“O Deus
eterno é a tua habitação e, por baixo de
ti, estende os braços eternos.” Deuteronômio
33.27
Os filhos de Israel, enquanto estiveram no Egito e peregrinaram
pelo deserto, eram uma figura visível da igreja de Deus
na terra. Nessa passagem, Moisés estava falando, primariamente,
sobre eles, todavia, em segundo plano, se referiu a todos os
eleitos de Deus, em todas as épocas. Ora, assim como
Deus era a habitação de seu povo de Israel, Ele
tem sido o refúgio de todos os seus santos durante todos
os séculos. Deus era a habitação de Israel
especialmente quando eles estavam em escravidão e seu
jugo era pesado. Quando eles tiveram de fazer tijolos sem receberem
palha, e os superintendentes de Faraó os oprimiram, eles
clamaram ao Senhor. Deus ouviu o clamor dos filhos de Israel
e enviou-lhes seu servo Moisés.
De maneira semelhante, freqüentemente
nos surgem épocas quando começamos a nos sentir
oprimidos por Satanás. Creio que muitos crentes piedosos
sentem a escravidão resultante da posição
que ocupam. Mesmo alguns daqueles que nunca se converteram ao
Senhor têm bastante sensibilidade para reconhecer que,
às vezes, o serviço a Satanás é
muito árduo, produz pouquíssima satisfação
e envolve riscos terríveis. Alguns homens não
podem fazer tijolos sem palha, por muito tempo, e não
se tornarem relativamente conscientes de que estão em
uma casa de servidão. Esses, que não fazem parte
do povo de Deus, encontrando-se sob a pressão mental
resultante da descoberta parcial de seu estado, voltam-se para
algum tipo de justiça própria ou de prazer, a
fim de esquecerem seu fardo e seu jugo.
No entanto, o povo eleito de Deus, movido por
um poder superior, foi levado a clamar ao seu Deus. Este é
um dos primeiros sinais de uma alma eleita: ela parece saber,
por meio de um instinto divino, onde se encontra o verdadeiro
refúgio. Você recorda que, embora soubesse pouco
a respeito de Cristo, tivesse pouca compreensão dos assuntos
doutrinários e não entendesse a sua necessidade,
alguma coisa o permitiu ver que somente no trono de misericórdia
você poderia encontrar refúgio.
Antes de tornar-se um crente, seu leito testemunhou
muitas lágrimas, quando seu coração magoado
se derramava diante de Deus, em palavras assim: “Ó
Deus, eu quero alguma coisa. Não sei o que eu desejo,
mas sinto uma opressão de espírito. Minha mente
está sobrecarregada e percebo que somente o Senhor pode
me dar alívio. Reconheço que sou um pecador. Oh!
perdoa-me! Não entendo bem o plano de salvação,
mas eu sei que desejo ser salvo. Eu me levanto e vou ter com
meu Pai. Meu coração anela tornar-Te o meu refúgio”.
Digo que esta é uma das primeiras indicações
de que essa pessoa é um dos eleitos de Deus. É
verdade que, assim como aconteceu com o povo de Israel no Egito,
Deus é o refúgio de seu povo, mesmo quando eles
estão sob opressão.
Quando termina o cativeiro, Deus se torna o lugar
para que seu povo se refugie de seus pecados. Os israelitas
foram tirados do Egito. Eles ficaram livres. Os israelitas não
sabiam para onde estavam marchando, mas as algemas haviam sido
despedaçadas. Eles foram emancipados e não precisavam
mais chamar ninguém de “Senhor”. Porém,
vejam, Faraó ficou irado e os perseguiu. Com seus cavalos
e seus carros, ele saiu apressadamente atrás dos israelitas.
O inimigo disse: “Perseguirei, alcançarei, repartirei
os despojos; a minha alma se fartará deles” (Êxodo
15.9).
