INTRODUÇÃO
Portanto não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos?
Que beberemos? ou: Com que nos vestiremos? porque os gentios
é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste
sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro
lugar o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas
vos serão acrescentadas (Mt 6:31-33).
Neste
livreto eu gostaria de explorar o que significa viver uma vida
espiritual, e como se pode vivê-la. No meio das nossas
vidas agitadas e turbulentas às vezes indagamos: Qual
a nossa verdadeira vocação na vida? Onde podemos
achar tranquilidade de mente para poder escutar a voz de Deus
que chama? Quem pode guiar-nos através do labirinto interior
dos nossos pensamentos, emoções, e sentimentos?
Estas e muitas outras indagaçoes semelhantes expressam
um profundo desejo de viver uma vida espiritual, mas ao mesmo
tempo uma grande obscuridade sobre seu significado e prática.
Escrevi
este livreto,em primeiro lugar, para os homens e mulheres que
experimentam um impulso persistente para entrar mais profundamente
na vida espiritual, mas que estão confusos sobre a direção
em que devem andar. Estas são as pessoas que conhecem
a história de Cristo e têm um profundo desejo de
deixar este conhecimento descer das suas mentes para seus corações.
Sentem vagamente que tal "conhecimento do coração"
pode não só dar-lhes um novo senso de identidade,
mas também até mesmo fazer novas todas as coisas
para eles. Contudo estas mesmas pessoas freqüentemente
sentem uma certa hesitação e temor para começar
nesta vereda sem mapa, e muitas vezes se indagam se não
estão se enganando. Espero que este livreto lhes ofereça
algum encorajamento e direção.
Mas
quero falar também, embora indiretamente, aos muitos
que consideram a história de Cristo como desconhecida
ou estranha, mas que experimentam um desejo indefinido por liberdade
espiritual. Espero que o que foi escrito para cristãos
tenha sido escrito de tal forma que haja espaço para
outros descobrirem pontos de apoio na sua própria busca
por um lar espiritual. Este só pode ser um verdadeiro
livreto para cristãos quando se dirige também
aos que têm tantas perguntas sobre o significado da vida
e que nunca acharam respostas. A autêntica vida espiritual
encontra sua base na condição humana que todas
as pessoas - sejam ou não cristãos têm em
comum.
Como
ponto de partida, escolhi as palavras de Jesus: "Não
se preocupem" ("Não vos inquieteis").
A preocupação tornou-se uma parte tão integral
da nossa vida cotidiana que uma vida sem preocupações
não só parece ser impossível, mas até
mesmo indesejável. Suspeitamos que ficar despreocupado;
não ser realista e - pior ainda – é perigoso.
Nossas preocupaçoes nos motivam a trabalhar muito, a
preparar-nos para o futuro, e a armar-nos contra pendentes ameaças.
Entretanto, Jesus diz: "Não vos inquieteis, dizendo:
Que comeremos? Que beberemos? ou: Com que nos vestiremos? ...
pois vosso Pai celestial sabe que necessitais de todas elas;
buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino ... e todas estas
cousas vos serão acrescentadas (Mt 6:31-33). Com este
conselho radical e "utopista", Jesus indica a possibilidade
de uma vida sem preocupaçoes, uma vida em que todas as
coisas estão se fazendo novas. Desejo, então,
descrever a vida espiritual em que o Espírito de Deus
pode nos recriar como pessoas verdadeiramente livres.
Dividi
minhas reflexões em três partes. Na primeira parte,
quero discutir os efeitos destrutivos da preocupação
na nossa vida diária. Na segunda parte, pretendo mostrar
como Jesus responde às nossas preocupações
paralisadoras, oferecendo-nos uma nova vida, uma vida na qual
o Espírito de Deus pode fazer todas as coisas novas para
nós. Finalmente, na terceira parte, quero descrever algumas
disciplinas específicas que podem levar nossas preocupações
a perder paulatinamente sua força sobre nós, permitindo
assim que o Espírito de Deus faça sua obra de
recriação.
