V
– A QUEDA E A HISTÓRIA HUMANA
    Uma
vez que somos inteiramente dependentes da revelação
que Deus nos tem dado de Sua Palavra para o conhecimento do
início da história humana e, uma vez que Sua Palavra
tem absoluta autoridade e é para ser recebida com fé
inquestionável, e uma vez que as Sagradas Escrituras
não necessitam de apoio com argumento e lógica
humanos, ainda assim um apelo à história e experiência
tem o seu interesse e valor. Este é o caso no que diz
respeito à Queda. E vamos, agora, afirmar que o ensino
de Gênesis 3 está comprovado e sustentado pelos
grandes fatos da história e experiência humanas.
1-
A TEORIA DA EXPERIÊNCIA HUMANA
   Leia os anais da história, examine os relatos policiais,
estude a vida nas favelas de nossas grandes cidades e, depois
pergunte, como é que o homem, o rei da criação,
designado e ajustado para ser seu próprio líder
e senhor, poderia ter caído mais do que os animais? Raramente
são necessárias ilustrações para
mostrar o quanto o homem tem caído, pois todos que conhecem
a corrupção que realmente existe sob a fina vestimenta
fornecida pelas formalidades da moderna civilização,
estão penosamente cientes da degradação
e desolação que existem em todos os aspectos.
Um animal não abandonará seu filhote como acontece
agora, freqüentemente, com filhos ilegítimos que
são descartados pelos próprios pais. Os animais
do campo fazem multidões de seres humanos se envergonharem,
pois na época de acasalamento eles mesmos se confinam
com seus companheiros, com exceções somente entre
os animais que o homem parcialmente domesticou! Nenhum animal
vai beber água suja e envenenada, no entanto, milhares
de homens e mulheres bem educados são anualmente envenenados
com álcool.
    Mas, qual a causa desses efeitos? Qual a verdadeira explicação
destes tristes fatos? Como é que o rei da criação
caiu mais do que os animais do campo? Somente uma resposta é
possível – PECADO, a QUEDA. O pecado entrou na
constituição humana; o homem é uma criatura
caída e, como tal, capaz de qualquer baixeza e maldade.
2-
AS CONTRADIÇÕES DA NATUREZA HUMANA
    O homem não regenerado é um ser composto. Dois
princípios estão na ativa dentro dele. Ele é
uma auto-contradição. Num momento ele faz aquilo
que é nobre e louvável, no outro, aquilo que é
desprezível e baixo. Às vezes ele é dócil
com aquilo que é bom e nobre, mas com mais freqüência
ele se entrega aos prazeres do pecado. Em alguns estados conscientes
da mente, assemelha-se a Deus, em outros, é claramente
um filho do Diabo.
    De onde vem este conflito entre o bem e o mal? Por que esta
dualidade perplexa em nossa constituição comum?
Somente uma explicação vai de encontro a todos
os fatos. Por um lado, o homem é “descendência
de Deus”; mas por outro, o pecado entrou pela Queda e
arruinou a obra do Criador.
3-
A UNIVERSALIDADE DO PECADO
    Por que é que o filho do Rei, no palácio, e a
filha de um regenerado, num casebre, apesar de toda proteção
que o amor e atenção lhes dispensam, manifestam
uma inconfundível inclinação em direção
ao mal e tendência a pecar? Por que é que a hereditariedade
e o ambiente, educação e civilização
são impotentes para mudar esta ordem? Porque todos são
pecaminosos! Por que é que não há nação,
tribo, família, livres da contaminação
do pecado? Somente a Palavra de Deus resolve este problema.
Todos tem uma origem comum (Adão); todos compartilham
de uma herança comum (a Queda); todos entram num legalismo
comum (pecado).
4-
A EXISTÊNCIA DA MORTE
    “Há um evento que aconteceu a todos”, mas
por quê? Fomos criados por um Deus Eterno, possuímos
uma alma imortal; por que, então, o homem não
deve continuar a viver nesta terra para sempre? Por que deve
haver situações como decadência e destruição?
Por que o homem deve morrer? A ciência não pode
fornecer respostas a estas perguntas, e a filosofia não
oferece explicação. Somos novamente calados pela
Palavra de Deus. O salário do pecado é a morte,
e a morte é universal porque o pecado é universal.