De maneira semelhante, existem épocas da
vida espiritual em que o pecado se esforça para reconquistar
o pecador recém-libertado de suas garras. Assim como
exércitos preparados para a batalha, todo o passado de
iniqüidades do pecador corre atrás dele e o vence
em um lugar onde seu caminho está cercado. O pobre fugitivo
deseja escapar, mas não pode. Então, o que ele
deve fazer? Lembre-se que, naquelas circunstâncias, Moisés
clamou ao Senhor. Quando nada poderia oferecer refúgio
aos pobres fugitivos, quando o mar Vermelho rugia diante deles
e as montanhas os encerravam, em ambos os lados, e um inimigo
furioso os perseguia, havia um caminho que não estava
obstruído. Era o caminho do trono do Rei celestial, o
caminho do Deus dos israelitas. Por isso, eles começaram
imediatamente a andar por esse caminho, erguendo seus corações
em humilde oração a Deus, crendo que Ele os livraria.
Você conhece a história: como o cajado erguido
separou as águas profundas; como o povo passou pelo meio
do mar, à semelhança de um cavalo no deserto,
e como o Senhor trouxe todas as hostes do Egito às águas
profundas, a fim de que elas as destruíssem completamente
e nenhum daqueles egípcios ficasse vivo e não
fossem mais vistos por aqueles que os viram.
Neste sentido, Deus ainda é o refúgio
de seu povo. Nossos pecados, que nos perseguiam com tanto ardor,
foram mergulhados nas profundezas do sangue do Salvador. Atingiram
o fundo do abismo como pedras, as profundezas os encobriram
totalmente. Nós, permanecendo firmes na praia em segurança,
podemos cantar triunfantemente sobre os nossos pecados: “Cantarei
ao SENHOR, porque triunfou gloriosamente; [todas as nossas iniqüidades]
lançou no mar...” (Êxodo 15.1).
Assim, Deus é o refúgio de seu povo,
quando este se encontra sob opressão; e, quando o pecado
tenta vencê-los, Deus também é o refúgio
deles em tempos de necessidade. Os filhos de Israel viajaram
pelo deserto, mas ali não havia alimentos para eles.
A terra árida não produzia alho, nem pepino, nem
melão. Não havia rios, como o Nilo, para satisfazer
a sede dos filhos de Israel. Eles teriam morrido de fome, se
tivessem sido entregues à dependência do que o
solo produzia. Eles chegaram a Mara, onde a água era
bastante amarga. Em outras ocasiões, não havia
nem águas amargas. O que eles deveriam fazer? O refúgio
infalível do povo de Deus no deserto era a oração.
Moisés, o representante deles, sempre se dirigia ao Altíssimo,
às vezes caindo sobre o seu rosto, em agonia; em outras
vezes, subindo ao topo do monte, para rogar, em solene comunhão
com Deus, que Ele trouxesse alívio ao seu povo.
Você já ouviu que os israelitas se
alimentaram de pão dos anjos, ouviu que Jeová
fez chover pão do céu sobre o seu povo, naquele
horrível deserto, e que Ele fendeu a rocha, para que
a água jorrasse. Você ainda não esqueceu
como o vento forte soprou, trazendo-lhes carne, de modo que
comeram e ficaram satisfeitos. Nenhuma de suas necessidades
deixou de ser atendida. Suas vestes não se desgastaram.
Embora houvessem viajado pelo deserto, os pés deles não
se esfolaram. Deus supriu todas as necessidades dos israelitas.
Em nosso país, temos de ir à padaria, ao açougue,
às lojas de roupas, para conseguirmos as coisas necessárias,
mas os israelitas recorreram ao seu Deus para todas as coisas.
Temos de acumular nosso dinheiro e comprar isto em um lugar
e aquilo em outro lugar. No entanto, o Deus eterno era o refúgio
e o abrigo dos israelitas, para todas as necessidades. Em todas
as circunstâncias de necessidade, eles tiveram apenas
de levantar sua voz a Deus.
