Introdução:
O grande pregador Inglês, Charles H. Spurgeon disse,
certa vez: “A apatia está por toda a parte. Ninguém
se preocupa em verificar se o que está sendo pregado
é verdadeiro ou falso”. Esta afirmação,
feita há mais de cem anos, serve muito bem para ilustrar
o estado da Igreja atual e, ao mesmo tempo, denunciar o quanto
ela é pobre de reflexão.
Uma enxurrada de falsos ensinos tem inundado
a Igreja, levando em suas águas de morte e destruição
muitos cristãos despreparados, sem que ninguém
tenha coragem de detê-la. Aqueles que deveriam estar
agindo como salva-vidas, muitas vezes encontram-se surfando
nas águas desses ensinos heréticos.
Todo este quadro deplorável é
fruto da conivência com a mentira e do afastamento do
verdadeiro Evangelho de Cristo. Muitos, em sua ignorância,
tornaram-se presa fácil dos vendedores de “sonhos”,
que os impressionaram com suas “visões”
e “profecias”, levando-os a transformarem-se em
verdadeiras “mulas”, transportadoras de seus falsos
ensinamentos.
A Bíblia sempre se mostrou intolerante
a esse respeito. O Senhor Jesus Cristo nunca se calou diante
dos falsos profetas. Assim também agiram os Apóstolos,
imitando o Mestre, sempre que qualquer doutrina espúria
desafiava o Cristianismo Bíblico.
Em toda a história do Cristianismo
Bíblico nunca a denúncia e a exposição
do erro tiveram aceitação, principalmente pelos
mentirosos. Atos 7:54 diz que aqueles que ouviam Estevão
falar a verdade “enfureciam-se em seus corações,
e rangiam os dentes”. A Verdade sempre foi apedrejada,
espancada com varas, aprisionada em celas e, por fim, pregada
na cruz. Mas a Verdade prevaleceu, e sempre há de prevalecer,
ainda que alguns tentem ocultá-la, a qualquer “custo”,
como fizeram os soldados da guarda do sepulcro, subornados
pelos príncipes dos sacerdotes (Mateus 28:12-15).
Na batalha contra os ensinamentos pregados
pelo Movimento G-12, o qual, na verdade não passa de
um velho modismo com nova roupagem “made in” Colômbia,
porém mais sofisticada e perigosa, fui motivado a escrever
este artigo, expondo alguns dos ensinos do Pr. César
Castellanos Dominguez, apresentados em seu livro “Sonha
e Ganharás o Mundo”. Esse desejo resulta do amor
ao verdadeiro Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, e da
responsabilidade bíblica que temos, como cristãos,
de “admoestar com a sã doutrina, como para convencer
os contradizentes” (Tito 1:9).
Utilizarei como base para análise
a afirmativa sempre verdadeira de que Jesus Cristo é
a revelação máxima de Deus, e a Bíblia,
a Autoridade Final em todas as regras de fé e prática.
Os textos bíblicos citados são extraídos
da Edição Almeida Corrigida e Fiel, da Sociedade
Bíblica Trinitariana do Brasil.
A
Linguagem dos Sonhos
César Castellanos ensina que, pela
utilização de sonhos, todos nós podemos
provocar transformações no mundo real, trazendo
à realidade aquilo que incubamos em nossas mentes.
Ao afirmar que o “mundo é dos sonhadores”,
ele coloca como condição para que recebamos
tudo de Deus: atrever-nos a sonhar[1].
Esta afirmação contrasta com
a Bíblia que diz “E esta é a confiança
que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua
vontade, ele nos ouve” (I João 5:14), “E
qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque
guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável
à sua vista” (I João 3:22).
Castellanos procura avalisar esta crença
citando trechos da Bíblia onde torce sua interpretação.