Se alguém perguntar: por que o pecado e a morte são
universais, a resposta é “Por um homem entrou o
pecado no mundo, e pelo pecado a morte; e assim, a morte passou
a todos os homens, pois todos pecaram”.
5-
A ATUAL PARALIZIA DA RAÇA HUMANA
    Cada ser e organismo estão sujeito à necessidade
de se tornar diferente daquilo que é – em uma única
palavra, deve crescer. Não somente os animais e as plantas,
mas os cristais também obedecem a esta lei e, como mostra
a história, é difícil ver por que a humanidade,
que forma um todo orgânico, não segue esta lei.
A única solução para este problema é
que o homem não está, agora, no seu estado normal
e original: ele não é mais como Deus o criou.
Aquele que nega a Queda não tem luz sobre este profundo
mistério. Não resta dúvida que, se o homem
nunca tivesse caído, ele teria continuado a crescer em
conhecimento, bondade e felicidade: de fato, teria se tornado
mais e mais semelhante a Deus. Enoque, o homem que andou com
Deus e aquele que Deus o tomou para si depois de Ter vivido
um grande ciclo de 365 anos – um ano em um dia –
é um exemplo de ser humano que cumpriu seu destino e,
muito provavelmente, um tipo do que o destino de todos os homens
poderia ter sido. Mas, ai de mim! O homem caiu, por conseguinte
o progresso e avanço no sentido final tornaram-se impossíveis.
    O fato de que o homem não tem progredido, ou melhor,
não está progredindo agora, pode ser visto através
da comparação dos campos do empreendimento humano
de hoje, com aqueles de dois ou três mil anos atrás.
Na literatura, não surgiu nada que se compare ao livro
de Jó, ou que possa competir com Salmos. Em Filologia
– que é um teste seguro do desenvolvimento intelectual
e da vida mental de um povo, não há linguagem
moderna que esteja à altura do Sânscrito. Na Arte,
tudo o que há de melhor, tomamos emprestado dos Gregos
antigos. Na Ciência, ainda estamos muito atrás
dos projetistas e construtores das Pirâmides – um
recente exame de algumas múmias revelou que os Egípcios
estavam à nossa frente até mesmo em Odontologia;
em ética, o maravilhoso sistema formulado por Confucius
é superior a qualquer coisa que tenhamos hoje fora da
Bíblia. Em civilizações gigantescas, ninguém
superou os Babilônios e os Fenícios, que viveram
centenas de anos antes da era cristã ter começado.
Na legislação, a habilidade forense e organizacional
dos romanos nunca foi superada. Fisicamente, podemos ser comparados,
em desvantagem, com os antigos.
    Então, aqui está um fato totalmente demonstrado,
que, como um todo organizado, nossa raça não está
fazendo um progresso real e mostrando nenhum sinal de crescimento.
E repetimos: é o único entre todos os organismos
vivos que não está crescendo – crescendo,
não, desenvolvendo. Então, qual é a causa
desta paralisia? Como podemos explicá-la exceto pela
explanação fornecida na Palavra de Deus, a saber,
que este organismo teve uma terrível queda, está
arruinado e quebrado, e não está agora no seu
estado normal e original!
    Assim, se a Queda é um fato histórico e a única
explicação adequada da história humana,
o que sucede! Primeiro, o homem é uma criatura caída;
segundo, ele é um pecador; terceiro, ele precisa de um
Salvador. Então, este é o fundamento do apelo
do Evangelho. Por natureza, o homem é alienado de Deus,
sob condenação, perdido. Qual é, então,
o remédio? A resposta é, Uma nova criação.
“Se alguém está em Cristo, é nova
criatura’(2Cor 5:17). Não é o cultivo da
velha natureza que é necessário, pois ela está
arruinada pela Queda, mas a recepção de uma natureza
completamente nova que é gerada pelo Espírito
Santo. “Você deve nascer de novo”. Qualquer
coisa que não enfatize este ponto é sem valor
e inútil.
    VI
– A QUEDA E CRISTO
 
  Nenhum estudo de Gênesis 3 seria completo sem meditar
sobre o assunto com o Senhor Jesus diante do coração.
Muitas passagens na Palavra unem Adão e Cristo e, por
isso, cumpre-nos compará-las e contrastá-las cuidadosamente.