Cap.
1: Todas Estas Coisas
INTRODUÇÃO
A vida espiritual não é uma vida antes, após,
ou além da nossa existência cotidiana. Não,
a vida espiritual só pode ser real quando é vivida
no meio das dores e alegrias do aqui e agora. Portanto, precisamos
começar com um exame cuidadoso da forma como pensamos,
falamos, sentimos e agimos a cada hora, a cada dia, a cada semana,
e a cada ano, a fim de ficarmos mais plenamente conscientes
da nossa fome pelo Espírito. Enquanto tivermos apenas
um vago sentimento interior de insatisfação com
nossa presente forma de vida, e somente um desejo indefinido
por "'coisas espirituais", nossas vidas continuarão
a estagnar-se em melancolia generalizada. Freqüentemente
dizemos: "Não estou muito feliz. Não estou
contente com o rumo da minha vida. Não tenho muita alegria
ou paz, mas como não sei como as coisas poderiam ser
diferentes, suponho que devo ser realista e aceitar a vida como
é". É este espírito de resignação
que nos impede de ativamente buscar a vida do Espírito.
Nossa
primeira tarefa é expulsar este vago e obscuro sentimento
de insatisfação e fazer um exame crítico
da forma que estamos vivendo. Isto requer honestidade, coragem
e confiança. Temos de honestamente desmascarar e corajosamente
confrontar nossas numerosas brincadeiras que usamos para enganarmos
a nós mesmos. Temos que confiar que nossa honestidade
e coragem não nos levarão ao desespero, mas a
um novo céu e a uma nova terra.
Bem
mais do que o povo da época de Jesus, nós nesta
"era moderna" podemos ser chamados de povo preocupador.
Mas como nossa preocupação contemporânea
realmente se manifesta? Depois de examinar criticamente minha
própria vida e as vidas ao meu redor, duas palavras surgem
como descritivas da nossa situação: cheios e não
realizados.
CHEIOS
Uma das características mais óbvias das nossas
vidas diárias é que estamos atarefados. Na nossa
vida os dias são cheios de coisas para fazer, pessoas
para encontrar, projetos para terminar, cartas para escrever,
telefonemas para completar, e compromissos para guardar. Nossas
vidas muitas vezes parecem malas abarrotadas rebentando nas
costuras. Na realidade, quase sempre estamos cônscios
de algum atraso. Há um sentimento incômodo que
importunamente nos avisa que há tarefas incompletas,
promessas não cumpridas, propostas não realizadas.
Sempre há algo mais que deveríamos ter lembrado,
feito ou dito. Sempre há pessoas com quem não
falamos, a quem não escrevemos ou não visitamos.
Assim, embora sejamos muito atarefados, também temos
um sentimento persistente de que nunca realmente cumprimos nossas
obrigações.
O
estranho, porém, é que é muito difícil
não estar atarefado. Estar atarefado tornou-se um símbolo
de status. As pessoas esperam que estejamos ocupados e que tenhamos
muitos assuntos na nossa mente. Freqüentemente nossos amigos
nos dizem:
"Imagino
que você está ocupado como sempre", e o dizem
em tom de elogio. Reafirmam a presunção generalizada
que é bom estar atarefado. De fato, os que não
sabem o que fazer no futuro imediato incomodam seus amigos.
Estar atarefado e ser importante normalmente parecem significar
a mesma coisa. Muitos telefonemas começam com a frase:
"Sei que você está ocupado, mas será
que poderia me dar um minuto?" Com isto, sugerem que tomar
um minuto de quem tem uma agenda cheia vale mais do que tomar
uma hora de quem tem pouco para fazer.
Na
nossa sociedade orientada para produção, estar
atarefado ou ter uma ocupação tornou-se uma das
principais formas, se não a principal, de nos identificar.
Sem uma ocupação, não só nossa segurança
econômica, mas nossa própria identidade é
ameaçada. Isto explica o grande temor com que muitas
pessoas enfrentam a aposentadoria. Afinal , quem somos depois
de não mais ter uma ocupação?