Conta, por exemplo, que Neemias “agasalhou” dentro
de si um sonho: restaurar Jerusalém, deixando-se “engravidar”
por isso, “visualizando” assim, Jerusalém
reconstruída. Escreve o autor :
Neemias era um profeta que estava cativo na
Babilônia, quando recebeu a notícia de que seu
povo se encontrava em dificuldades e os muros de sua cidade
destruídos. Quando ouviu isto, sentiu uma dor profunda
em seu coração, porém ao mesmo tempo
começou a agasalhar dentro de si mesmo um sonho (...)
porém o profeta teve a visão de restaurá-la
e se deixou engravidar por isto (...) [2]
Mais adiante ele relata um suposto diálogo
com Deus, onde o Senhor lhe ordena:
“Sonha, sonha com uma Igreja muito grande,
porque os Sonhos são a linguagem de meu Espírito.
Porque a igreja que hás de pastorear será tão
numerosa como as estrelas do céu e como a areia do
mar, que de multidão não se poderá contar.”
[3]
Caro leitor, o uso desta alquimia mental é
baseada em crenças de seitas ocultistas, da feitiçaria,
e permeia toda a literatura da Nova Era, não tendo,
portanto, qualquer respaldo das Sagradas Escrituras. Dave
Hunt escreve em “A Sedução do Cristianismo”,
o seguinte :
Os crentes estão caindo involuntariamente
numa velha prática ocultista ao tentarem criar a realidade
e até mesmo manipular a Deus por meio da formação
de imagens mentais vívidas. [4]
Sendo assim, vejamos o que diz a Bíblia,
em Neemias 1:4 e 2:4 : “E sucedeu que, ouvindo eu estas
palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias;
e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus”,
“E o rei me disse: Que me pedes agora? Então
orei ao Deus dos céus,”. Ficou claro, então,
que a atitude de Neemias foi CHORAR, LAMENTAR, JEJUAR, e ORAR
ao Deus dos céus. Esta é a verdadeira linguagem
que encontramos na Bíblia.
Nada indica que Neemias tenha sonhado, ou
feito projeções imaginativas, ou tenha incubado,
ou até mesmo ficado “grávido” de
algo. Neemias era um servo de Deus e, como todo servo temente
a Deus, O buscava em oração, na expectativa
de ouvir a Sua voz, e obedecer a Sua palavra. Por isso, Deus
colocou em seu coração o desejo de ir a Jerusalém
para reedificá-la. Leiamos o texto bíblico,
em Neemias 2:12 que diz : “...e não declarei
a ninguém o que meu Deus me pôs no coração
para fazer em Jerusalém”.
Não existe absolutamente passagem alguma
na Bíblia que se possa usar para endossar a afirmação
de que os sonhos são a linguagem do Espírito
de Deus. Há uma gritante diferença entre receber
visões e sonhos de Deus e desenvolver os seus próprios,
pois como diz a Palavra: “Porque, como na multidão
dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas
palavras; mas tu teme a Deus.” (Eclesiastes 5:7).
Deus inspirou os profetas no passado, e hoje
o Espírito Santo nos ilumina para entendermos Sua Palavra.
Hebreus 1:1 nos diz que: “Havendo Deus antigamente falado
muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,
a nós falou-nos nestes útlimos dias pelo Filho”.
Jesus, a revelação máxima de Deus, nos
ensina que através da oração falamos
com o Pai. Ele mesmo quando escolheu os doze discípulos
não o fez através de sonhos ou imaginação
criativa, mas através da oração. Diz
a palavra que ele “passou a noite em oração
a Deus. E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos,
e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de
apóstolos” (Lucas 6:12-13). Ele ainda nos ensina
que o fato de orar não dá o direito de exigir
de Deus isto ou aquilo. Ao contrário, “Venha
o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como
no céu” (Mateus 6:10).
Este perigoso ensino abre caminho para um
terrível engano, ao sugerir que se podemos sonhar,
incubando aquilo que queremos e exigirmos que Deus faça
por nós, logo somos “deuses”, e Deus apenas
um “placebo”.
Vejamos o que Castellanos escreve sobre isso:
Recordo-me de que para alcançar meu
primeiro desafio, sentei-me no piso do auditório que
tinha capacidade para 120 pessoas, e comecei a sonhar. Era
tal a presença de Deus neste sonho, que pude ouvir
o ruído dos motores dos carros quando estacionavam,
os passos das pessoas a entrarem no salão e, inclusive,
como o recinto se enchia de dúzias de pessoas que deviam
fazer filas e esperavam que saíssem uns, para poderem
entrar. A partir deste sonho foi tão grande o mover
de Deus que a reunião começou a crescer até
que, em somente três meses surgiu a necessidade de fazer
dois cultos e, assim como havíamos visualizado, as
pessoas ficavam do lado de fora esperando sua oportunidade
para entrar. Haverá algo impossível para Deus?
