem psicológica.
Já fui surpreendido muitas vezes ao ver líderes
no ministério cuja dedicação e zelo por
Deus eram uma extensão da sua necessidade psicológica
de aceitação. Seus ministérios não
eram necessariamente inválidos, mas sua motivação
primária não provinha do Espírito de
Deus.
Podemos chamar esse processo de a síndrome do "A".
Funciona da seguinte maneira: Por falta de Afeto dos pais,
nossa necessidade de Aprovação nos leva a substituir
Ação (ou realização) por Aceitação.
Ninguém teve pais perfeitos, por conseguinte, em maior
ou menor grau, todos somos afetados pela síndrome do
"A". Porém, quanto mais amor e aceitação
a criança recebe (dentro do equilíbrio planejado
por Deus de verdadeiro amor e disciplina), mais segurança
terá como adulto e não será pressionada
interiormente a buscar excessivas realizações
para compensar seus sentimentos de insegurança.
Em Apocalipse 2.4, o Espírito repreende a congregação
de Éfeso: "Abandonaste o teu primeiro amor".
Os crentes de Éfeso estavam cheios de todas as formas
de realização. Tinham labor, paciência,
perseverança, maturidade, equilíbrio e discernimento.
Estavam fazendo tudo corretamente. Contudo, haviam saído
do fundamento certo para suas ações. A aceitação
e aprovação de Deus precisam permanecer como
nosso primeiro amor e a base da nossa motivação.
Como Alcançar Segurança Verdadeira
Todo aquele que tomar posição firme ao lado
da Palavra de Deus sentirá rejeição do
mundo ao seu redor. Se quisermos ter força para resistir,
precisamos ter uma base de aceitação por Deus
que seja capaz de suportar a rejeição das pessoas.
Se cairmos na armadilha de buscar aprovação
dos outros, logo estaremos mais interessados em agradar aos
homens do que em agradar a Deus (Gl 1.10). Perderemos nossa
base de integridade moral e força espiritual. Por outro
lado, geralmente é através de alguns amigos
próximos e confiáveis que Deus ministra cura
da rejeição ou insegurança do passado.
Nossa aceitação vem de Deus somente, porém
é operacionalizada através do processo de desenvolver
confiança nas pessoas. Relacionamentos de aliança
removem os temores que impedem nosso crescimento espiritual.
Agora, alguém pode dizer: "Sei que sou aceito
por Deus" como desculpa para se esconder e não
precisar de relacionamentos comprometidos com os outros. Essa
atitude contradiz o que a Palavra afirma em 1 João
4.20: "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a
seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não
ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar
a Deus, a quem não vê".
Se alguém diz que recebeu o amor e a aceitação
de Deus, mas não sabe como receber o amor e a aceitação
de amigos, ele ainda não foi sarado e restaurado pelo
amor de Deus. Deus nos ama. Ele é nossa fonte de aceitação
e seu amor exerce um poder de cura em nossas vidas. É
através do nosso amor, um pelo outro, dando e recebendo,
que o amor de Deus é revelado em nossas vidas pessoais.
Ninguém
jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece
em nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado.
(1 Jo 4.12).
O
sentido da vida tem sua origem no amor de Deus por nós.
Entramos nesse amor e o experimentamos através de desenvolver
relacionamentos comprometidos uns com os outros. O processo
do amor de Deus é edificar relacionamentos de aliança.
Uma pessoa que tem problemas sérios com insegurança
ou rejeição ainda pode vir a ser um ministro
saudável e vibrante da Palavra de Deus. Entretanto,
sua capacidade de ministrar a outros será condicionada
à sua cura de sentimentos de rejeição.
O medo de rejeição e a insegurança são
problemas tão prevalecentes hoje porque rejeição
faz parte de todo um processo de separação que
ocorreu entre o homem e Deus. Fomos separados de Deus quando
Adão foi expulso do jardim do Éden. Fomos separados
da comunicação, uns com os outros, na torre
de Babel. Desconfiança entrou na raça humana
quando Caim matou Abel.
Rejeição, separação e desmoronamento
de relacionamentos formam o padrão universal do estado
caído do homem. É importante reconstruir essas
áreas no nosso caminhar como cristãos. O plano
final da redenção é restaurar nossos
relacionamentos não só com Deus, mas também
uns com os outros. É isso que queremos dizer quando
afirmamos que relacionamentos são tanto o sentido como
o alvo da vida.
Paulo diz que o plano de Deus é:
...
fazer convergir nele, na dispensação da
plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu
como as da terra. (Ef 1.10).
Assim como o modelo universal do pecado é o desmoronamento
e fracionamento de relacionamentos, da mesma forma, a plenitude
da restauração é trazer todos esses relacionamentos
de volta à unidade por meio da obra de Jesus, nosso
Messias. Tudo no plano de Deus e no funcionamento do seu Corpo
na Terra visa restaurar relacionamentos à harmonia.
Qualquer ministério que avança sem esse alvo
não está trabalhando de acordo com a essência
dos propósitos de Deus.
Em Efésios 4.13, Paulo também afirma que a obra
dos diversos ministérios tem o propósito de
edificar o organismo vivo de relacionamentos no Messias, "até
que todos cheguemos à unidade da fé". A
unidade e harmonia dos nossos relacionamentos não são
um método estratégico para alcançar algum
outro objetivo; são o próprio alvo. Toda a obra
dos ministérios visa à "edificação
do corpo de Cristo" (v.12).
Asher
Intrater é um dos fundadores de "Tikkun Ministries
International", um ministério de judeus messiânicos
em Israel. Junto com Dan Juster, Eitan Shishkoff e outros,
tem trabalhado com comunidades locais em Tel Aviv, Jerusalém
e outras cidades, com evangelismo de rua, treinamento e preparação
de jovens discípulos para o ministério. O artigo
acima foi extraído e adaptado de seu livro: "Covenant
Relationships" (Relacionamentos de Aliança).