Ao pensar em Cristo e na Queda, uma linha tripla de pensamento
pode ser desenvolvida. Primeiro, um contraste entre o primeiro
e o segundo homem no seu caráter e conduta. Segundo,
o próprio Cristo suportando a Maldição
da Queda. Terceiro, Cristo invertendo os efeitos da Queda e
produzindo o que há de melhor. Vamos tratar destes pensamentos
nesta ordem.
    Foi sugerido por alguém, que, ao comer do
fruto proibido, Adão lançou reprovação
ao o amor de Deus, Sua verdade e Majestade. Criado à
imagem de Seu Criador; vivificado pelo sopro da Divindade; colocado
num meio ambiente perfeito; cercado de toda benção
que um coração pudesse desejar; colocado em completa
autoridade sobre toda obra realizada por Deus; provido de uma
ajudadora e companheira adequada; feito como exemplo de todo
o universo do amor e bondade de Jeová, e tendo recebido
uma única ordem em que pudesse ter a oportunidade de
mostrar a sua apreciação pela simples observância
– ainda assim, ele dá ouvidos à voz do tentador
e acredita na mentira do Diabo.
    “Então, a serpente disse à mulher:
É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que
no dia em que dela comerdes se vos abrirão os olhos e,
como Deus sereis, sereis conhecedores do bem e do mal”
(Gn 3:4,5). O que Satanás queria insinuar com estas palavras?
Elas eram como se ele dissesse: Deus disse para você não
comer desta árvore? Que crueldade! Ele está retendo
de você a melhor coisa do jardim. Ele sabe muito bem que
se você comer desta fruta, seus olhos serão abertos
e vocês se tornarão como Deus. Em outras palavras,
foi um apelo para desconfiarem de Deus, duvidar de Sua graça
e questionar Sua bondade. Assim, ao comer a fruta proibida,
Adão repudiou e desonrou o amor de Deus.
    Além disso, ele questionou e desonrou a veracidade
de Deus. Deus havia lhe alertado claramente. Em linguagem inequívoca,
ele havia alertado, “No dia em que dele comeres, certamente
morrerás”. Adão não sabia nada da
morte. Ele estava cercado somente de criaturas vivas. A Razão
poderia ter argumentado que seria impossível a morte
entrar numa terra maravilhosa como o Paraíso. Mas lá,
ecoou a Sua Palavra, que não pode mentir, “Certamente
morrerás”. A serpente, contudo, audaciosamente
nega a palavra de Jeová e declara: “É certo
que não morrereis”. Em qual palavra Adão
acreditaria – na de Deus ou de Satanás? Ele confiou
mais na última; ele ousou duvidar da primeira e o ato
da Queda aconteceu. Assim, ao comer da fruta proibida, Adão
repudiou e desonrou a verdade de Deus.
    Depois, ele negou a autoridade de Deus. Como Criador
Deus possui o direito inerente de emitir ordens e exigir de
Suas criaturas absoluta obediência. É Sua prerrogativa
agir como Legislador, Controlador, Governador, e definir os
limites de liberdade de Seus súditos. E no Éden
ele exercitou Sua prerrogativa e expressou Sua vontade. Mas,
Adão pensou que tinha um amigo melhor do que Deus. Ele
O considerou austero e despótico, como Alguém
que invejava aquele que promoveria seus melhores interesses.
Ele sentiu que ao lhe ser negada a fruta desta árvore
que era agradável aos olhos e boa para dar entendimento,
Deus estava agindo arbitraria e cruelmente, de modo que ele
decidiu valer seus direitos e livrar-se da sujeição
ao governo Divino. Ele substitui a palavra do Diabo pela lei
de Deus; ele colocou seu desejo antes da ordem de Jeová.
Assim, ao comer a fruta proibida, Adão repudiou e desonrou
a Majestade de Deus. Isso é o bastante quanto ao caráter
e conduta do primeiro Adão.
    Retornando ao último Adão, achamos
que tudo se coloca em direta antítese. Em pensamento,
palavra e ação, o Cristo de Deus defendeu completamente
o amor, a verdade e a majestade do divino, que o primeiro homem
tinha tão intensa e deliberadamente desonrado. Como Ele
defendeu o amor de Deus! Adão se refugiou no pecaminoso
pensamento de que Deus negou-lhe aquilo que lhe era benéfico
e, desse modo, questionou Sua benevolência. Mas como o
Senhor Jesus reverteu aquela decisão! Ao descer a esta
terra para procurar e salvar o que estava perdido, Ele revelou
completamente a compaixão Divina pela humanidade. Na
Sua consideração pelos afligidos, nos Seus milagres
de cura, nas Suas lágrimas sobre Jerusalém, na
Sua desinteressada e incansável obra da graça,
ele mostrou abertamente a beneficência e benevolência
de Deus. E o que podemos dizer do Seu sofrimento e morte no
madeiro cruel! Ao dar a sua vida por nós, ao morrer na
Cruz, Ele desvendou o coração do Pai, como ninguém.