O dilema está dentro de nossa própria mente
(...) [5]
Utilizo-me de um texto citado do pastor David
Wilkerson, fundador do Desafio Jovem, que disse:
Este evangelho pervertido busca transformar
homens em deuses. É-lhes dito: “Seu destino está
no poder da mente...Transforme seus sonhos em realidade usando
o poder da mente”.
Fique sabido de uma vez por todas que Deus
não abdicará de Sua soberania em favor do poder
de nossas mentes, seja ele positivo ou negativo. Devemos buscar
a mente de Cristo, e Sua mente não é materialista;
não se focaliza no sucesso ou na riqueza. A mente de
Cristo Se focaliza na glória de Deus e na obediência
à Sua palavra.
Finalmente, na tentativa de colocar um selo
de aprovação em sua mensagem, César Castellanos
afirma que o próprio Deus utilizou-se deste método.
Vejam o que ele escreveu:
Tudo quanto temos feito como Missão
Carismática Internacional, começou com um sonho,
como todas as coisas criadas por Deus. Primeiro, Ele sonhou,
depois planejou, desenhou e executou.[6]
Contrastando fortemente com este ensino, a
Bíblia nos diz que Deus é Criador, Sustentador,
Redentor, Juiz e Senhor da história e do universo,
e que “Pela fé entendemos que os mundos pela
palavra de Deus foram criados” (Hebreus 11:3). O salmista
diz de Deus: “Ó Senhor, quão variadas
são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria;
cheia está a terra das tuas riquezas” (Salmos
104:24). Em nenhum ponto das Sagradas Escrituras encontramos,
ainda que supostamente, alguma indicação de
que Deus sonhou ou é um sonhador.
Esta tentativa de sugerir que Deus cria, utilizando-se
de sonhos ou visualizações, ou qualquer outra
técnica, ao mesmo tempo que tenta limitar o poder de
Deus, endeusa o homem. Leiamos alguns trechos do capítulo
37 do livro de Jó: “Com sua voz troveja Deus
maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não
podemos compreender. “, “A isto, ó Jó,
inclina os teus ouvidos; pára, e considera as maravilhas
de Deus. Porventura sabes tu como Deus as opera, e faz resplandecer
a luz da sua nuvem?”, “Ao Todo-Poderoso não
podemos alcançar; grande é em poder; “
(Jó 37:5, 14-15, 23).
Na visão do trono de Deus em Apocalipse
4, o apóstolo João nos relata que os vinte e
quatro anciãos adoravam o Senhor dizendo : “Digno
és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder;
porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são
e foram criadas” (Apocalipse 4:11).
É importante não perder de vista
que apesar desta idéia de produzir a realidade através
de sonhos incubados (ou visualizados) na mente, estar ausente
nas Escrituras, ela está presente em toda a literatura
ocultista, sendo um dos seus recursos fundamentais.
Este engano sutil tem levado muitos cristãos
sinceros a substituir a verdade por sonhos e imagens. Não
são os nossos sonhos, nem a formação
de imagens mentais, que irão produzir ou determinar
isso ou aquilo, mas a Soberana Vontade de Deus, a qual, a
despeito de nossa vontade, irá produzir a gloriosa
manifestação dEle na vida do crente.
Autoridade
profética e apostólica de Castellanos.
A Bíblia nos admoesta a ter uma atitude
de santa suspeita frente àqueles que se autodenominam
profetas, e a suas profecias de última hora. Vejamos
a orientação bíblica nesse sentido: “Amados,
não creiais a todo espírito, mas provai se os
espíritos são de Deus; porque já muitos
falsos profetas se têm levantado no mundo.” (I
João 4:1). O próprio Senhor Jesus nos adverte
em Mateus 24:24: “Porque surgirão falsos cristos
e falsos profetas, e farão tão grandes sinais
e prodígios que, se possível fora, enganariam
até os escolhidos.”.
