Gn
2:9 E o Senhor Deus fez brotar da terra toda qualidade de árvores
agradáveis à vista e boas para comida, bem como
a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore
do conhecimento do bem e do mal.
...
16 Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore
do jardim podes comer livremente;
17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa
não comerás; porque no dia em que dela comeres,
certamente morrerás.
...
Gn 3
1 Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo,
que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher:
É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore
do jardim?
2 Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores
do jardim podemos comer,
3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim,
disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para
que não morrais.
4 Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis.
5 Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos
olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem
e o mal.
6 Então, vendo a mulher que aquela árvore era
boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore
desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto,
comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.
7 Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram
que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram
para si aventais.
8 E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à
tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença
do Senhor Deus, entre as árvores do jardim.
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Neste
estudo, gostaríamos de ver como foi que o primeiro homem
pecou, e recebê-lo como admoestação para
nós hoje. Pois como foi o primeiro pecado, assim serão
todos os pecados depois dele. O pecado que Adão cometeu
é o mesmo que todos nós cometemos. De modo que,
conhecendo o primeiro pecado, podemos compreender todos os pecados
do mundo. Pois, segundo a perspectiva bíblica, o pecado
possui um único princípio.
Em
todo pecado podemos ver o "ego" em operação.
Embora hoje em dia as pessoas classifiquem os pecados em um
sem-número de categorias, entretanto, falando por indução,
há somente um pecado básico: todos os pensamentos
e ações que constituem pecado estão relacionados
com o "ego". Em outras palavras, embora o número
de pecados no mundo seja deveras astronômico, o princípio
subjacente a cada pecado é somente um – tudo o
que satisfaz o ego. Todos os pecados são cometidos por
causa do ego. Se faltar o ego, não haverá pecado.
Examinemos
este ponto mais atentamente.
que
é orgulho? Não é uma exaltação
do ego?
que é ciúme? Não é o temor de ser
suplantado?
que é a emulação? Nada mais é que
a luta par ser melhor do que os outros.
que é a raiva? É a reação contra
a perda sofrida pelo ego.
que é o adultério? É seguir as paixões
e lascívias do ego.
Não é a covardia o cuidado que se dá à
fraqueza do ego?
Ora, é impossível mencionar todos os pecados,
mas se examinássemos a todos, um por um, descobriríamos
que o princípio de todos eles é o mesmo: algo
que de alguma maneira se relaciona com o ego. Onde quer que
se encontre pecado, aí também estará o
ego. E onde quer que o ego for ativo, ali também haverá
pecado à vista de Deus.
Por
outro lado, ao examinarmos o fruto do Espírito Santo
– que representa o testemunho cristão – facilmente
veremos o oposto: nada mais é do que atos desprendidos
do ego.
que
é amor? Amor é apreciar os outros sem pensar no
ego.
Que é alegria? É olhar para Deus a despeito do
ego.
Paciência é desprezar nossa própria dificuldade.
Paz é deixar a perda de lado.
Gentileza é não prestar atenção
a nosso próprios direitos.
Humildade é esquecer-se dos méritos próprios.
Temperança é o ser sob controle.
Fidelidade é domínio-próprio.
Ao examinarmos todas as virtudes cristãs, discerniremos
que a não ser pela libertação do ego ou
do seu esquecimento, o crente não possui outra virtude.
O fruto do Espírito Santo é determinado por um
único princípio: a perda total do ego.
Mencionei
somente algumas virtudes e alguns pecados; mas acho que são
suficientes para provar que pecado é seguir o ego, ao
passo que virtude é esquecer-se do ego.
Se
compreendermos estes dois princípios, poderemos diariamente
observar todos os vários pecados e julgar se cada um
deles relaciona-se com o ego ou não. Mas permita-me dizer-lhe
claramente que à parte do "desprendimento"
humano não há virtude, e à parte do seu
"egoísmo" não há pecado. O ego
do homem é a raiz de todos os males.
Nas
passagens que lemos no início deste capítulo,
vimos que existiam duas árvores no jardim do Éden,
e que Adão, ao comer o fruto da árvore do conhecimento
do bem e do mal, trouxe o pecado ao mundo. Examinemos mais atentamente
as duas árvores mencionadas. Usarei duas palavras para
representar o significado de ambas as árvores. O significado
da árvore do conhecimento do bem e do mal é independência,
e o da árvore da vida é confiança.
Examinaremos
primeiro a árvore do conhecimento do bem e do mal. De
saída devemos compreender que o comer do fruto desta
árvore em si não é o grande pecado. Aqui,
Adão não cometeu adultério, assassínio,
nem muitos outros pecados imundos. Simplesmente comeu do fruto
da árvore do conhecimento do bem e do mal. Ora, embora
o que Adão cometeu não fosse algum pecado horrível,
não obstante, o comer do fruto desta árvore fez
com que não somente ele caísse, mas também
sua descendência; desta forma enchendo o mundo de pecados.