Mais
escravizadoras do que nossas ocupações, porém,
são as nossas preocupações. Estar preocupado
significa encher nosso tempo e espaço muito antes de
chegar lá. Isto é inquietação no
sentido mais específico da palavra. É uma mente
cheia de "se". Dizemos a nós iresmos: "E
se eu ficar gripado? Se eu perder meu emprego? Se o meu filho
não chegar em casa na hora certa? Se não houver
bastante alimento amanhã? Se eu for atacado? Se uma guerra
começar? Se o mundo acabar? Se ... ?" Todas essas
perguntas enchem a nossa mente com pensamentos ansiosos e fazem-nos
indagar constantemente sobre o que fazer e o que dizer caso
algo aconteça no futuro. Grande parte, senão a
maioria, do nosso sofrimento tem ligação com estas
preocupações. Possíveis mudanças
de carreira, possíveis conflitos familiares, possíveis
enfermidades, possíveis desastres, e um possível
holocausto nuclear fazem-nos ansiosos, temerosos, desconfiados,
gananciosos, nervosos e melancólicos. Impedem-nos de
sentir uma verdadeira liberdade interior. Por estarmos sempre
prontos para eventualidades, raramente confiamos plenamente
no agora. Não é exagero dizer que grande parte
da energia humana é investida nestas preocupações
temerosas. Tanto nossa vida individual como coletiva estao tão
profundamente moldadas por nossas preocupações
com o amanhã, que dificilmente o hoje pode ser vivido.
Não
somente estar ocupado mas também estar preocupado é
altamente encorajador por nossa, sociedade. A forma que jornais,
rádio e televisão nos comunicam suas informações
cria uma atmosfera de constante emergência. As vozes excitadas
dos repórteres, a preferência por acidentes repugnantes,
crimes cruéis, e conduta pervertida, e a cobertura de
hora em hora da miséria humana dentro e fora do país,
lentamente nos engolfam num senso abrangente de iminente destruição.
Além de todas essas notícias ruins existe a avalanche
de anseios. Sua insistência inflexível de que perderemos
alguma coisa muito importante se ficarmos sem ler este livro,
sem ver este filme, sem ouvir este locutor, ou sem comprar este
novo produto, intensifica nossa inquietação e
acrescenta muitas preocupaçoes fabricadas às preocupaçoes
já existentes. Às vezes parece como se nossa sociedade
dependesse da manutenção dessas preocupações
artificiais. Que aconteceria se parássemos de nos preocupar?
Se o desejo por divertir tanto, viajar tanto, comprar tanto,
e nos proteger tanto, não mais motivasse nosso comportamento,
será que nossa sociedade atual ainda poderia funcionar?
A tragédia é que realmente estamos presos num
emaranhado de expectativas falsas e necessidades arranjadas.
Nossas ocupações e preocupações
enchem nossas vidas externas e internas até ao máximo.
Impedem o Espírito de Deus de fluir livremente em nós
e desta forma renovar nossas vidas.
NÃO
REALIZADOS
Sob a preocupação das nossas vidas, contudo, algo
mais está acontecendo. Ao mesmo tempo que nossa mente
e coração estão cheios com muitas coisas,
levando-nos a indagar como podemos satisfazer as expectativas
impostas sobre nós por nós mesmos e por outros,
temos um sentimento profundo de não realização.
Embora atarefados e preocupados com muitas coisas, raramente
nos sentimos verdadeiramente realizados, em paz, ou em casa.
Um sentiminto corrosivo de não realização
está sob a superfície das nossas vidas ocupadas.
Refletindo um pouco mais sobre esta experiência de não
realização, posso discernír diversos sentimentos.
Os mais significativos são enfado, ressentimento e depressão.