Castellanos relata que o seu ministério
profético-apostólico teve início a partir
de uma experiência pessoal com Deus na costa Atlântica
Colombiana, onde, ao se identificar como o “Ancião
de Dias”, o Senhor lhe faz a seguinte declaração
:
“Posso falar às almas diretamente,
porém prefiro fazê-lo através de ti. Coloquei-te
como pastor. Sonha, sonha com uma igreja muito grande porque
os sonhos são a linguagem de meu Espírito. Porque
a igreja que hás de pastorear será tão
numerosa como as estrelas do céu e como a areia do
mar, que de multidão não se poderá contar”.[7]
Através do processo de iluminação,
o Espírito Santo nos capacita a entender a vontade
de Deus contida em Sua Palavra. Em Efésios 1:17-18
lemos : “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo,
o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o
espírito de sabedoria e de revelação;
Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que
saibais qual seja a esperança da sua vocação,
e quais as riquezas da glória da sua herança
nos santos”. Esta é a linguagem da Bíblia.
Não há como substituí-la por sonhos e
imaginações. Deus nos fala e comunica Sua vontade
através da Palavra, e nós, que temos a mente
regenerada por Cristo, podemos entendê-la claramente.
Portanto, desde que Deus não é
homem para que minta, indo contra sua própria palavra,
não temos outra alternativa senão considerar
que neste diálogo um dos interlocutores com certeza
não era o Deus Todo-Poderoso.
Mais tarde, em 1989, como o próprio
Castellanos afirma, Deus iria confirmar mais uma vez seu propósito
para com ele, através de uma profecia entregue por
Randy McMillan, ministro radicado na Colômbia:
Esta igreja tem encontrado graça diante
dos Meus olhos. Tenho uma grande visão para vocês.
Quanto à área financeira, lenvatá-los-ei
com sinais da Minha glória. (...) Vou abençoá-los
sobrenatural e economicamente como igreja para que alcancem
coisas que os outros não tem alcançado...Sou
um Deus de bênção e prosperidade total
em teu espírito, tua alma e teu corpo; em todas as
coisas materiais...Por fé em Deus e em Cristo Jesus,
vocês tem direito a ser abençoados em todas as
coisas, ainda que materiais, disse o Senhor. Os ministérios
dessa igreja vão prosperar... Busquem-Me, diz o Senhor,
entrem em aliança Comigo e verão suas finanças
prósperas, Minha igreja próspera e Minha obra
expandida (...) Ao pastor, o Espírito diz: Tenho muitos
projetos para ti, estás entrando na primeira etapa,
não descanses, não desmaies pelo caminho, porque
tudo tem seu tempo (...) Meu Espírito tem gozo pela
liberdade e liderança desta igreja, e assim quero prosperar-vos
grandemente...Verão Minha glória e os
levarei de glória em glória, diz o Senhor. [8]
A profecia apresentada como sendo de Deus
traz um conteúdo que não encontra precedentes
nem respaldo nas Escrituras. Não encontramos em nenhum
lugar das Escrituras Deus fazendo alianças financeiras
com pessoa alguma. Pelo contrário, a Bíblia
nos apresenta uma Aliança Eterna, inaugurada pelo sangue
do Cordeiro: A Nova Aliança. Ela satisfaz plenamente
as nossas necessidades. Não é preciso adicionar-lhe
coisa alguma, nem existe a possibilidade de subtrair dela
alguma coisa. O que Deus fez é de todo perfeito. É-nos
dito pela Palavra : “Porque esta é a aliança
que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o
Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu
coração as escreverei; eu lhes serei por Deus,
e eles me serão por povo; e não ensinará
cada um a seu próximo, nem cada um ao seu irmão,
dizendo: Conhece o Senhor; porque todos me conhecerão,
desde o menor deles até ao maior.Porque serei misericordioso
para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas
prevaricações não me lembrarei mais.”
(Hebreus 8:10-12).