“Deus provou o Seu próprio amor para conosco pelo
fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós
ainda pecadores” (Rom 5:8). Na luz do Calvário
jamais podemos duvidar da bondade e graça de Deus.
    Como Cristo defendeu a verdade de Deus! Quando tentado
por Satanás para duvidar da bondade de Deus, questionar
Sua verdade e negar Sua Majestade, Ele respondeu a cada vez:
“Está escrito”. Quando Ele entrou na sinagoga
no dia de Sábado foi para proclamar os Oráculos
Santos. Ao escolher os doze apóstolos, Ele, intencionalmente
escolheu Judas, para que as Escrituras “pudessem ser cumpridas”.
Ao censurar Seus críticos, Ele declarou que, pelas suas
tradições, eles anulavam a “Palavra de Deus”.
Nos Seus últimos momentos sobre a Cruz, sabendo que todas
as coisas tinham se cumprido, para que se cumprissem as Escrituras
Ele disse: “Tenho sede”. Depois que Ele ressuscitou
dentre os mortos e estava caminhando com os dois discípulos
para Emaús, Ele “expunha-lhes o que a Seu respeito
constava em todas as Escrituras” (Lc 24:27). Em cada aspecto
e em cada detalhe de Sua vida, Ele honrou e magnificou a verdade
de Deus.
    Finalmente, Cristo defendeu completamente a Majestade
de Deus. A criatura aspirou ser igual ao Criador. Adão
irritou-se com a sujeição governamental que Jeová
tinha posto sobre ele. Ele desprezou a lei de Deus, insultou
Sua Majestade, desafiou Sua autoridade. Que diferença
do nosso abençoado Salvador! Embora fosse o Senhor da
Glória e igual a Deus, Ele não se fez importante
e tomou a forma de servo. Oh graça sem par! Ele se submeteu
à lei, e durante toda Sua permanência aqui na terra
Ele se recusou a fazer valer os Seus direitos e sempre foi sujeito
ao Pai. “Não a minha vontade”, era o Seu
santo brado. Ou melhor, mais: “Ele se tornou obediente
até a morte, e morte de Cruz”. A lei de Deus nunca
foi tão magnificada, a autoridade de Deus nunca foi tão
honrada, as reivindicações do governo de Deus
nunca foram tão ilustremente defendidas como durante
os trinta e três anos em que Seu próprio Filho
viveu entre os homens. Assim, em Sua própria pessoa,
Cristo defendeu a insultada majestade de Deus.
    Voltamos, agora, a contemplar o próprio Cristo
suportando a Maldição da Queda. Qual foi a punição
que seguiu o pecado do primeiro Adão? Ao responder esta
pergunta, nos restringimos ao capítulo anterior. Começando
em Gênesis 3:17, podemos traçar uma conseqüência
sétupla sobre a entrada do pecado neste mundo. Primeiro,
a terra foi amaldiçoada. Segundo, em fadiga o homem obteria
sustento dela todos os dias de sua vida. Terceiro, ela produziria
espinhos e cardos. Quarto, o homem comeria o pão com
o suor do seu rosto. Quinto, o homem retornaria ao pó.
Sexto, uma espada flamejante impediu sua ida à árvore
da vida. Sétimo, houve a execução da ordem
de Deus que no dia em que o homem comesse do fruto proibido
ele certamente morreria.