Ora, é exatamente essa a nossa condição
hoje. A fé nos faz ver que nossa posição
hoje é semelhante à dos filhos de Israel naquela
época. Não importa quais sejam as nossas necessidades,
“o Deus eterno é” nosso refúgio. Deus
prometeu que seu pão e suas águas lhe serão
dadas. Aquele que supre as necessidades espirituais não
recusará as necessidades materiais. O poderoso Senhor
nunca permitirá que você pereça, enquanto
Ele tiver o poder de socorrê-lo. Não importa qual
é o tipo de fardo que pesa sobre você, busque a
Deus. Não imagine que seu caso é muito complicado,
pois nada é impossível para o Senhor.
Não pense que Ele se recusará a
satisfazer necessidades materiais. Ele se preocupa com você
em todos os aspectos de sua vida. Dê graças a Deus
por tudo que você é, e através da súplica
e da oração você pode tornar as suas necessidades
conhecidas diante dEle (ver Filipenses 4.6). Em tempos quando
a vasilha de óleo está prestes a secar e as refeições,
escassas, busque o Deus todo-suficiente. Você descobrirá
que nada falta aos que confiam nEle.
Além disso, nosso Deus é o refúgio
de seus santos quando seus inimigos se enfurecem. Quando as
hostes do povo de Israel estavam peregrinando pelo deserto,
foram atacadas repentinamente pelos amalequitas. Sem haverem
sido provocados, esses saqueadores do deserto se lançaram
contra os israelitas e derrubaram alguns deles. Mas o que Israel
fez? O povo não rogou que um forte destacamento de cavaleiros
alugados do Egito se tornasse o refúgio deles. Ainda
que realmente houvessem desejado isso, aquele que era o líder
sábio deles, Moisés, olhou para outro braço
mais forte do que o do homem, pois clamou a Deus. Quão
maravilhoso é o quadro de Moisés, com as mãos
erguidas ao céu, sobre o cume do monte, proporcionando
vitória a Josué, na planície. Aqueles braços
erguidos foram mais valiosos do que dez mil homens, para as
hostes de Israel. Vinte mil homens não conquistariam
a vitória tão facilmente como aqueles braços
erguidos, que fizeram descer do céu a própria
Onipotência. Esta foi a principal arma de guerra dos israelitas:
a sua confiança em Deus. Josué saiu com um poderoso
exército, mas o Senhor, Jeová-Nissi, é
a bandeira e o doador da vitória.
Assim, “o Deus eterno é” nosso refúgio.
Quando nossos inimigos se enfurecem, não precisamos temer
a sua fúria. Não procuremos estar sem inimigos,
mas tomemos o nosso caso e o apresentemos ao Senhor. Enquanto
permanecer a promessa: “Toda arma forjada contra ti não
prosperará; toda língua que ousar contra ti em
juízo, tu a condenarás” (Isaías 54.17),
nunca estaremos em tal posição que as armas de
nossos inimigos nos poderão ferir. Embora a terra e o
inferno se unam em malícia, o Deus eterno é nosso
castelo e fortaleza, assegurando-nos um refúgio eterno.já
ouviu que Jeová fez chover pão do céu sobre
o seu povo, naquele horrível deserto, e que Ele fendeu
a rocha, para que a água jorrasse. Você ainda não
esqueceu como o vento forte soprou, trazendo-lhes carne, de
modo que comeram e ficaram satisfeitos. Nenhuma de suas necessidades
deixou de ser atendida. Suas vestes não se desgastaram.
Embora houvessem viajado pelo deserto, os pés deles não
se esfolaram. Deus supriu todas as necessidades dos israelitas.
Em nosso país, temos de ir à padaria, ao açougue,
às lojas de roupas, para conseguirmos as coisas necessárias,
mas os israelitas recorreram ao seu Deus para todas as coisas.
Temos de acumular nosso dinheiro e comprar isto em um lugar
e aquilo em outro lugar. No entanto, o Deus eterno era o refúgio
e o abrigo dos israelitas, para todas as necessidades. Em todas
as circunstâncias de necessidade, eles tiveram apenas
de levantar sua voz a Deus.
Fonte: Revista "Fé para Hoje"
É permitido baixar este arquivo,
copiar, imprimir e distribuir este material, desde que explicite
a autoria do mesmo.