A Bíblia também fala das riquezas
inescrutáveis da Graça de Deus, “que é
Cristo em vós, esperança da glória;”
(Colossenses 1:27b). Conhecer a Cristo é a verdadeira
riqueza que devemos buscar ansiosamente. Profecias como esta
supra mencionada, mais do que qualquer outra coisa, fazem
alusão ao Evangelho da Prosperidade, com suas malfadadas
promessas de riqueza e prosperidade material, baseadas em
entendimentos distorcidos do texto bíblico. Além
de prometer prosperidade financeira, ainda ensina, erroneamente,
que temos direitos a serem observados e satisfeitos, obrigatoriamente,
por Deus, não levando em conta Sua Soberana vontade.
É exclusivista ao afirmar de maneira
presunçosa que Deus tem tratado o MCI (Ministério
Carismático Internacional) de maneira especialmente
diferenciada, o que vem de encontro à palavra de Deus,
que diz: “Porque, para com Deus não há
acepção de pessoas” (Romanos 2:11). Será
que existe algum motivo especial para isso? Deus chama Sua
Igreja de Corpo de Cristo. A Bíblia diz: “e sujeitou
todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas
o constituiu como cabeça da igreja, que é o
seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.”
(Efésios 1:22-23). No contexto bíblico, esta
Igreja não é uma denominação particular,
mas um grupo de pessoas redimidas pelo precioso sangue de
Cristo, regeneradas pelo Espírito Santo, as quais se
colocaram nas mãos de Deus, alegremente aceitando a
Sua vontade, alegremente fazendo a Sua vontade, e alegremente
permanecendo na terra do lado dEle, para manter o Seu testemunho.
E as promessas de Deus são para esta Igreja, não
sendo, portanto, exclusividade
do MCI, ou de quem abraçou a “visão dos
doze”.
E finalmente, em 1997, através dos
lábios de Bill Hammond e Cindy Jacobs, Deus fala novamente
com ele:
...Vou usar a Colômbia para ensinar
a igreja americana, a igreja dos Estados Unidos, como guerrear
nos lugares celestiais..E o Senhor diz a seu filho César:
Haveis sido chamado em um tempo como este para os Estados
Unidos da América, e ensinarás a mensagem que
Eu te tenho ensinado a ti (...)...Abrirei as portas dos mais
gigantescos estádios e estarão cheios de gente
faminta...O Senhor diz: Vou trocar a maldição
e usarei um colombiano para curar os perseguidores; utilizarei
um colombiano para liberar a misericórdia de Deus (...)...E
o Senhor te diz: Filho, Eu te tenho enviado para cura dos
Estados Unidos. Filho Meu, poderia haver falado a outra pessoa
para fazer isto, mas te peço a ti, te peço a
ti, amarás as minhas ovelhas?...Porque há muitos
crentes nos Estados Unidos que amam a Deus, e as trevas que
virão contra esta nação causarão
terror e fogo, incêndios, e cidades arderão em
fogo: mas há tempo, diz o Senhor, e para isso Eu te
unjo como José, para ir ao Egito e sarar a nação...O
Senhor diz: Filho Meu, não temas porque o diabo já
tem jogado o que ele tem de pior, tem tratado de destruir-te,
mas Eu tenho declarado nos céus: diabo, já não
poderás tocar neste homem, porque ele está no
curso do Meu destino, Eu o tenho levantado para Meus próprios
propósitos e estou nomeando anjos guerreiros à
frente e detrás dele (...) Nenhuma arma forjada contra
ti prosperará, e toda língua acusadora que se
levante contra em ti em juízo, Eu a condenarei, diz
o Senhor...Meus olhos tem estado buscando em toda a terra
um homem como tu (...)...Desde este dia em diante falarás
com autoridade apostólica, com unção
fresca...Nações se levantarão e cairão
com a palavra profética que saíra de teus lábios;
estou levantando a Meus profetas e a Meus apóstolos
para que sejam Minha voz em toda a terra...Libero uma dupla
porção sobre ti e sobre tua esposa e os demais,
disse o Senhor...[9]
Esta profecia faz preocupantes afirmações
quanto ao futuro dos Estados Unidos, ao falar sobre “fogo,
incêndios, e cidades que arderão em fogo”.
Vale ressaltar que esta predição não
se encontra presente na Bíblia.