    Observe agora, como o Senhor Jesus suportou completamente
a total conseqüência do pecado do homem. Primeiro,
Cristo foi “feito maldição por nós”
(Gl 3:13). Segundo, Ele estava tão profundamente ciente
de Suas dores, que foi denominado “o homem de dores”
(Is 53:3). Terceiro, para que pudéssemos saber o quanto,
literalmente, o Santo suportou em Seu corpo as conseqüências
do pecado de Adão, lemos: “Saiu, pois, Jesus trazendo
a coroa de espinhos” (Jo 19:5). Quarto, em relação
ao suor de Sua face com o qual o primeiro homem devesse comer
seu pão, tomamos conhecimento em relação
ao segundo homem, “E o Seu suor era como gotas de sangue
caindo sobre a terra” (Lc 22:44). Quinto, como o primeiro
Adão deve retornar ao pó, assim o brado do último
Adão, naquele maravilhoso Salmo profético foi:
“Assim, me deitas no pó da morte” (Sl 22:15).
Sexto, a espada da justiça que impedia o caminho para
a árvore da vida foi embainhada no lado do Filho de Deus,
pois muito antes, Jeová tinha dito: “Desperta,
ó espada, contra o Meu Pastor e contra o homem que é
meu companheiro”(Zc 13:7). Sétimo, a reprodução
da ordem original de Deus para Adão, a saber, morte espiritual
(pois Ele não morreu fisicamente naquele mesmo dia),
que é a separação da alma de Deus, está
testemunhada naquele mais solene de todos os brados, “Deus
meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27:46). Quão
absolutamente o nosso abençoado Salvador se identificou
com aqueles que estavam perdidos, tomou os seus lugares e o
Justo sofreu pelo injusto! Quão notório é,
que Cristo em Seu próprio corpo, realmente suportou a
Maldição imposta pela Queda.
    Finalmente, devemos considerar, agora, Cristo revertendo
os efeitos da Queda. Deus, sozinho, pode separar o bem do mal
e até mesmo fazer a ira do homem louvá-lo. A Queda
conferiu a Deus uma oportunidade de mostrar Sua sabedoria e
revelar as riquezas de Sua graça numa extensão
que, ao que podemos ver, Ele nunca poderia ter feito, se o pecado
não tivesse entrado no mundo. Na esfera da redenção,
Cristo não somente reverteu o efeito da Queda, mas por
causa dela, conduziu para uma coisa melhor. Se Deus pudesse
ter achado um modo em coerência com Seu próprio
caráter de restaurar o homem à posição
que ele ocupava antes de se tornar um transgressor, teria sido
extraordinário triunfo, mas aquele em que, através
de Cristo, pudesse realmente ser o vencedor, é um milagre
extraordinário da sabedoria e graça Divina. Todavia,
o caso é este. Os redimidos ganharam mais através
do último Adão do que perderam através
do primeiro. Eles ocupam uma posição mais exaltada.
Antes da Queda, Adão habitou num Paraíso terreno,
mas os redimidos foram feitos para assentar-se com Cristo nos
lugares celestiais. Pela redenção, eles foram
abençoados com uma natureza mais nobre. Antes da Queda,
o homem possuía uma vida natural, mas, agora, todos em
Cristo foram feitos participantes da natureza Divina. Eles obtiveram
uma nova posição diante de Deus. Adão era
simplesmente inocente, o que é uma condição
negativa, mas os crentes em Cristo são justos, o que
é um estado positivo. Compartilhamos uma herança
melhor. Adão era senhor do Éden, mas os crentes
são “herdeiros de todas as coisas”, “herdeiros
de Deus e co-herdeiros com Cristo”. Pela graça,
fomos feitos capazes de um júbilo mais profundo do que
espíritos vivificados conhecem: a alegria do pecado perdoado,
o compromisso da profunda consciência para a graça
Divina. Os crentes em Cristo se deleitam em um relacionamento
mais próximo de Deus do que era possível antes
da Queda. Adão era simplesmente uma criatura, mas nós
somos membros do corpo de Cristo – “membros do Seu
corpo, de Sua carne e de Seus ossos”. Que maravilhoso!
Fomos levados a uma união com o Divino, de tal modo que
o Filho de Deus não se envergonhou de nos chamar de irmãos.
A Queda forneceu a necessidade de Redenção, e
pela obra redentora da Cruz, os crentes têm uma posição
que o caído Adão nunca poderia ter alcançado.
Verdadeiramente, “onde abundou o pecado, superabundou
a graça”.
NOTA DO TRADUTOR: (1) O texto bíblico
usa o pronome possessivo “her seed” para a semente
da mulher e o pronome possessivo “thy seed” para
a semente da serpente.
É permitido baixar este arquivo,
copiar, imprimir e distribuir este material, desde que explicite
a autoria do mesmo.