Enfado
é um sentimento de estar desligado. Enquanto estamos
atarefados com muitas coisas, indagamos se o que fazemos realmente
faz alguma diferença. A vida se apresenta como uma série
aleatória de atividades e acontecimentos desconexos sobre
os quais temos pouco ou nenhum controle. Estar enfadado, portanto,
não significa que não temos nada para fazer, mas
que questionamos o valor das coisas que estamos tão atarefados
em fazer. O grande paradoxo da nossa epoca é que muitos
de nós estamos simultaneamente atarefados e enfadados.
Enquanto corremos de um acontecimento para outro, indagamos
em nosso próprio íntimo se alguma coisa está
realmente acontecendo. Embora dificilmente cumpramos com nossas
tarefas e obrigações, não estamos tão
certos se faria alguma diferença se não as cumpríssemos.
Enquanto as pessoas continuam nos empurrando por todos os lados,
duvidamos se alguém realmente se importa conosco. Em
resumo, embora nossas vidas estejam cheias, nós nos sentimos
não realizados.
Enfado
muitas vezes está intimamente relacionado com ressentimentos
Ao mesmo tempo que estamos atarefados, ainda indagamos se nossa
atividade significa algo para alguém. Facilmente sentimo-nos
usados, manipulados, e explorados. Começamos a nos ver
como vítimas mandadas e forçadas a realizar toda
sorte de coisas por pessoas que realmente não nos consideram
seriamente como seres humanos. A partir daí uma ira interior
começa a se desenvolver, uma ira que com o tempo se instala
no nosso coração como um companheiro constantemente
queixoso. Nossa ira quente aos poucos se torna uma ira fria.
Esta "ira congelada" é o ressentimento que
causa um efeito tão mortífero em nossa sociedade.
Porém,
a expressão mais debilitante de nossa não realização
é depressão. Quando começamos a sentir
que não somente nossa presença não faz
muita diferença, mas que também nossa ausência
talvez seja preferível, podemos facilmente ser enrolados
por um sentimento opressivo de culpa. Esta culpa não
tem ligação com nenhuma atividade particular,
mas com a própria vida. Sentimo-nos culpados por estar
vivos. O pensamento de que o mundo talvez fosse melhor sem refrigerante,
desodorante, ou submarino nuclear, cuja produção
preenche as horas de trabalho de nossa vida, pode levar-nos
à desesperante pergunta: "Vale a pena viver?"
Portanto, não é de se admirar que pessoas que
são sempre elogiadas por seus êxitos e realizações,
freqüentemente sentem muita falta de realização,
até ao ponto de suicidarem-se.
Enfado,
ressentimento e depressão são todos sentimentos
de desligamento. Apresentam-nos a vida como um elo quebrado.
Transmitem a nós um senso de não pertencer. No
caso de relacionamentos pessoais, esta desconexão é
experimentada como solidão. Quando estamos solitários
vemos a nós mesmos como indivíduos isolados, cercados,
talvez, por muitas pessoas, mas não realmente parte de
qualquer comunidade de apoio e proteção. Sem dúvida
solidão é uma das doenças mais disseminadas
do nosso tempo. Afeta não somente a vida dos aposentados,
mas também a vida familiar, a vida comunitária,
a vida escolar, e a vida profissional. Causa sofrimento não
somente às pessoas idosas, mas também às
crianças, aos jovens e adultos. Penetra não somente
em prisões mas também em residências particulares,
edifícios de escritórios e hospitais. É
vista até na interação cada vez mais escassa
entre pessoas nas ruas de nossas cidades. No meio de toda esta
solidão impregnante muitos clamam: "Existe alguém
que realmente se importa comigo? Existe alguém que pode
arrancar meu sentimento interior de isolamento? Existe alguém
com quem eu possa me sentir em casa?"