Ela afirma, ainda, categoricamente que Castellanos
é o canal escolhido para que a misericórdia
de Deus possa ser liberada. Estranho e sem fundamento, pois
a Bíblia nos ensina que somos alcançados pela
misericórdia de Deus através de Cristo Jesus.
Diz ainda em Hebreus 4:16 que basta que “Cheguemo-nos,
pois, com confiança ao trono da graça, para
que possamos alcançar misericórdia e achar graça,
a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”. Sabendo
ainda que Jesus disse dEle mesmo: “Eu sou o caminho,
e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão
por mim” (João 14:6).
Quando a profecia se refere alegoricamente
a José, na verdade está buscando respaldo para
a linguagem de sonhos. Embora esqueça que os sonhos
de José (leiam Gênesis 37) nada têm a ver
com imaginação criativa, poder mental, visualização,
ou qualquer outra falácia oriunda do ocultismo e da
feitiçaria.
A profecia comunica ordens dadas por Deus
nas regiões celestiais, para que o diabo não
mais toque em Castellanos, e ainda nomeia anjos guerreiros
para guardá-lo. Não têm a mesma sorte
os demais cristãos, assim como também não
a teve o Apóstolo Paulo, segundo o relato bíblico,
em II Coríntios 12:7 que diz: “E, para que me
não exaltasse pela excelência das revelações,
foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de
Satanás para me esbofetear, a fim de não me
exaltar.”. Apesar de orar a Deus três vezes para
que isso se desviasse dele, o Senhor disse a ele: “A
minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa
na fraqueza.” (II Coríntios 12:9a). Então
o Apóstolo Paulo responde de tal maneira que evidencia
o profundo amor e temor que tem pelo Senhor: “De boa
vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que
em mim habite o poder de Cristo” (II Coríntios
12:9b).
A despeito da afirmativa de Castellanos, e
se fosse realmente verdadeira essa profecia, restar-nos-ia
apenas clamar pela misericórdia de Deus, consolando-nos
com a sua Palavra Fiel, que diz em I João 5:18: “Sabemos
que todo aquele que é nascido de Deus não peca;
mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo,
e o maligno não lhe toca”, e também em
João 10:27-29: “As minhas ovelhas ouvem a minha
voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes
a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém
as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas
deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las
da mão de meu Pai”.
Contudo, Deus não nos isenta de batalhar
contra as forças espirituais do mal: “No demais,
irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força
do seu poder.Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para
que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.”
(Efésios 6:10-11), pois de outro modo, como disse o
Apóstolo Paulo, poderíamos nos exaltar. Tenhamos
pois plena confiança em Deus, “porque mais são
os que estão conosco do que os que estão com
eles” (II Reis 6:16).
Por último, a profecia coloca Castellanos
como o “escolhido” por Deus para esta hora, o
que lhe outorga o título de Apóstolo, com poderes
inclusive para sobrepujar nações através
de suas palavras. Fala dele e para ele como o único
encontrado digno na face da terra, enquanto a Bíblia
diz: “Não há um justo, nem um sequer”
(Romanos 3:10). Procura com isso dar a Castellanos uma exclusividade
que não encontra respaldo na Bíblia. A Palavra
diz que Deus procura os seus fiéis: “Os meus
olhos estarão sobre os fiéis da terra, para
que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse
me servirá.” (Salmos 101:6)
A Bíblia nos diz, também, que
o único que possui autoridade para subjugar reinos
e nações é Jesus Cristo, “Que,
sendo em forma de Deus, não teve por usurpação
ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma
de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma
de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até
à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus
o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre
todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho
dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo
da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo
é o Senhor, para a glória de Deus Pai”
(Filipenses 2:9-11).
Nada, nem ninguém, pode igualar-se
a Cristo, o qual está sentado à direita de Deus
Pai, O Todo-Poderoso. Cristo é o Sumo Pastor, “Rei
dos reis e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19:16).
A sua grandeza é exclusiva. Em Colossenses 2, o Apóstolo
Paulo mostra que todos os tesouros de sabedoria e de conhecimento
estão em Cristo (Colossenses 2:3). Não há
nenhuma verdade ou entendimento fora dele. A plenitude da
divindade está em Cristo (Colossenses 2:9). Não
existe parte alguma da natureza e da Pessoa de Deus que não
esteja expressamente revelada em Jesus. Achamos nossa perfeição
em Cristo (Colossenses 2:10). Nele está a circuncisão
espiritual, o perdão e a nova vida (Colossenses 2:11-13).