Embora o pecado cometido por ele não fosse horrível,
seu ato deu ensejo a toda sorte de pecados. Segundo nossa lógica,
se o primeiro pecado do homem for o "gerador" de todo
o pecado do mundo, esse primeiro pecado deve ser o mais horrível
de todos. Entretanto, o que vemos aqui é meramente um
homem comendo fruto demais. Em certo sentido, portanto, é
de aparência inofensiva.
Por
que isto é assim? Deus vê o pecado de Adão
como espécime típico de incontáveis pecados
a serem cometidos por todos os homens depois dele. Deus deseja
que compreendamos que não importa qual seja a natureza
do pecado de Adão, essa também será a natureza
dos múltiplos e variados pecados que o mundo cometerá
depois de Adão. Externamente o pecado pode ser polido
ou rude, mas sua natureza e princípio permanecem sempre
os mesmos. O pecado de Adão não é mais
que seguir sua própria vontade. Uma vez que Deus lhe
havia proibido comer desse fruto particular, ele devia completamente
ter-se desfeito de sua própria inclinação
e obedecido a Deus. Mas ele desobedeceu a Deus e comeu o fruto,
segundo sua própria vontade. E assim ele pecou. Daí
se depreende que o pecado de Adão nada mais foi que agir
fora de Deus e segundo sua própria vontade. Embora os
pecados cometidos pela descendência de Adão diferissem
grandemente do seu em aparência (pois não há
outra pessoa que possa cometer o mesmo pecado que Adão
cometeu), porém, em princípio, também agiram
segundo sua própria vontade; logo, seus pecados têm
todos a mesma natureza.
É
pecado conhecer o bem e o mal?
Não
é virtude conhecer o bem e o mal?
Deus
conhece o bem e o mal (Gn 3:5,22).
É
pecado ser igual a Deus? Por que , pois, o ato de Adão
torna-se a própria raiz de todo o pecado e miséria
humanos? Por que motivo?
Embora
tal ação aparentemente seja boa, Adão agiu
sem o mandamento ou promessa de Deus. E ao tentar conseguir
esse conhecimento fora de Deus, segundo seu próprio ego,
Adão pecou.
Agora
percebemos o significado da palavra "independência".
Todas
as AÇÕES independentes de Deus são pecado.
Adão
não tinha confiado em Deus; não tinha tomado a
decisão de obedecer a Deus; havia agido independentemente
de Deus; e a fim de conseguir a independência contra Deus.
E é por isso que o Senhor declarou ser isto pecado.
Portanto,
compreenda isto, não é preciso cometer muitos
e terríveis pecados a fim de se considerar pecado. Para
Deus, todas as ações realizadas fora dele são
pecado. "Ser igual a Deus", por exemplo, é
excelente desejo; mas tentar fazê-lo sem ouvir o mandamento
de Deus e sem esperar pelo tempo de Deus é pecaminoso
à Sua vista. Quão freqüentemente julgamos
ser as coisa más pecados e as boas, justiça. Deus,
entretanto, vê as coisas de maneira diferente. Em vez
de diferenciar o bem e o mal pela aparência, ele olha
para o modo com que tal ação é feita. Não
importa quão excelente tal coisa possa parecer ao mundo,
tudo o que for feito pelo crente sem procurar a vontade Deus,
sem esperar por seu tempo, ou sem depender de seu poder (mas
feito segundo nossa própria vontade, com pressa, ou por
nossa própria habilidade) – tal ação
é pecado à vista de Deus.
O
Senhor não olha para o bem ou para o mal da coisa em
si. Antes, olha para sua fonte. Ele anota mediante que poder
tal coisa é feita. À parte de seu próprio
poder, Deus não se interessa por nenhum outro. Ainda
que fosse possível que o crente fizesse algo melhor que
a vontade de Deus, ele ainda condenaria a ação
e consideraria o crente ter pecado.
É
verdade que todas as suas obras e aspirações são
segundo a vontade de Deus? Ou são elas simplesmente sua
própria decisão? Suas obras têm origem em
Deus? Ou são elas realizados segundo seu bom prazer?
Todas as nossas ações independentes, não
importa quão excelentes ou virtuosas pareçam ser,
não são aceitáveis a Deus. Tudo o que é
feito sem saber claramente a vontade de Deus, é pecado
aos olhos Dele. Tudo o que é realizado sem depender Dele
também é pecado.
Os
cristãos de hoje são muito capazes de fazer coisas,
são muito ativos e fazem coisas boas em excesso! Entretanto,
Deus não olha para a quantidade de boas obras que a pessoa
realiza; interessa-se somente pelo quanto é feito por
amor ao Seu mandamento. Ele não indaga o quanto a pessoa
trabalhou para ele; simplesmente pergunta o quanto depende Dele.
O prazer de Deus não se encontra na muita atividade ,
e sim, na dependência que a pessoa tem Dele. Não
importa quão zelosamente você trabalhe para o Senhor,
sua obra será em vão se não for feita por
Ele em você. Devemos fazer esta pergunta a nós
mesmos: é a obra que faço realizada pelo Senhor
em mim, ou sou eu mesmo quem a efetua?
(continua...)
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