É
este sentimento paralisante de abandono que constitui o cerne
da maioria do sofrimento humano. Podemos suportar muito sofrimento
físico e até mental quando sabemos que isto verdadeiramente
nos torna uma parte integrante da vida que vivemos juntos neste
mundo. Mas quando nos sentimos cortados da família dos
seres humanos, rapidamente desfalecemos. Enquanto acreditamos
que nossos sofrimentos e lutas nos unem a nossos companheiros
e companheiras humanos, fazendo-nos assim partes da luta comum
do ser humano por um futuro melhor, estamos plenamente dispostos
para aceitar uma tarefa exigente. Mas quando nos consideramos
espectadores passivos sem nenhuma contribuição
para fazer à história da vida, nossos sofrimentos
não são mais sofrimentos construtivos e nem nossas
lutas servem para produzir nova vida, porque assim temos um
sentimento de que nossas vidas acabam e desaparecem depois de
nós, sem nos levar a destino algum. De fato, às
vezes somos obrigados a dizer que a única coisa que lembramos
de nosso passado recente é que estávamos muito
atarefados, que todas as coisas pareciam muito urgentes e que
dificilmente podíamos colocá-las em dia. O que
fizemos não lembramos. Isto mostra quão isolados
nos tornamos. O passado não mais nos leva para o futuro;
simplesmente nos deixa preocupados sem nenhuma promessa de mudanças
para o melhor.
Nosso
desejo de ser livres deste isolamento pode se tornar tio forte
que explode em violência. Então nossa necessidade
por um relacionamento íntimo - com um amigo, um namorado,
ou uma comunidade apreciativa - se transforma num apelo desesperado
por alguém que nos ofereça uma satisfação
imediata, relaxamento de tensão, ou um sentimento temporário
de identificaçao. Neste caso, nossa necessidade mútua
degenera e torna-se uma agressão perigosa que causa muito
dano e somente intensifica nosso sentimento de solidão.
CONCLUSÃO
Espero que estas reflexões tenham nos aproximado mais
do significado da palavra "preocupação"
tal como foi usada por Jesus. Hoje preocupação
significa estar ocupado e preocupado com muitas coisas, e ao
mesmo tempo estar enfadado, ressentido, deprimido, e muito solitário.
Não estou tentando dizer que todos nós em todo
tempo estamos tão extremamente preocupados. Porém,
há pouca dúvida em minha mente que a experiência
de estar cheio porém não realizado atinge a maioria
de nós em alguma medida em algum tempo da nossa vida.
Em nosso mundo altamente tecnológico e competitivo, é
difícil evitar completamente as forças que saturam
nosso espaço interior e exterior e desligam-nos de nosso
ser mais íntimo, dos nossos companheiros humanos, e do
nosso Deus.
Uma
das características mais notáveis da preocupação
é que ela fragmenta nossas vidas. As muitas coisas que
temos de fazer, considerar, e planejar, as muitas pessoas que
precisamos lembrar, visitar, ou conversar, as muitas causas
que devemos atacar ou defender, tudo isto despedaça-nos
e nos faz perder nosso equilíbrio. Preocupação
nos leva a estar "em todo lugar", mas raramente em
casa. Uma forma de expressar a crise espiritual de hoje é
dizer que a maioria de nós tem um endereço, mas
não pode ser encontrado lá. Sabemos onde está
nosso lugar, mas estamos sempre sendo arrastados em muitas direções,
como se fôssemos ainda desabrigados. "Todas estas
coisas" estão sempre exigindo nossa atenção.
Levam-nos tão longe de casa que no fim nos esquecemos
do nosso verdadeiro endereço, isto é, o lugar
onde podemos ser encontrados.
Jesus
reage a esta condição de estar cheio porém
não realizado, muito atarefado porém desligado,
em todo lugar porém nunca em casa. Ele nos quer levar
ao lugar onde pertencemos. Mas seu chamado para viver uma vida
espiritual só pode ser ouvido quando queremos honestamente
confessar nossa existência desabrigada e preocupada e
reconhecer seu efeito fragmentador em nossa vida diária.
Só então um desejo por nosso verdadeiro lar pode
ser desenvolvido. É a respeito deste desejo que Jesus
fala quando diz: "Não vos preocupeis... buscai,
pois, em primeiro lugar, o seu reino e todas estas cousas vos
serão acrescentadas".
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