Quando morreu, Jesus tirou o poder das forças satânicas,
ganhando sobre elas uma decisiva vitória (Colossenses
2:14-15). Jesus é a realidade para a qual todas as
leis, festas e símbolos do Velho Testamento apontavam
(Colossenses 2:16-17). Todo o crescimento do corpo depende
de Cristo, que é a cabeça
(Colossenses 2:19). Qualquer busca da verdade, do entendimento,
ou do crescimento espiritual, fora de Cristo, com certeza
vai falhar.
Conclusão
A história nos mostra que todo fundador
de seita religiosa afirma ter recebido uma revelação
pessoal de Deus, reivindicando ser mensageiro especial, designado
por Deus para uma missão também especial e urgente.
Normalmente este líder também reivindica possuir
habilidades especiais e exclusivas, colocando-se sempre acima
de qualquer suspeita e repreensão, não aceitando
a negação, nem a contestação de
seus atos ou palavras. Escudados numa escolha especial de
Deus todos eles transformam-se em verdadeiros autocratas,
exigindo, de seus seguidores, absoluta obediência e
submissão.
Embora fale da Bíblia, citando-a inúmeras
vezes, eles o fazem a partir de sua ótica particular,
concentrando a atenção não no real teor
da mensagem, mas em suas supostas visões e grandes
maravilhas que julgam acompanhá-lo.
Ao estudarmos a História do Cristianismo,
vemos que a verdadeira espiritualidade do Protestantismo não
se baseou em visões ou sonhos, mas sim, na Bíblia,
a única fonte de autoridade e direção
espiritual.
Ao ler este livro de Castellanos percebe-se
a flagrante ausência desta característica, marca
registrada do verdadeiro Cristianismo (Sola Scriptura). Outro
fator preocupante é também a ausência
do testemunho da Cruz de Cristo, a qual ocupa o centro do
conselho de Deus, e o centro do Evangelho de nosso Senhor
Jesus Cristo. O Apóstolo Paulo disse: “Porque
nada me propus a saber entre vós, senão a Jesus
Cristo, e este crucificado” (I Coríntios 2:2).
O que a Igreja de Jesus Cristo precisa, urgentemente,
é voltar à simplicidade do Evangelho de Cristo,
como diz II Coríntios 11:3: “Mas temo que, assim
como a serpente enganou Eva com sua astúcia, assim
também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos
sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo”.
Precisamos resgatar o conselho de Deus, e seguir o Bom Pastor,
ao invés de seguir aqueles que se autodenominam profetas
e apóstolos.
Não devemos aceitar qualquer ensino,
antes, como os fiéis de Beréia, “examinando
cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim”
(Atos 17:11). Temos que reacender dentro de nossos corações
a firme convicção daquilo em que cremos, com
base nas Escrituras, e não com base em interpretações
e profecias particulares de outrem.
O convite que Deus faz é que nos arrependamos
e nos voltemos para Cristo, a fim de receber a vida eterna,
como dom gratuito de Sua Graça. Consolemo-nos, pois,
com as palavras da I João 5:20-21: “E sabemos
que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento
para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é
verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo.
Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna. Filhinhos,
guardai-vos dos ídolos. Amém”.
A Graça e a Paz sempre de Jesus Cristo
nosso Senhor, seja sempre com todos.
---------------------------------
[1] César Castellanos, Sonha e Ganharás
o Mundo, 22
[2] Idem, 19
[3] Idem, 20,21
[4] Dave Hunt, A Sedução do
Cristianismo, 153
[5] César Castellanos, Sonha e Ganharás
o Mundo, 22
[6] Castellanos, Sonha e Ganharás o
Mundo, 22
[7] César Castellanos, Sonha e Ganharás
o Mundo, 20
[8] César Castellanos, Sonha e Ganharás
o Mundo, 39
[9] César Castellanos, Sonha e Ganharás
o Mundo, 137
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